2026-7-16
O mercado global de smartphones recuou 4% no segundo trimestre de 2026, enquanto Apple e Samsung contrariaram a tendência e reforçaram a sua quota de mercado
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O mercado mundial de smartphones registou uma quebra de 4% no segundo trimestre de 2026, refletindo o impacto da crise no fornecimento de memória, que continua a pressionar a cadeia de abastecimento e a aumentar os custos dos componentes, de acordo com a mais recente análise da Omdia. Segundo a consultora, a escassez de memória está a criar uma forte polarização no mercado, com os fabricantes a adotarem estratégias distintas para responder ao aumento dos custos, consoante a sua dimensão, posicionamento e segmentos de mercado. Neste contexto, Samsung e Apple foram as exceções, conseguindo aumentar as vendas e reforçar a respetiva quota de mercado face ao mesmo período de 2025. A Samsung manteve a liderança mundial, alcançando uma quota de mercado de 22%. A empresa beneficiou da procura sustentada pelos seus equipamentos e da disponibilidade de produto, tendo ainda capitalizado o adiamento do lançamento da série Galaxy S26, que transferiu parte da procura para o segundo trimestre. A fabricante sul-coreana reforçou igualmente a sua posição no segmento de entrada de gama, aproveitando uma estratégia mais conservadora dos fabricantes chineses. Já a Apple alcançou o melhor segundo trimestre da sua história, atingindo uma quota de mercado de 20%, tradicionalmente um dos períodos mais fracos para a empresa. Segundo a Omdia, a forte procura pela gama iPhone 17 impulsionou um dos ciclos de renovação mais expressivos da história da marca, beneficiando ainda da manutenção dos preços, numa altura em que muitos concorrentes foram obrigados a aumentá-los. Apesar deste desempenho, a consultora alerta que permanece por esclarecer se a Apple acabará também por refletir o aumento dos custos nos preços dos iPhone, depois de já ter ajustado os preços de outros produtos no final do trimestre. Entre os restantes fabricantes, a Xiaomi manteve a terceira posição mundial, com uma quota de 11%, seguida da OPPO, com 10%, e da vivo, que fechou o top cinco com 8%. “As maiores quebras verificaram-se no segmento abaixo dos 400 dólares, onde as restrições de fornecimento são mais severas, as margens são mais reduzidas e a sensibilidade ao preço é mais elevada”, afirma Runar Bjorhovde, Principal Analyst da Omdia. O analista explica que muitos fabricantes estão a abandonar uma estratégia centrada no volume para privilegiar a rentabilidade, reorganizando os portfólios e revendo os preços de venda. A Omdia sublinha que os custos da memória e do armazenamento representam atualmente mais de 60% do custo de fabrico dos smartphones de entrada de gama e mais de 30% nos modelos premium. A estes desafios juntam-se novas limitações na produção de semicondutores, que continuam a pressionar os custos de fabrico. Para Le Xuan Chiew, Research Manager da Omdia, “os ajustes estratégicos efetuados pelos fabricantes de smartphones não devem ser vistos como respostas de curto prazo, mas como alterações permanentes para garantir maior agilidade e sustentabilidade do negócio nos próximos anos”. A consultora prevê que as maiores quebras no volume de vendas ocorram durante os próximos dois trimestres, coincidindo com o período de maior procura sazonal, impulsionado pelos lançamentos de novos equipamentos e pelas campanhas promocionais. |