2026-7-12
As vendas mundiais de computadores pessoais caíram 4,9% no segundo trimestre de 2026, pressionadas pela escassez de memória e pelo aumento dos custos dos componentes, segundo a IDC
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O mercado mundial de computadores pessoais registou uma quebra de 4,9% no segundo trimestre de 2026, com as vendas a totalizarem 68,2 milhões de unidades. Segundo a IDC, trata-se da primeira descida após nove trimestres consecutivos de crescimento. A consultora atribui a inversão da tendência à persistente escassez de chips de memória, que levou os fabricantes a anteciparem a constituição de inventário sempre que possível. Além da falta de memória, a subida dos preços do armazenamento e outros componentes, bem como fatores geopolíticos, continuam a pressionar o mercado. Jitesh Ubrani, Research Director para dispositivos de consumo da IDC, afirma em comunicado que a principal tendência do mercado é a divergência entre o número de unidades vendidas e a receita gerada. Embora os volumes estejam a diminuir, os fabricantes têm conseguido compensar essa quebra através de aumentos de preços superiores à redução da procura. Segundo a IDC, o agravamento do contexto macroeconómico e a previsão de que a escassez de memória só comece a aliviar no início de 2028 afastam a possibilidade de uma nova antecipação de compras de componentes. Como consequência, a consultora prevê um abrandamento significativo do mercado na segunda metade de 2026 e novos aumentos de preços ao longo de 2027, enquanto os distribuidores manifestam preocupação com os níveis elevados de inventário a preços mais elevados. A IDC identifica ainda duas tendências estruturais. A primeira é o risco de a pressão sobre os custos comprometer o ciclo de renovação dos computadores pessoais, apesar do crescente interesse por equipamentos capazes de executar aplicações de inteligência artificial localmente, impulsionado pelo aumento dos custos da computação na cloud. A segunda tendência é a consolidação do mercado. Segundo Jean Philippe Bouchard, Vice President para dispositivos de consumo da IDC, os maiores fabricantes beneficiam da sua escala e das relações de longo prazo com fornecedores para garantir o acesso à memória, reforçando a sua posição face aos concorrentes de menor dimensão. A consultora destaca ainda o desempenho da Apple, que aumentou a sua quota de mercado após o lançamento do MacBook Neo. Apesar de também ter aumentado os preços, a empresa encontra-se numa posição competitiva favorável, beneficiando das mesmas vantagens de escala que outros grandes fabricantes, como Lenovo e Dell. |