2026-5-08
O mercado global de smartphones cresceu 1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por antecipação de encomendas e inflação de componentes
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O mercado global de smartphones registou um crescimento homólogo de 1% no primeiro trimestre de 2026, com um total de 298,5 milhões de unidades vendidas, segundo dados da Omdia. A consultora explica que o desempenho do trimestre foi marcado por duas forças opostas: por um lado, a antecipação de encomendas por parte dos fabricantes perante a expectativa de aumento dos custos de memória e componentes; por outro, o abrandamento da procura dos consumidores devido ao contexto macroeconómico e à inflação persistente. De acordo com a Omdia, fabricantes como Samsung e Apple aceleraram o sell-in para o Canal de distribuição, contribuindo para resultados acima das expectativas iniciais da indústria. No entanto, a procura efetiva por parte dos consumidores manteve-se mais moderada, criando um desfasamento crescente entre inventário e vendas reais. A Samsung manteve a liderança mundial, com 65,4 milhões de smartphones expedidos, um crescimento homólogo de 8%. O desempenho foi suportado pela procura da gama Galaxy S26 e pela forte presença da série A nos mercados emergentes. A Apple registou 60,4 milhões de unidades expedidas, crescendo 10% face ao mesmo período do ano anterior. A série iPhone 17 foi o principal motor de crescimento, com destaque para o iPhone 17e em mercados impulsionados pelas operadoras, como União Europeia e Japão. Na China continental, os modelos iPhone 17 Pro e Pro Max registaram um crescimento homólogo de 42%. Em sentido contrário, a Xiaomi apresentou a maior quebra entre os cinco principais fabricantes, com 33,8 milhões de unidades expedidas e uma descida de 19%. Segundo a Omdia, a forte exposição da marca ao segmento abaixo dos 200 dólares tornou-a particularmente vulnerável ao aumento dos custos de memória. A Oppo, incluindo Realme e OnePlus, ocupou a quarta posição com 30,7 milhões de unidades (-6%), seguida da Vivo com 21,3 milhões (-7%). A Honor destacou-se como a marca com crescimento mais rápido entre as dez principais fabricantes, impulsionada sobretudo pela expansão internacional, especialmente no Médio Oriente e África. A Omdia considera que o mercado entrou numa nova fase de disrupção impulsionada pelo aumento sustentado dos custos de DRAM, armazenamento e processadores. Segundo Le Xuan Chiew, Research Manager da Omdia, “a atividade de front-loading elevou temporariamente os envios, mas criou um excesso de inventário que deverá pesar nos próximos trimestres”. A consultora prevê uma correção mais significativa no segundo trimestre e na segunda metade de 2026, à medida que o Canal absorve o excesso de stock num contexto de procura mais fraca. A inflação continua também a pressionar o consumo, reduzindo o orçamento disponível das famílias e prolongando os ciclos de substituição dos equipamentos, especialmente nos segmentos médio e premium. Para a Omdia, os fabricantes deverão concentrar-se nos próximos meses na gestão de inventário, proteção de margens e maior disciplina no sell-in, num cenário de crescimento mais limitado. |