2026-3-29
O mercado de XR cresceu 44,4% em 2025, impulsionado pelos óculos inteligentes com IA, enquanto os headsets de realidade virtual e mista registaram queda
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O mercado global de dispositivos de realidade estendida (XR) cresceu 44,4% em 2025, impulsionado sobretudo pela adoção acelerada de óculos inteligentes, segundo dados da IDC. A evolução do mercado reflete uma mudança estrutural na forma como os utilizadores interagem com tecnologias imersivas. Enquanto os óculos leves com capacidades de inteligência artificial ganham popularidade, os headsets de realidade virtual (VR) e realidade mista (MR) registaram uma quebra significativa na procura. A XR inclui tecnologias que combinam o mundo físico e digital, como realidade aumentada (AR), VR e MR. No entanto, a tendência atual aponta para dispositivos mais discretos e integrados no quotidiano, como os smart glasses. O crescimento do mercado foi liderado por produtos como os óculos Ray-Ban Meta AI e dispositivos concorrentes, que ampliaram a disponibilidade e acessibilidade desta categoria. Em contraste, a procura por headsets mais volumosos tem vindo a concentrar-se sobretudo em aplicações de gaming. A Meta manteve uma posição dominante, com uma quota de mercado de 72,2%, apoiada pela Parceria com a EssilorLuxottica, pelo alargamento do portfólio de óculos inteligentes e pelo lançamento de novos produtos, incluindo uma linha associada à marca Oakley. Apesar disso, a linha de headsets Quest registou uma queda de 42,3% nas vendas face ao ano anterior, afetada por desafios na cadeia de abastecimento e menor procura fora do segmento de jogos. Entre outros fabricantes, a Xiaomi ocupou a segunda posição com 4,2% de quota, seguida da XREAL com 2,3%. A RayNeo reforçou a sua presença nos Estados Unidos com uma estratégia agressiva de preços. Já a ByteDance e a Viture registaram desempenhos distintos: enquanto a primeira viu as suas vendas cair 30,5%, a segunda cresceu 94,9%, impulsionada pela expansão no retalho e renovação do portefólio. A IDC antecipa que 2026 será um ano de transição, com o mercado a consolidar a mudança para formatos baseados em óculos. Os modelos sem ecrã deverão liderar o crescimento no curto prazo, enquanto os óculos com display deverão ganhar relevância a partir de 2027, ultrapassando os headsets VR e MR. A médio prazo, o mercado deverá crescer a uma taxa anual de 26,5% entre 2026 e 2030, com uma previsão de aumento de 33,5% já em 2026. A evolução tecnológica aponta para óculos com capacidades cada vez mais avançadas, capazes de suportar experiências multimédia mais imersivas, atualmente associadas a dispositivos MR, mas em formatos mais leves e compactos. No entanto, a IDC alerta para desafios na cadeia de abastecimento, ainda pouco madura, e para a elevada dependência de componentes com propriedade intelectual intensiva, o que pode limitar a inovação e a concorrência. Neste contexto, o software, os serviços e a integração de inteligência artificial deverão assumir um papel central na diferenciação entre dispositivos, num mercado cada vez mais competitivo e orientado para experiências digitais contínuas. |