2026-7-31
As vendas mundiais de smartphones caíram 6% no segundo trimestre de 2026, pressionadas pelo aumento dos custos dos componentes, segundo a Omdia
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As vendas mundiais de smartphones totalizaram 272 milhões de unidades no segundo trimestre de 2026, uma queda de 6% face ao mesmo período do ano anterior, segundo a Omdia. A consultora atribui o recuo ao aumento dos custos da memória, que pressionou as cadeias de abastecimento, encareceu os componentes e levou os fabricantes a rever preços, portfólios e estratégias comerciais. A análise da Omdia baseia-se nas estimativas trimestrais da consultora para o mercado mundial de smartphones e acompanha a evolução das vendas por fabricante e das principais tendências da indústria. A Samsung manteve a liderança do mercado, com 60,5 milhões de smartphones vendidos e uma quota de 22%, registando um crescimento homólogo de 5%. A Apple alcançou o melhor segundo trimestre da sua história, com 55,1 milhões de unidades vendidas, um aumento de 23%, elevando a sua quota para 20%. Já a Xiaomi permaneceu na terceira posição, mas registou uma quebra de 26%, para 31,2 milhões de equipamentos. A Omdia atribui este desempenho à forte exposição da marca ao segmento de entrada de gama, mais afetado pela inflação dos custos da memória. A OPPO, incluindo as marcas realme e OnePlus, vendeu 28,4 milhões de smartphones, menos 17% do que há um ano, enquanto a vivo fechou o top cinco com 21,5 milhões de unidades, uma descida de 18%. Segundo a consultora, a indústria entrou numa fase em que os fabricantes privilegiam a rentabilidade em detrimento do crescimento do volume de vendas. Para compensar o aumento dos custos, as empresas têm vindo a aumentar os preços dos equipamentos, a reduzir a oferta de modelos de entrada de gama e a apostar em smartphones de gama média e premium. A Omdia destaca ainda que as tensões geopolíticas no Médio Oriente contribuíram para uma quebra de 18% nas vendas da região, afetando as cadeias de abastecimento, a atividade do retalho e a procura dos consumidores. Ainda assim, considera que este impacto deverá ser temporário. “Os preços voltaram a tornar-se um fator de diferenciação competitiva. O atual ciclo de custos da memória está a provocar uma reconfiguração estrutural do mercado, alterando a forma como os fabricantes competem em termos de preços, rentabilidade e posicionamento dos produtos”, afirma Le Xuan Chiew, Research Manager da Omdia. Para a segunda metade de 2026, a consultora prevê que os custos elevados dos componentes continuem a pressionar o mercado. Embora o ritmo da quebra das vendas deva abrandar, a recuperação dos volumes dependerá da redução dos custos da memória. Neste contexto, os fabricantes deverão reforçar estratégias como programas de retoma, financiamento de equipamentos e oferta de serviços para sustentar a rentabilidade. |