2026-9-08
As vendas globais de dispositivos XR caíram para 1,9 milhões de unidades no primeiro semestre de 2026. Os óculos XR ganharam peso, mas não compensaram a quebra dos headsets
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As vendas globais de dispositivos de Extended Reality (XR) recuaram 38,7% em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, para 1,9 milhões de unidades, segundo dados da Omdia. A quebra prolonga as dificuldades do mercado de XR, que em 2025 já tinha registado o quarto ano consecutivo de contração depois do máximo alcançado em 2021. A evolução dos óculos XR constitui, no entanto, um sinal de mudança dentro do segmento. Os óculos XR representaram 25,8% das unidades comercializadas no primeiro semestre, contra 10,2% no mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos modelos tethered, ligados a outros dispositivos. RayNeo, Viture e XReal concentraram, em conjunto, 93,1% deste segmento. A procura por equipamentos como o RayNeo Air 4 e a série Viture Beast colocou a RayNeo e a Viture na segunda e terceira posições, respetivamente, do mercado global de dispositivos XR, com quotas de 9,9% e 8,6%. Qiran Ju, Senior Analyst da Omdia, considera, em comunicado, que os consumidores estão a aceitar trocar algum nível de imersão por dispositivos mais simples de utilizar. O menor peso e casos de utilização já familiares, como vídeo e gaming, estão entre os fatores que reduzem as barreiras à adoção. A Meta continuou a liderar o mercado, apesar de a sua quota ter diminuído de 71,3% no primeiro semestre de 2025 para 48,2% no mesmo período deste ano. A Omdia atribui a evolução ao enfraquecimento da procura pelos Meta Quest 3 e Quest 3S. George Jijiashvili, Senior Principal Analyst da Omdia, refere que estes equipamentos não conseguiram gerar um ciclo de atualização comparável ao alcançado anteriormente pelo Quest 2 nem aumentar de forma significativa a base de utilizadores. A consultora considera que as dimensões e características dos atuais headsets continuam a limitar a adoção para além do núcleo de utilizadores entusiastas. A América do Norte manteve-se como o maior mercado, representando 43,9% das unidades comercializadas no primeiro semestre. A Europa Ocidental ficou na segunda posição, com 23,8%. A Grande China registou o maior crescimento em termos de peso global, passando de 11,9% em 2025 para 16,3% no primeiro semestre de 2026. A região ultrapassou assim o restante mercado da Ásia-Pacífico, apoiada pela procura interna por óculos tethered. Para a Omdia, a próxima fase do mercado deverá passar pela integração de inteligência artificial e capacidades espaciais em dispositivos de utilização quotidiana. Esta evolução poderá deslocar o foco dos ambientes virtuais imersivos para interações mais frequentes através de equipamentos mais leves. |