2026-4-21

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Managed services tornam-se motor de aceleração da IA

Estudo da KPMG mostra que os managed services estão a evoluir para um papel estratégico na industrialização da IA, com foco em governance, dados, cibersegurança e transformação operacional

Managed services tornam-se motor de aceleração da IA

Os serviços geridos estão a deixar de ser encarados como um modelo centrado apenas em eficiência operacional e redução de custos para passarem a assumir um papel mais estratégico na transformação digital e na adoção de Inteligência Artificial (IA). Essa é a principal leitura do estudo Accelerating AI with Managed Services, da KPMG, com pesquisa da IDC, baseado num inquérito a 1.224 líderes seniores de grandes organizações e em entrevistas aprofundadas com executivos na América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.

O relatório mostra que a IA se tornou o eixo central desta mudança. Cerca de 87% das organizações que participaram no inquérito afirmam que os serviços geridos estão altamente integrados na sua estratégia de transformação digital; 98% identificam a implementação de IA como uma capacidade crítica; e 91% dizem que este modelo será importante para entregar projetos de IA com agência. Além disso, a gestão de IA surge como a principal área de investimento em managed services nos próximos dois anos, à frente de fiscalidade, cibersegurança e governance, riscco e compliance.

Mais do que acelerar projetos, o estudo sugere que os serviços geridos estão a tornar-se uma resposta à dificuldade que muitas empresas têm em escalar IA internamente. A KPMG identifica fricções como complexidade de integração, governação transversal de dados, custos de longo prazo e dificuldade em comprovar o retorno. É por isso que o relatório defende que o valor dos managed services já não está apenas na execução, mas na capacidade de combinar tecnologia avançada com equipas especializadas, conhecimento setorial e uma mentalidade de transformação.

Managed services vs outsourcing

O estudo também mostra uma mudança conceptual importante, com 82% dos inquiridos a considerarem que existe hoje uma diferença clara entre managed services modernos e outsourcing tradicional. Essa diferença está precisamente na combinação entre automação, IA, especialização funcional e capacidade consultiva. Para os compradores, os dois fatores mais relevantes na escolha de um fornecedor são a capacidade em IA e a competência tecnológica global, seguidos de excelência operacional, dados, conhecimento setorial e uma visão estratégica de transformação.

Ao nível da governação interna, a decisão sobre managed services subiu claramente de nível. O CIO e as equipas técnicas são hoje o grupo com maior influência na adoção deste modelo, citados por 54% dos inquiridos, mas os conselhos de administração aparecem logo a seguir, com 48%, à frente das áreas de negócio e dos CFO. O dado sugere que a discussão deixou de ser apenas operacional e passou a estar ligada a risco, resiliência e vantagem competitiva.

Outro dos pontos mais relevantes do relatório é que o valor esperado dos serviços geridos está a deslocar-se da eficiência para a inovação. Entre os principais objetivos mantêm-se a poupança de custos, o acesso a novas tecnologias e a aceleração do time-to-market, mas a KPMG sublinha que o maior impacto transformacional esperado hoje vem da inovação tecnológica. Em paralelo, dois terços dos compradores esperam impactos significativos em transformação do modelo operativo, transformação do modelo de negócio e resultados estratégicos como crescimento, agilidade e resiliência.

Hoje, os programas de managed services assentam sobretudo em aplicações cloud, plataformas on-premises e ferramentas de workflow, enquanto a IA/IA com agência e automação já ocupam posições relevantes. Nos próximos dois anos, porém, a importância relativa deste parâmetro, assim como a automação e process mining aumenta, o que sugere uma transição de modelos centrados em infraestrutura e aplicações para modelos focados em inteligência operacional e descoberta contínua de processos.

A fusão da Inteligência Artificial com a cibersegurança

O relatório dá também um peso muito forte ao tema da confiança. A KPMG considera que a próxima fase dos serviços geridos será determinada pela capacidade de unir IA e cibersegurança. A cibersegurança é já uma das funções com maior adoção em managed services, com 63% das organizações a utilizarem este modelo à escala ou para a função inteira, enquanto a gestão de IA se aproxima dos 50%.

De acordo com o estudo, os compradores procuram mais clareza sobre toolchains, fronteiras de partilha de dados, governance e controlos de segurança. Em vez de “trust by default”, o que se impõe é um modelo de “trust, but clarify”.

A KPMG propõe uma agenda prática para 2026. Uma das recomendações passa por repensar processos em função dos resultados que devem gerar e por usar managed services para redesenhar esses processos. Depois, destacam-se mais três pilares: dados como ativo estratégico, escalabilidade segura da IA e combinação equilibrada entre tecnologia e supervisão humana, sobretudo em áreas críticas como GRC, supply chain e operações clínicas. O relatório acrescenta ainda a necessidade de gerir a mudança em toda a organização e de escolher Parceiros transformacionais, em vez de fornecedores meramente transacionais.

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