Jorge Bento em 2021-9-21

NEGÓCIOS

Análise

Compreendendo a nova Tech Data - Synnex

A Tech Data e a Synnex concluíram no passado dia 1 de setembro a sua fusão, e a nova empresa designada de TD Synnex é agora o maior distribuidor mundial de IT com uma receita combinada de perto de 60 mil milhões de dólares

Luís Pires, Country Manager Portugal, Tech Data - a TD SYNNEX Company

Apesar da Synnex não ter atividade em Portugal e a Tech Data manter a sua identidade no nosso mercado, importa entender o que representa esta fusão e como pode impactar todo o mercado de distribuição a nível global.

Trata-se de um gigante, cujo volume de negócios anual corresponde a um trimestre de PIB português, o que pode ajudar a visualizar a dimensão desta nova empresa.

Desde 2019 que se sabia da intenção de mais fundos de investimento entrarem na grande distribuição de IT. A distribuição é considerada um investimento seguro, um porto de abrigo para os capitais em tempos de incerteza.

Com um elevado volume de negócios face às responsabilidades fixas e mesmo com uma percentagem de EBITDA relativamente reduzida, a distribuição absorve bem eventuais impactos negativos macroeconómicos, mas continua a ser, na sua componente mais “core”, um negócio essencialmente de escala.

Em junho de 2020, o fundo de investimento Apollo Global Management, conhecido em Portugal pelas aquisições no mercado segurador e pela disputa na aquisição do Novo Banco – que que viria a perder para a rival Lone Star – adquire 45% da Tech Data, num negócio de 5,4 mil milhões de dólares. Era claro que não ia parar pela simples compra da posição.

A Apollo, ao procurar uma fusão com a Synnex, que fica com uma maioria de 55%, está a valorizar os seus ativos, e os dois combinados assumirão a posição número um que foi mantida pela rival Ingram Micro por mais de três décadas. Por sua vez, em julho passado, a Platinum Equity completou a aquisição da Ingram Micro numa operação de 7,2 mil milhões e abre a porta ao distribuidor a recursos financeiros do fundo.

Trata-se de uma “batalha” entre fundos de investimento pelo controlo do mercado de distribuição de tecnologia.

A nova TD Synnex apresenta agora um total combinado de 150 mil clientes, uma carteira de 1.500 fornecedores e 22 mil colaboradores a nível global.

A nível dos resultados, a nova empresa calcula que só de ganhos provenientes da redução de custos de sinergias, se vão somar cem milhões de dólares a um EBITDA ajustado combinado de 2,5 mil milhões.

E o que muda para o Parceiro em Portugal?

Dado que a Synnex não atuava no mercado nacional e era pouco relevante na Europa, pode- se perguntar o que esta fusão muda na vida do Parceiro português e que ganhos podem haver.

Em declarações ao IT Channel, Luís Pires, Country Manager da Tech Data em Portugal, afirma que “o reforço de todo o portfolio de soluções permitirá aos nossos Parceiros o acesso a uma plataforma de distribuição global, aproveitando a maior amplitude e profundidade das nossas ofertas e as capacidades da nova TD SYNNEX”.

Parte desta oferta tem sido gradualmente construída na área do valor acrescentado, tanto os serviços disponibilizados pela Tech Data (em parte por desenvolvimento interno e pela aquisição de VAD como a Avnet) como as capacidades de integração da Synnex, como o SERVICESolv que fornece soluções personalizadas como integração e personalização para empresas OEM, engenharia, branding, e suporte pós-venda.

Mas é no desenvolvimento de serviços em cloud que a fusão vai, provavelmente, criar mais sinergias. As duas plataformas, a StreamOne da Tech Data e a Stellr da Synnex já deverão ter recebido um investimento combinado superior a mil milhões de dólares.

São as tecnologias de nextgen como cloud, segurança, analítica, IoT e inteligência artificial que vão determinar os vencedores no campo da batalha global da distribuição de IT, que procuram cada vez mais acrescentar valor.

A Tech Data em Portugal saíra, necessariamente, reforçada em outras vertentes decorrentes do maior peso do novo grupo junto dos vendors, de uma ainda maior capacidade financeira que se poderá traduzir, em tese, em reforçadas condições de financiamento ao Canal, apesar de ainda não ter sido revelado nada em concreto para o mercado nacional.

Luís Pires deixa para já uma mensagem de solidez e continuidade aos Parceiros afirmando que “em Portugal continuaremos a ser conhecidos como Tech Data - a TD SYNNEX Company e a dar suporte aos nossos Parceiros de Canal no crescimento e desenvolvimento dos seus negócios, tirando o máximo partido das vantagens da nova TD SYNNEX”.

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