Rui Damião em 2025-6-20

CHANNEL ON

O caminho para a rentabilidade: “Temos de solidificar estas relações no tempo e temos de ser pessoas para pessoas” (com vídeo)

Os Parceiros de Canal de IT em Portugal enfrentam uma transformação acelerada onde a procura pela rentabilidade obriga a repensar modelos de negócio tradicionais. Na mesa-redonda “Managed Services: O Caminho para a Rentabilidade?”, Edgar Silva, Chief Operating Officer da Digibéria, Miguel Borges, Chief Operating Officer da Logicalis, e Hugo Costa, CEO da Quantinfor, partilharam a sua visão com o público presente

O caminho para a rentabilidade: “Temos de solidificar estas relações no tempo e temos de ser pessoas para pessoas” (com vídeo)

A mesa-redonda “Managed Services: O Caminho para a Rentabilidade?” contou com participantes da Digibéria, Logicalis e Quantinfor

Num mercado cada vez mais competitivo e com a crescente pressão sobre as margens, os Managed Service Providers (MSP) e integradores procuram o equilíbrio ideal entre serviços recorrentes e projetos pontuais. 

A distribuição entre serviços geridos e projetos varia de Parceiro para Parceiro, mas ambos são importantes para as empresas. Edgar Silva explica que a Digibéria tem um balanço “de 70-30; 70% orientado aos managed services e cerca de 30% orientado aos projetos”. Esta divisão reflete uma estratégia deliberada onde os serviços geridos garantem a base financeira. “Os managed services são algo que nos garante uma recorrência, uma relação duradoura nos nossos clientes e o projeto por si garante-nos que temos acesso a mais managed services”, explica, destacando como “muitas das vezes, as equipas com especializações mais avançadas e mais recentes estão nas áreas de projeto”.

No caso da Quantinfor, Hugo Costa refere que “os últimos números que temos divide em 50-50. Temos 50% de serviços geridos, especializados em data center, cloud, monitorização, serviços de manutenção de software e serviços de manutenção de sistemas e de hardware”. Para o CEO da Quantinfor, “os serviços geridos podem levar a mais projetos e os projetos podem trazer mais serviços geridos; uma coisa complementa a outra e acho que tem de ser esse o caminho”. Os projetos que são bem geridos “podem trazer uma boa escala financeira e os serviços geridos são a frequência e o crescimento financeiro, a sustentabilidade financeira da empresa e a previsibilidade financeira do negócio”.

A Automação e os Recursos Humanos

Um dos maiores desafios enfrentados pelos MSP é o número de recursos humanos necessários por causa do número de processos e rotinas que o cliente passa para o Parceiro. Neste ponto, a automação e Inteligência Artificial (IA) emergem como soluções críticas. Miguel Borges refere que a Logicalis conta com “uma plataforma que garante a automação, que garante agora a IA dentro dos nossos processos e das nossas ferramentas para entregar ao cliente um serviço diferenciado”.

Hugo Costa partilha uma perspetiva semelhante: “temos de estar preparados e trabalhar na eficiência e na automação como qualquer setor de atividade. Hoje, temos de escalar o nosso negócio a menor contratação de recursos possível e conseguir chegar mais longe com os mesmos recursos”.

Edgar Silva partilhou que é naturalmente importante manter uma “relação longa” com os clientes. “Temos temas diferentes todos os dias,  os próprios interlocutores do cliente e o tipo de clientes que consomem este serviço também tem vindo a mudar nos últimos anos”. Com as alterações que o mercado de uma forma geral tem vindo a sofrer, as relações vão durando no tempo “porque há cada vez mais uma maior noção de conformidade e uma maior necessidade de flexibilidade na entrega. Temos de solidificar estas relações no tempo e temos de ser pessoas para pessoas”.

A pressão sobre os preços e as margens constitui uma preocupação para os Parceiros de IT. Miguel Borges defende que “cada vez mais temos de vender isto ao negócio”. No entanto, os próprios clientes percebem a falta de recursos que existe no mundo do IT. “Muitas vezes, este contexto de managed services no cliente começa por uma análise do board, do negócio e da área financeira antes propriamente de ir para a área técnica para discutirmos a relação”, explica, acrescentando que “a área técnica acaba por ser um Parceiro – não é um cliente – porque percebe também a constante evolução que existe e o budget que têm”.

O Impacto das Aquisições Internacionais

O mercado português tem assistido a um movimento significativo de aquisições por parte de grupos internacionais. Hugo Costa mantém-se otimista: “temos espaço para todos. É verdade que está a haver um grande crescimento de empresas multinacionais, mas também é verdade que muitas delas não têm o conhecimento do mercado, o conhecimento local e o acompanhamento tão presencial que nós podemos ter”. Neste sentido, a Quantinfor “aposta em equipas locais, muito no apoio próximo com o cliente e isso traz uma proximidade e uma confiança grande, inclusive, às multinacionais”.

Na mesma linha, Edgar Silva “tem presenciado isso mesmo. Alguns dos nossos concorrentes estão a ser absorvidos por grupos internacionais e o que está a acontecer é que eles necessitam de ter alguém em território nacional para os executar e, por essa via, mantemos o nosso cliente de sempre. O que acontece é que quem os detém passou a ser um grupo económico diferente”.

A Pressão Competitiva e Sustentabilidade

A pressão dos preços e margens constitui uma preocupação transversal. Miguel Borges, da Logicalis, refere que “sim, a pressão das vendas é sempre muito forte”. Neste sentido, “a parte das vendas e o suporte às vendas acaba por ser, às vezes, algo agressivo, com a sua própria dinâmica. Para garantirmos uma boa sustentabilidade da organização e rentabilidade, não podemos entrar na loucura dos preços quer no mercado nacional, quer no mercado internacional. Temos de entrar numa Parceria e, claramente, chegar a um limite de ‘a partir daqui não vamos, a partir daqui não fazemos. Vamos pôr em causa a estrutura da organização, do Parceiro e a sustentabilidade para o futuro”.

Já Hugo Costa, da Quantinfor, defende que “a pressão dos preços e das margens são cada vez mais difíceis, as margens dos fabricantes são cada vez menores. Os nossos serviços têm de ser um; temos de ir buscar a nossa rentabilidade e sustentabilidade”. Assim, é preciso tentar “acabar com essa questão de praticar preços de serviços abaixo do justo e, às vezes, abaixo do possível”.

Navegar a Transformação Digital do Canal

O panorama dos Parceiros do Canal de IT em Portugal revela um setor em profunda transformação, onde a sustentabilidade financeira exige uma abordagem estratégica multiface tada. Não existem fórmulas mágicas para o sucesso, mas sim princípios fundamentais que orientam as decisões empresariais.

Os serviços geridos garantem a previsibilidade financeira e a proximidade ao cliente, enquanto os projetos abrem portas a novas tecnologias e oportunidades de crescimento. Esta dualidade é uma sinergia necessária para a competitividade das organizações.

A automação e a IA emergem como ferramentas indispensáveis para resolver a escassez de recursos humanos, que tanto são procurados por clientes como por Parceiros para suprir as suas necessidades com IT. A capacidade de escalar o negócio torna-se num fator diferenciador crítico.

O movimento de aquisições internacionais está longe de representar uma ameaça existencial aos Parceiros portugueses e pode, até, constituir uma oportunidade para os Parceiros locais que souberem capitalizar o seu conhecimento do mercado e a proximidade com os clientes.

Por fim, o sucesso duradouro nos Parceiros de IT assenta numa combinação equilibrada da excelência técnica, eficiência operacional e relacionamento humano. Num mundo cada vez mais digitalizado, a componente humana continua a ser o elemento diferenciador que garante relações comerciais duradouras e mutuamente benéficas.

Assim, o futuro dos Parceiros portugueses depende da sua capacidade de adaptação contínua, mantendo a agilidade necessária para responder às mudanças tecnológicas sem perder a identidade que os distingue no mercado. A colaboração entre Parceiros, a especialização em nichos de alto valor e a aposta na formação contínua das equipas constituem os pilares sobre os quais se vai construir a próxima fase de crescimento do setor.

Recomendado pelos leitores

“Faltam ainda em Portugal grandes zonas de disponibilidade de cloud”
CHANNEL ON

“Faltam ainda em Portugal grandes zonas de disponibilidade de cloud”

LER MAIS

Worten recebe prémio de Melhor Parceiro Retail IT nos Channel Awards
CHANNEL ON

Worten recebe prémio de Melhor Parceiro Retail IT nos Channel Awards

LER MAIS

V-Valley: “O Channel On é um fórum muito importante de encontro entre Parceiros”
CHANNEL ON

V-Valley: “O Channel On é um fórum muito importante de encontro entre Parceiros”

LER MAIS

IT CHANNEL Nº 129 JULHO 2026

IT CHANNEL Nº 129 JULHO 2026

VER EDIÇÕES ANTERIORES

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.