Inês Garcia Martins em 2026-11-02
Longe das habituais apresentações de produtos, o DDC Group reuniu profissionais do Canal para discutir o impacto da IA nas pessoas e nas empresas. Em entrevista ao IT Channel, João Gorgulho explica o que motivou a iniciativa e defende que os Parceiros também devem levar esta reflexão aos seus clientes
Pedro Simões (à esquerda), João Gorgulho (no meio) e Agatha Arêas (à direita)
|
“O que é que ainda é só nosso?” foi o mote com que João Gorgulho, Country Manager do DDC Group, deu o arranque do evento Signal. Em vez de centrar o encontro em soluções tecnológicas, a empresa convidou profissionais do setor a refletir sobre o lugar das pessoas perante a Inteligência Artificial (IA). João Gorgulho explicou, em entrevista ao IT Channel, que o DDC SIGNAL nasceu das suas preocupações com a forma como a IA está a transformar o quotidiano. Embora reconheça os benefícios da tecnologia, considera que os utilizadores lhe estão a confiar demasiadas tarefas e decisões, pelo que “o objetivo com o Signal é contrariar essa tendência que está a surgir e criar um espaço para parar, pensar, ouvir e até questionar”. Para o responsável, “a missão dos Parceiros é colocar estas questões aos clientes finais”, levando revendedores e integradores a questionar, com os clientes, o impacto das soluções que propõem. João Gorgulho garantiu que esta não será uma iniciativa isolada, ao assegurar que “este é o primeiro Signal. Vamos continuar”. Para o responsável, o impacto do encontro será ainda maior se, no futuro, “começarem a aparecer outras iniciativas deste género”. Perguntar antes de responderNa abertura, Filipa Jardim da Silva, psicóloga clínica e fundadora da Academia Transformar, reforçou a importância da curiosidade e do pensamento crítico. “Mais do que respostas absolutas, precisamos de perguntas inteligentes”, defendeu. Em vez de uma plateia virada para um palco, os convidados procuraram o seu lugar em mesas de conversa, sem saber antecipadamente com quem se sentariam. A partir de perguntas lançadas em cada grupo, trocaram perspetivas sem a obrigação de chegar a uma resposta comum. Depois das conversas nas dez mesas que preencheram a sala, o primeiro painel partiu da questão “quem somos quando a IA começa a fazer aquilo que nos fazia sentir competentes?”. Filipa Jardim da Silva lembrou que “aquilo que fazemos é muitas vezes um alicerce da nossa identidade”, ligando a mudança tecnológica à autoestima e à perceção de competência. Lourdes Monteiro, fundadora da Career Redesign, apontou diferentes formas de encarar essa mudança. Se os profissionais tecnológicos tendem a reconhecer oportunidades na IA, noutros setores surge o receio de perder relevância. “Em Portugal, não são muitos os profissionais que querem redesenhar carreira por estarem preocupados com a IA”, observou. Já Pedro Caria, Associate Partner da Deloitte, acredita que “se as pessoas conseguirem antecipar, vão encontrar mais oportunidades de se transformarem, de transformarem as empresas e os colegas”. Defendeu ainda a importância de manter o human-in-the-loop, com espírito crítico, e sublinhou que “as competências relacionais, interpessoais são fundamentais”. Produtividade não é qualidadeO segundo debate centrou-se na questão de saber se a IA está a permitir trabalhar mais depressa ou melhor. Agatha Arêas, fundadora e presidente da Provoke, alertou que “estamos a confundir produtividade com performance”, sobretudo quando os resultados são alcançados à custa do bem-estar das equipas. Para a responsável, “está a faltar pensamento, capacidade crítica, discernimento”. Pedro Simões, professor catedrático da NOVA IMS, também distinguiu produtividade de qualidade. “Há poucos estudos objetivos que nos digam o que é que a IA está a fazer nas empresas”, ressalvou. Para o especialista, a melhoria vai depender de uma transformação dos processos e da capacidade de “devotar o tempo que sobrou para redesenhar processos de negócio e melhorar a qualidade dos dados”, em vez de apenas acelerar as tarefas habituais. O pensamento crítico e a necessidade de questionar o papel da tecnologia marcaram o Signal, que encerrou com uma mensagem de João Gorgulho sobre a importância de dar continuidade à reflexão, ao sublinhar que “o Signal hoje termina, mas as conversas continuam”. |
DDC Group: “Se não adaptamos a nossa infraestrutura, nada vai correr como precisamos e como deve ser”
DDC Group: “Existe uma infraestrutura que muitas vezes não é valorizada” (com vídeo)
IT Security Conference 2026: “A dissuasão começa no momento em que o atacante avalia se vale a pena atuar”