2026-10-28

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IT Security Conference 2026

Cisco: “Temos de controlar cada ação dos agentes” (com vídeo)

Na IT Security Conference 2026, Diogo Moreira, da Cisco, destacou os riscos da IA com agência e a necessidade de automatizar a defesa e controlar as ações dos agentes

Cisco: “Temos de controlar cada ação dos agentes” (com vídeo)
Luís Ribeiro / MediaNext

Diogo Moreira, da Cisco, durante a IT Security Conference 2026

A Inteligência Artificial (IA) com agência está a transformar a cibersegurança, permitindo explorar vulnerabilidades mais rapidamente e introduzindo novos riscos nas organizações. Na IT Security Conference 2026, Diogo Moreira, Account Executive - Cybersecurity da Cisco, defendeu uma mudança na forma como as empresas protegem as suas infraestruturas.

Durante a apresentação “Security at Agentic Scale - Protecting Networks When Apps and Attackers Use AI”, identificou dois desafios: a utilização de agentes de IA para potenciar ataques externos e os riscos associados aos agentes autónomos dentro das organizações.

“Se os atacantes utilizam IA para atacar, nós, na defesa, para manter o ritmo, também temos de utilizar essas ferramentas para nos defendermos”, defendeu.

O tempo para explorar vulnerabilidades diminui

Segundo Diogo Moreira, os modelos de IA estão a acelerar a identificação e exploração de vulnerabilidades, permitindo executar ataques em maior escala, mesmo com menos conhecimentos técnicos.

O responsável destacou que o tempo médio entre a divulgação de uma vulnerabilidade e a sua exploração caiu de 23 dias, em 2025, para menos de 20 horas, em 2026, segundo os dados apresentados. “Com os métodos tradicionais de aplicação de patches, é impossível mantermos este ritmo de defesa”, alertou.

Como resposta, apresentou o Cisco Live Protect, que utiliza a tecnologia eBPF para aplicar controlos de segurança ao nível do kernel, mitigando tentativas de exploração sem depender exclusivamente da instalação imediata de atualizações.

Agentes autónomos exigem novas políticas de segurança

A segunda dimensão do risco está relacionada com a adoção de sistemas multiagente, capazes de executar tarefas autonomamente e comunicar com serviços externos.

Estes sistemas podem aceder a informação confidencial e interagir com componentes externos, ficando expostos a ameaças como prompt injection e acessos não autorizados.

Para Diogo Moreira, este cenário exige uma evolução do modelo Zero Trust, tradicionalmente centrado na verificação da identidade e no controlo de acessos. “Não só temos de saber a identidade de cada agente, mas temos de controlar cada autorização, cada acesso e cada ação que ele faz”, explicou.

A abordagem da Cisco assenta na identificação dos agentes, na autorização das suas ações e na proteção das interações externas. O responsável destacou a importância de criar um diretório de identidades, identificar dependências e atribuir responsabilidade humana pela atividade de cada agente.

As permissões devem seguir o princípio do menor privilégio, sendo concedidas apenas quando necessárias e durante o tempo indispensável à execução das tarefas. Aqui, o Cisco AI Defense permite analisar riscos dos componentes utilizados, testar vulnerabilidades antes da entrada em produção e aplicar mecanismos de proteção durante a execução.

Um SOC capaz de responder à velocidade dos ataques

A última parte da apresentação centrou-se na evolução dos SOC, através da utilização de agentes de IA na deteção, investigação e resposta a incidentes. “Um Agentic SOC não é um analista com um chatbot à frente, a fazer perguntas e à espera da resposta. É uma resposta coordenada e automatizada utilizando ferramentas de IA”, explicou.

Diogo Moreira apresentou a abordagem da Splunk, adquirida pela Cisco, que integra informação de diferentes fontes, incluindo rede, identidade, infraestrutura e segurança.

Através do Cisco Data Fabric, os dados são agregados para fornecer contexto aos analistas e agentes, permitindo coordenar processos de deteção, investigação e resposta.

O responsável sublinhou que a automatização exige governação e observabilidade para acompanhar o comportamento dos agentes e identificar desvios antes de afetarem o negócio.

O objetivo passa por libertar os analistas de tarefas repetitivas, mantendo a supervisão humana sobre as decisões críticas e permitindo uma resposta mais rápida às ameaças.

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