2026-10-29
Durante a IT Security Conference 2026, Tiago Figueiredo, da Kaspersky, abordou o impacto da IA na evolução das ciberameaças e a importância da inteligência de ameaças na antecipação de ataques
Tiago Figueiredo, da Kaspersky, abordou o tema da inteligência artificial na cibersegurança durante a IT Security Conference 2026
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Sob o mote “A inteligência artificial acelera. A inteligência de ameaças decide. Transformar dados em decisões de confiança”, Tiago Figueiredo, Territory Channel Manager da Kaspersky, destacou, na IT Security Conference, os desafios da utilização da IA e a necessidade de transformar informação em decisões de segurança. O responsável começou por destacar a iniciativa de transparência global da Kaspersky, lançada em 2017, que permite a clientes e entidades governamentais consultar o código-fonte dos seus produtos. Tiago Figueiredo considera que esta iniciativa é importante para “desmistificar algumas questões que possa haver relacionadas com o tipo de código e onde é que é processado”. Inteligência artificial aumenta os riscos de segurançaEm relação à evolução das ciberameaças, Tiago Figueiredo revelou que 97% das organizações que sofreram incidentes relacionados com IA não tinham os controlos de acesso adequados. O responsável alertou para um aumento de 56,4% nos incidentes relacionados com violações de privacidade, destacando os riscos associados à utilização de modelos de linguagem e à divulgação de informação sensível. O Territory Channel Manager alertou ainda para os riscos associados à manipulação de modelos de IA, que podem permitir a divulgação de informação privada. Segundo os dados apresentados, a alteração de apenas 0,1% dos dados de treino pode comprometer um modelo em três de cada quatro ataques. “O panorama das ameaças complicou-se com a proliferação da IA”, alertou Tiago Figueiredo, destacando que a evolução desta tecnologia trouxe novos desafios para a cibersegurança. Neste contexto, o responsável considera necessário distinguir “aquilo que é a utilização da IA no mundo da cibersegurança” da segurança dos próprios sistemas de IA. Tiago Figueiredo destacou ainda o crescimento de técnicas como deepfakes, phishing gerado por IA e criação de malware, utilizadas pelos cibercriminosos para desenvolver ataques cada vez mais sofisticados. O responsável acrescentou que o aumento da complexidade dos ataques e a evolução das técnicas de evasão colocam uma maior pressão sobre os analistas de SOC. Neste contexto, o Territory Channel Manager considera que a inteligência de ameaças assume um papel fundamental na antecipação de incidentes. “Aquilo que nós acreditamos é que as nossas ferramentas de threat intelligence são a forma de antecipar ao máximo aquilo que podem ter ao nível de um ataque de IA”, explicou. Da informação à antecipação de ameaçasO responsável da Kaspersky destacou que a empresa dispõe de uma infraestrutura com mais de cem milhões de sensores distribuídos por cerca de 200 países, permitindo recolher informação sobre diferentes ameaças. Estes dados são analisados com recurso a IA, machine learning e especialistas internos, abrangendo ambientes de IT e OT. Tiago Figueiredo salientou que a presença internacional da Kaspersky permite recolher informação em regiões como a China, Coreia do Norte, Irão e Rússia, alimentando os mecanismos de inteligência de ameaças. “Temos acesso a um conjunto de informação que alimenta depois o nosso motor de threat intelligence”, acrescentou. A informação recolhida é disponibilizada através da plataforma de inteligência de ameaças da Kaspersky, podendo ser integrada automaticamente em ferramentas de segurança ou consultada por analistas de SOC. Segundo Tiago Figueiredo, as organizações também podem recorrer ao apoio de especialistas para aprofundar investigações e solicitar serviços de remoção de domínios maliciosos. Para terminar, Tiago Figueiredo considera que a combinação entre tecnologia, conhecimento especializado e informação recolhida globalmente permite às organizações antecipar ameaças e tomar decisões de segurança mais informadas. |