2025-8-07

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Wearable evolui e prepara-se para mercado de 500 mil milhões de dólares até 2036

O mais recente relatório da ResearchAndMarkets projeta um crescimento acentuado do mercado global de tecnologia wearable, com novas formas de dispositivos e integração com inteligência artificial a transformarem este setor

Wearable evolui e prepara-se para mercado de 500 mil milhões de dólares até 2036

A tecnologia wearable está a passar por uma reconfiguração e consolida-se agora como um vetor de inovação transversal na ligação entre pessoas, dados e dispositivos. De acordo com o relatório "The Global Wearable Technology Market 2026–2036", recentemente disponibilizado pela ResearchAndMarkets, o setor poderá atingir os 500 mil milhões de dólares na próxima década, apoiado por avanços tecnológicos, mudanças de comportamento e novas aplicações em diferentes áreas.

Ao integrar de forma fluida tecnologia, dados e mobilidade, a tecnologia wearable já ultrapassou os tradicionais rastreadores de fitness e smartwatches. Formatos como anéis inteligentes, óculos de realidade aumentada, sensores flexíveis e têxteis eletrónicos assumem agora um papel central num ecossistema que procura soluções cada vez mais integradas, funcionais e discretas.

Novos materiais, novos dispositivos

O relatório, que traça o mapa competitivo do setor e fornece projeções de mercado e roteiros tecnológicos, apresenta uma análise detalhada sobre eletrónica flexível e elástica e destaca a utilização de materiais como grafeno e MXenos, além de técnicas de fabrico inovadoras, como a impressão 3D e o processamento rolo a rolo. Estes elementos permitem desenvolver dispositivos mais leves, eficientes e adaptáveis, prontos para responder às exigências dos consumidores e das organizações.

Uma das áreas com maior impacto é a da saúde. Pode verificar-se que os wearables deixaram de se limitar à contagem de passos e passaram a recolher dados relacionados com o ritmo cardíaco, a qualidade de sono, a pressão arterial, os níveis de colesterol, oxigénio e calorias queimadas. Este acompanhamento contínuo aproxima o utilizador de práticas de prevenção, com alertas antes da manifestação de sintomas críticos.

Com o avanço da miniaturização e da estética, os anéis inteligentes começam a afirmar-se como uma alternativa aos relógios inteligentes. Estes dispositivos, além de discretos, recolhem dados de saúde, notificam o utilizador e permitem pagamentos sem contacto, com a vantagem de se apresentarem como acessórios comuns. Marcas como Oura, Samsung e Ultrahuman lideram esta tendência.

Inteligência artificial redefine funcionalidades

A introdução de Inteligência Artificial (IA) nos wearables contribui para uma utilização mais personalizada, já que, em vez de apenas recolherem dados, os dispositivos conseguem adaptar-se às rotinas e preferências dos utilizadores. Isto é, através da IA, os wearables deixam de apresentar informação bruta e começam a sugerir ações, hábitos ou ajustes com base em padrões individuais. Esta capacidade transforma-os em assistentes de saúde e bem-estar cada vez mais autónomos. Por exemplo, o Realme Watch S2, lançado em 2024, inclui um assistente baseado em ChatGPT, capaz de fornecer respostas e sugestões diretamente no pulso.

É neste contexto que os óculos de realidade aumentada, que durante anos enfrentaram entraves como custo elevado, falta de conforto ou limitações técnicas, voltam a ganhar destaque, com o relatório a identificar 2025 como um ponto de viragem: modelos mais práticos, leves e adaptados ao dia-a-dia começam a chegar ao mercado. A colaboração entre a Meta e a Ray-Ban é um dos exemplos, através da criação um modelo que combina funcionalidade com design apelativo.

Desafios no mercado

O mercado enfrenta, no entanto, desafios relevantes, como a recolha contínua de dados biométricos que levanta preocupações sobre privacidade e segurança; a autonomia da bateria continua a ser um limite ao desempenho de dispositivos mais exigentes, como os óculos AR; e a sustentabilidade que se tornou numa questão central, perante o aumento exponencial de dispositivos conectados.

Ao olhar para o futuro, o relatório aponta também para os desenvolvimentos em biometria avançada, como os dispositivos capazes de detetar precocemente doenças ou infeções que podem vir a transformar os cuidados de saúde preventivos. Ao mesmo tempo, surgem propostas de wearables implantáveis, que funcionam sem a necessidade de hardware externo visível, mas que levantam novas questões éticas e legais.

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