2025-9-01
Segundo dados da Canalys, a Europa foi a região com o pior desempenho a nível mundial, penalizada por uma procura fraca e por um contexto económico adverso
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O mercado europeu de smartphones registou uma queda de 9% no segundo trimestre de 2025, com um total de 28,7 milhões de unidades vendidas, segundo dados da Canalys. A região foi a que apresentou o pior desempenho mundial neste período, penalizada por uma procura ainda limitada e por um contexto económico restrito. No ranking dos fornecedores, a Samsung manteve a liderança, apesar de uma quebra de 10%, para 10,3 milhões de unidades. O resultado foi afetado pela ausência do Galaxy A06 nos mercados da União Europeia, devido às novas regras de design ecológico. A Apple ocupou a segunda posição, com uma descida de 4%, para 6,9 milhões de unidades. O desempenho da série iPhone 16 ajudou a compensar um portfólio mais reduzido face ao ano anterior. A Xiaomi ficou em terceiro lugar, também com uma queda de 4%, para 5,4 milhões de unidades. O crescimento de mais de 50% em Itália atenuou o impacto de uma procura enfraquecida na maioria dos mercados europeus. A Motorola e a HONOR completaram o top cinco. A primeira registou uma descida de 18%, para 1,5 milhões de unidades, enquanto a segunda cresceu 11%, atingindo 0,9 milhões de equipamentos. De acordo com Aaron West, analista sénior da Omdia, os fabricantes enfrentaram um semestre difícil, marcado por fraca procura e estratégias conservadoras de stock. A entrada em vigor, no final de junho, das regulamentações de ecodesign e eficiência energética da UE também trouxe novos desafios, exigindo conformidade antecipada por parte dos fabricantes. Ainda assim, os analistas acreditam que a dinâmica saudável do Canal pode abrir caminho a uma recuperação no segundo semestre, apoiada em lançamentos estratégicos. A concentração de mercado é outro dado em destaque: os cinco maiores fabricantes alcançaram uma quota recorde de 87%. Segundo Runar Bjørhovde, analista sénior da Canalys, esta tendência reforça a importância de marcas fortes e diferenciadas, embora a competição dentro dos canais de venda continue intensa, sobretudo entre operadores, retalhistas, plataformas de e-commerce e vendas diretas. O estudo da Canalys indica ainda que os consumidores europeus optam por canais diretos quando procuram maior interação com a marca e melhor experiência de serviço, enquanto os canais abertos continuam a atrair pelo fator preço. As operadoras mantêm-se como um pilar essencial, tendo desempenhado um papel decisivo na disseminação de tecnologias como o 5G e o eSIM. Apesar da atual retração, as previsões apontam para um regresso ao crescimento até 2026, impulsionado pela substituição de modelos de baixo custo e pela maturidade das propostas de inteligência artificial nos dispositivos. A médio prazo, contudo, o crescimento será modesto: a Canalys estima um CAGR de apenas 1,7% até 2029. “Compreender como e porquê os consumidores compram será essencial”, sublinha Bjørhovde. “Num mercado altamente competitivo e com um potencial limitado, a forma como os fabricantes manobram pode determinar quem conquista quota de mercado e quem abandona o setor”. |