2026-2-06
Uma análise da Context aponta para constrangimentos no fornecimento de memória e armazenamento, com aumentos de preços a intensificarem-se a partir de meados de 2026
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A reorientação estrutural da indústria tecnológica para suportar workloads de Inteligência Artificial (IA) está a provocar constrangimentos crescentes no fornecimento de componentes críticos para PC de consumo na Europa. A conclusão é da Context que alerta para um aumento progressivo dos custos ao longo da cadeia de distribuição, com impacto direto nos preços finais a partir de meados de 2026. De acordo com a análise, os fabricantes estão a redirecionar capacidade produtiva para responder à procura de infraestruturas de data centers orientados para IA, privilegiando memória de alta largura de banda e soluções avançadas de armazenamento em detrimento de componentes destinados ao mercado de consumo. “Os fabricantes estão a priorizar a produção para infraestruturas de data centers de IA, desviando capacidade da memória e do armazenamento de gama de consumo para componentes de alto desempenho exigidos por workloads de IA em larga escala”, explica James Bates, senior retail analyst da Context. Este reposicionamento está a criar um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura. Segundo Bates, o problema é agravado pelos prazos de expansão da capacidade industrial. “Novas fábricas de semicondutores demoram, em regra, mais de dois anos a entrar em operação, o que faz com que a oferta tenha dificuldade em acompanhar a procura”, afirma. Resultados financeiros recentes dos principais fabricantes de armazenamento reforçam esta tendência, com receitas impulsionadas pela IA a crescer de forma acentuada e níveis de inventário a permanecerem limitados, pelo menos, até ao final de 2026. Os dados de preços recolhidos pela Context mostram a rapidez com que esta pressão se materializou nos mercados europeus. Tomando como base um índice de 100 correspondente aos preços médios entre julho e setembro de 2025, os custos registados em dezembro já apresentavam aumentos significativos. Os preços da memória RAM atingiram índices entre 155 e 220, o que significa que, em alguns países, os custos mais do que duplicaram num único trimestre. No caso dos SSD de consumo, os preços subiram para níveis entre 125 e 135, refletindo aumentos de 25% a 35% face ao verão de 2025. O impacto nos preços dos PC já é visível, embora de forma desigual. No segmento dos desktops, o efeito fez-se sentir mais cedo, com o preço médio de venda ao distribuidor na Europa a subir de 560 euros no início de 2025 para 609 euros nas primeiras semanas de 2026. Já nos portáteis, verificou-se uma descida temporária, de 768 para 728 euros, explicada pela continuação da venda de stock adquirido antes da escalada dos preços dos componentes. Esse efeito amortecedor deverá, no entanto, ser de curta duração. À medida que o inventário mais antigo for escoado e os fabricantes passarem a refletir os novos custos nos modelos recém-produzidos, a Context antecipa uma inversão da tendência também nos portáteis. A isto juntam-se constrangimentos adicionais na disponibilidade de determinadas configurações e sinais de pressão emergente no fornecimento de CPU, fatores que deverão aumentar a volatilidade de preços e reduzir a oferta a partir do segundo trimestre. “O primeiro trimestre de 2026 representa uma breve fase de relativa estabilidade antes de a pressão se intensificar”, conclui James Bates. “Quando o stock legacy esgotar, o impacto dos custos mais elevados será inevitável. Os retalhistas que consigam assegurar inventário com antecedência e comunicar de forma clara o valor de uma atualização atempada estarão melhor posicionados num contexto de reajuste generalizado de preços.” |