2026-1-25
As operadoras de telecomunicações estão a aumentar o investimento em infraestruturas de IA. A soberania digital e a procura por capacidade de computação impulsionam a estratégia, segundo a Omdia
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As operadoras de telecomunicações a nível global estão a escalar o investimento em infraestruturas de Inteligência Artificial (IA), num contexto de aumento da procura por capacidade de computação e de requisitos de soberania digital que favorecem fornecedores locais. A conclusão é do relatório “Telcos’ Strategic Investments in AI Infrastructure”, publicado pela Omdia. De acordo com a análise, iniciativas nacionais e regionais, como o programa europeu de Gigafactories, estão a criar oportunidades para que as telcos assumam um papel central em projetos de grande escala, em vez de cederem esse espaço aos hyperscalers. Esta dinâmica está a abrir novas vias de crescimento para o setor. A monetização das infraestruturas de IA começa já a refletir-se nos resultados financeiros de algumas operadoras. A SK Telecom indica que as receitas de data centers representaram quatro por cento do total no terceiro trimestre de 2025. A Ooredoo prevê que a infraestrutura digital contribua com 12% das receitas do grupo em 2030, face a 3% em 2025. A Omdia identifica que as operadoras estão a reforçar estas apostas através de compromissos de CapEx plurianuais. Operadores na Ásia, Europa, Canadá e Médio Oriente estão a investir de forma significativa em cloud, data centers, GPU-as-a-Service e AI RAN, numa estratégia de diversificação para além da conectividade tradicional. O relatório sublinha que não existe um modelo único de investimento em infraestruturas de IA no setor. Algumas operadoras criaram subsidiárias dedicadas, como a Center3 da STC ou a Scaleway do grupo Iliad, enquanto outras optam por joint ventures, como a SingTel. Em grupos como a SK Telecom, SoftBank e Ooredoo, estes investimentos fazem parte de uma reorientação estratégica mais ampla. Em alguns casos, a aposta em IA traduz-se também numa redistribuição estrutural do capital, com menor peso do investimento em infraestruturas de conectividade legadas. Segundo a Omdia, esta mudança reflete a necessidade de responder ao crescimento acelerado do tráfego associado a aplicações de IA e às exigências regulatórias de soberania tecnológica. Para Julia Schindler, principal analyst de Strategy da Omdia, a infraestrutura de IA tornou-se uma aposta estratégica para as operadoras de telecomunicações. A analista destaca que a combinação entre crescimento do tráfego de IA e iniciativas nacionais de soberania cria uma oportunidade que deverá atrair um número crescente de operadores nos próximos anos. |