2026-4-16
Mercado global recua 4,1% no início de 2026. A IDC prevê que as pressões no mercado deverão manter-se, podendo existir um impacto mais significativo do que aquele observado durante a pandemia
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O mercado global de smartphones registou uma queda de 4,1% no primeiro trimestre de 2026, totalizando 289,7 milhões de unidades enviadas, segundo dados da IDC. A quebra interrompe uma sequência de dez trimestres consecutivos de crescimento iniciada em 2023. A principal razão para este recuo está na escassez de memória, que tem impactado diretamente a produção e aumentado os custos dos dispositivos. A subida dos preços dos componentes está a obrigar os fabricantes a ajustarem preços, com aumentos que, em alguns mercados emergentes, chegam aos 40% ou 50%. Apesar do cenário adverso, Samsung e Apple foram as únicas empresas do top cinco a registar crescimento homólogo. A Samsung recuperou a liderança do mercado, impulsionada pela procura do Galaxy S26 Ultra e pelo desempenho da gama média A-Series, registando um crescimento de 3,6%. A Apple manteve a segunda posição, com um aumento de 3,3% nas vendas, suportado pelo desempenho da linha iPhone 17, com destaque para o crescimento superior a 30% na China. Já os fabricantes chineses apresentaram desempenhos mistos. A Xiaomi manteve o terceiro lugar, apesar de uma redução nas remessas, enquanto a OPPO e a vivo ocuparam a quarta e quinta posições, respetivamente, com desempenhos influenciados sobretudo pelos mercados domésticos. Fora do top cico, marcas como Honor, Lenovo (Motorola) e Huawei registaram crescimento, com a Honor a destacar-se com uma subida de 24%, impulsionada pela expansão internacional. O setor enfrenta agora um ponto de inflexão, com os fabricantes a equilibrarem crescimento e rentabilidade num contexto de aumento de custos de componentes, energia e logística, agravado por tensões geopolíticas. A tendência de “premiumização” do mercado deverá manter-se, com as marcas a apostarem em dispositivos de maior valor para compensar a subida dos custos. No entanto, esta estratégia poderá limitar o acesso a equipamentos de entrada, sobretudo em mercados emergentes. A IDC antecipa que a pressão sobre o mercado se mantenha ao longo de 2026, especialmente enquanto persistirem as limitações na oferta de memória, podendo o impacto ser mais significativo do que o observado durante a pandemia. |