2026-3-10

BIZ

IA acelera procura por memória e pressiona cadeia de fornecimento em 2026

A procura por memória para cargas de trabalho de IA está a alterar o equilíbrio entre oferta e procura no setor, criando oportunidades de inovação, mas também pressão sobre cadeias de fornecimento e custos de componentes

IA acelera procura por memória e pressiona cadeia de fornecimento em 2026

O crescimento acelerado da Inteligência Artificial (IA) está a transformar profundamente o mercado global de memória, criando uma procura sem precedentes por tecnologias como DRAM e High Bandwidth Memory (HBM). Depois de um ano marcado por mudanças estruturais na indústria, as empresas enfrentam agora o desafio de equilibrar riscos de oferta com novas oportunidades de crescimento.

No seu blog, a Omdia alerta que a rápida expansão das aplicações de IA, especialmente a transição de modelos focados em treino para modelos de inferência, está a exigir volumes muito maiores de memória para processamento de dados em tempo real. Este fenómeno aumentou a pressão sobre os fabricantes de semicondutores, que passaram a priorizar a produção de HBM, provocando escassez em outros tipos de memória e contribuindo para aumentos significativos de preços.

O impacto já se faz sentir em diversos setores tecnológicos. Empresas de cloud e plataformas digitais, como os grandes fornecedores de infraestrutura de dados, reforçaram investimentos em data centers e servidores preparados para cargas de trabalho de IA, elevando o consumo global de memória e alterando os padrões tradicionais de procura por DRAM e NAND.

Ao mesmo tempo, a cadeia de fornecimento enfrenta desafios estruturais. O mercado passou rapidamente de um cenário de excesso de oferta no início de 2025 para escassez significativa a partir do terceiro trimestre do ano, agravada pelo abandono de processos de fabrico mais antigos utilizados em memórias de menor capacidade. Essa mudança afetou particularmente produtos eletrónicos de consumo, como televisores e dispositivos de baixo custo.

O aumento dos custos de componentes tem pressionado os fabricantes de equipamentos eletrónicos, levando muitas empresas a reorientar estratégias para produtos premium e de maior margem, de forma a compensar a subida dos custos de DRAM e NAND.

No mercado de consumo, a pressão inflacionária também alterou o comportamento dos utilizadores. Muitos consumidores estão a prolongar o ciclo de vida dos dispositivos, apoiados por programas de atualização de software e segurança mais prolongados. Este fenómeno tem impulsionado o crescimento do mercado de dispositivos recondicionados e de segunda mão, sobretudo em economias emergentes onde o fator preço continua a ser decisivo.

Apesar das dificuldades, o setor identifica várias oportunidades para os próximos anos. A expansão da IA deverá continuar a aumentar a necessidade de memória de alta capacidade, criando espaço para inovação em arquiteturas de armazenamento e novas gerações de chips.

Outra tendência é o reforço da aposta em segmentos premium, onde fabricantes de PC, smartphones e outros dispositivos conseguem preservar margens através de produtos mais avançados e diferenciados.

Paralelamente, o crescimento dos mercados de dispositivos recondicionados e da economia circular abre novas possibilidades de negócio para empresas capazes de oferecer equipamentos certificados com garantia e suporte.

Ainda assim, o setor terá de lidar com desafios relevantes ao longo de 2026. A procura por memória deverá continuar a superar a capacidade de produção até pelo menos a segunda metade do ano, o que poderá manter a volatilidade de preços. Em paralelo, a subida dos custos de componentes pode pressionar fabricantes de menor dimensão e acelerar a consolidação do mercado tecnológico.

Outro obstáculo é de natureza técnica. O chamado “memory wall” — a limitação da velocidade de acesso à memória em relação à capacidade de processamento — continua a ser um dos principais entraves ao desempenho de sistemas de IA. Resolver este desafio exigirá novas arquiteturas de armazenamento e maior colaboração entre fabricantes de memória e empresas tecnológicas.

Perante este cenário, especialistas apontam para a necessidade de reforçar estratégias de resiliência. Entre as prioridades estão investimento em inovação, diversificação das cadeias de fornecimento, adoção de modelos de economia circular e foco em produtos de maior valor acrescentado, fatores considerados essenciais para competir num mercado cada vez mais influenciado pela IA.

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