2026-8-06
Mais de 80% dos gestores esperam aumentar os orçamentos em 2027, mas a Forrester alerta que o sucesso da IA dependerá da qualidade dos dados, da governação e da preparação das organizações
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Os responsáveis pelas áreas de negócio e tecnologia encaram 2027 com maior confiança, prevendo reforçar os investimentos após um período marcado pela contenção orçamental. A conclusão é da edição de 2027 dos “Budget Planning Guides”, da Forrester, que defende, no entanto, que o aumento da despesa, por si só, não será suficiente para tirar partido da Inteligência Artificial (IA). Segundo a consultora, mais de 80% dos decisores esperam ver os respetivos orçamentos crescer nos próximos 12 meses, sendo que cerca de um quarto antecipa aumentos iguais ou superiores a 10%. Ainda assim, a Forrester considera que as organizações devem concentrar-se na modernização dos modelos operacionais, na melhoria da qualidade dos dados e no reforço da preparação para a IA, sob pena de agravarem problemas como dívida técnica, duplicação de processos e fragmentação da informação. O estudo revela um sentimento positivo transversal às várias áreas de atividade. Entre os responsáveis de tecnologia, 82% esperam aumentos orçamentais, enquanto essa percentagem sobe para 91% entre os profissionais de marketing. Na área de Customer Experience (CX), 55% dos líderes preveem um crescimento das verbas de pelo menos 5%, face aos 39% registados no ano anterior. Com base num inquérito realizado a mais de 2.600 decisores de diferentes setores e funções, a Forrester identifica as principais áreas onde as organizações deverão reforçar ou reduzir o investimento. Entre as prioridades para 2027, a consultora destaca a criação de contexto empresarial estruturado para suportar agentes de IA, através de informação legível por máquina, dados fiáveis e conhecimento empresarial sujeito a mecanismos de governação. O objetivo passa por permitir que estes agentes compreendam processos, políticas e sistemas internos de forma mais eficaz. Na área de marketing, a Forrester recomenda também um maior investimento em Answer Engine Optimization (AEO), considerando que os motores de resposta baseados em IA vão ter uma influência crescente nas decisões de compra e na visibilidade das marcas. Por outro lado, a consultora aconselha a reduzir investimentos que perpetuem dívida técnica ou iniciativas de IA sem condições para evoluir para produção. Em vez de projetos-piloto sem objetivos claros, governação ou responsáveis definidos, as organizações devem privilegiar iniciativas com potencial de escalabilidade e impacto mensurável. A experimentação vai continuar igualmente a desempenhar um papel importante. A Forrester recomenda testar a utilização de dados sintéticos para acelerar processos de investigação e validação de conceitos, bem como explorar agentes de IA capazes de apoiar operações de marketing, produção de conteúdos, gestão de marca, segmentação de audiências e interação com clientes. Para Sharyn Leaver, Chief Research Officer da Forrester, as organizações deixaram de planear um regresso à estabilidade e assumem que a volatilidade será uma característica permanente do mercado. Na sua perspetiva, as empresas que vão obter melhores resultados não vão ser necessariamente as que mais investirem em IA, mas sim aquelas que reforçarem os alicerces necessários para a utilizar de forma eficaz, incluindo dados fiáveis, governação robusta, preparação organizacional e capacidade de adaptação contínua. |