2026-3-12
O CEO da HPE, Antonio Neri, alertou que a atual crise global de memória, impulsionada pela explosão da IA, está a provocar aumentos de preços e problemas de oferta mais graves do que os registados durante a pandemia de COVID-19
|
A atual escassez global de memória está a gerar fortes pressões no mercado de hardware e poderá ter um impacto mais severo do que os constrangimentos na cadeia de abastecimento registados durante a pandemia. O alerta foi feito por Antonio Neri, CEO da HPE, numa entrevista ao CRN. Segundo o responsável, a diferença fundamental está no facto de a atual crise ser impulsionada por uma mudança estrutural na indústria tecnológica: “Caracterizo esta situação como pior do que a pandemia, porque nessa altura tratava-se de garantir os produtos certos para clientes de missão crítica, como hospitais. Agora trata-se de responder a uma enorme inflexão provocada pela Inteligência Artificial (IA), que está a criar um desequilíbrio entre oferta e procura e um aumento muito acentuado dos custos”, afirmou. Durante a pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2023, a procura por equipamentos tecnológicos disparou, levando a atrasos na produção e aumento dos preços. No entanto, o CEO da HPE considera que o atual cenário é ainda mais complexo devido à rápida expansão da infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA. Esse aumento da procura está a pressionar fortemente o fornecimento de componentes essenciais, como memória DRAM e High Bandwidth Memory (HBM), utilizada em sistemas de computação de alto desempenho e servidores para IA. De acordo com o CEO da HPE, a crise é agravada por uma transição tecnológica em curso para a nova geração de memória HBM4, substituindo a HBM3. “É por isso que esta é uma situação multifacetada e complexa”, explica Neri. O responsável destacou também que as raízes da atual escassez remontam aos anos imediatamente após a pandemia. “É preciso recuar a 2022 e 2023 para perceber como chegámos aqui. Muitos fornecedores investiram fortemente durante a pandemia e acabaram por perder dinheiro quando a procura caiu. Agora precisam de voltar a investir massivamente para responder à nova procura”, salienta o responsável. Esses novos investimentos só deverão gerar retorno no final da década, entre 2028 e 2030, o que contribui para a pressão atual no mercado. A escassez já está a ter impacto direto na indústria tecnológica. A HPE e outros fabricantes começaram a aumentar os preços de servidores e sistemas de armazenamento, além de introduzir novas políticas comerciais. Uma das medidas adotadas pela empresa é a possibilidade de reajustar o preço de encomendas de servidores até ao momento do envio, refletindo a volatilidade no custo da memória. “Precisamos de ter a capacidade de ajustar ou até cancelar uma encomenda. Trabalhamos com Parceiros e clientes para perceber como satisfazer a procura da forma mais eficiente possível, tendo em conta o aumento dos custos”, alerta Antonio Neri. Apesar do cenário desafiante, o CEO sublinhou que a prioridade da HPE é manter os Parceiros informados sobre a disponibilidade de componentes e configurações de sistemas. “O mais importante é dar aos Parceiros visibilidade sobre o que está disponível e quais as configurações possíveis para responder à procura”. As declarações surgem depois de a HPE apresentar resultados acima das expectativas no primeiro trimestre fiscal, com lucros ajustados de 65 cêntimos por ação, superando as previsões dos analistas, e receitas de 9,3 mil milhões de dólares. Ainda assim, a empresa prevê que a pressão nos preços da memória se mantenha pelo menos até 2027, à medida que a expansão da IA continua a acelerar a procura por infraestruturas de computação de alto desempenho. |