2025-11-27
Um novo estudo da IDC mostra que o AIoT já está disseminado na indústria e energia, mas a falta de competências e os custos continuam a travar o avanço. As organizações que usam a tecnologia de forma intensiva são as que mais beneficiam
|
A convergência AIoT entre Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) está a alterar processos industriais e energéticos, mas a adoção continua desigual. O IDC InfoBrief, patrocinado pela SAS, revela que 62% das organizações já utilizam AIoT e que a manutenção preditiva domina os investimentos, num cenário onde o maior obstáculo identificado é o défice de competências. Quase três quartos das organizações inquiridas recorrem ao AIoT para manutenção preditiva, o que torna este o caso de uso mais comum entre as empresas industriais, de fabrico e energia. Seguem-se a automação de IT e a gestão de supply chain e logística. O estudo, baseado em respostas de mais de 300 executivos globais, indica também que a maioria antecipa ganhos concretos, com 54% a esperar “poupanças de custos significativas” e 52% a acreditar que o AIoT vai permitir “inovação mais inteligente e rápida”. Kathy Lange, Research Director da IDC, sublinha que “os utilizadores intensivos de AIoT tinham quase o dobro da probabilidade de reportar benefícios que excederam significativamente as expectativas, enquanto menos de 3% dos executivos industriais inquiridos afirmaram que o valor do AIoT não correspondeu às expectativas”. Nas suas palavras, “o AIoT está a alimentar a inovação, a simplificar operações e a impulsionar decisões mais inteligentes e rápidas”. No entanto, o estudo aponta o défice de competências como o principal entrave, ultrapassando desafios clássicos como integração de sistemas legados ou qualidade de dados. A isto somam-se custos de implementação, processos desalinhados e resistência cultural. A pesquisa mostra também a existência de diferenças geográficas, com a Ásia-Pacífico a liderar na adoção moderada, a América do Norte a acelerar no crescimento, já na região EMEA, as empresas mantêm uma perceção positiva do valor do AIoT, independentemente do grau de adoção. Jason Mann, Vice President of IoT, refere que “o AIoT evoluiu de um chavão para uma tecnologia poderosa e uma prioridade de negócio”. Segundo o responsável, tanto em fábricas como em redes elétricas, o impacto traduz-se em “grandes poupanças, melhorias de qualidade e ganhos de eficiência”. A pressão para modernizar operações cresce a olhos vistos. Entre disrupções nas cadeias de abastecimento, questões de segurança nacional e a dificuldade em atrair mão-de-obra qualificada, a automação nas fábricas tem vindo a acelerar. O AIoT não se limita a automatizar tarefas, uma vez que, ao conseguir automatizar decisões, torna-se uma ferramenta essencial para reduzir tempos de paragem e elevar a qualidade dos produtos. No ecossistema de Parceiros, a expectativa é que a adoção avance rapidamente. Dez Tsai, da TD Synnex, reforça que “quanto mais as empresas industriais utilizam AIoT, maiores são os benefícios”. O responsável acredita que as soluções ganharão tração à medida que as organizações comprovarem ganhos de produtividade e poupança. No setor energético, onde a gestão de redes depende de sensores distribuídos por infraestruturas críticas, o AIoT apresenta-se como uma ferramenta para gerir custos, antecipar picos de procura e apoiar objetivos de sustentabilidade. A capacidade de colocar dados acionáveis nas mãos de equipas com diferentes funções, do chão de fábrica à estratégia da empresa, surge como resposta direta ao défice de competências identificado. |