Rui Damião em 2019-9-30

ENTREVISTA

Tem A Palavra

“As empresas procuram localizações em Portugal e somos a porta de entrada na cloud”

A Equinix tem vindo a apostar no seu Canal em Portugal, Canal esse que tem um crescimento “bem superior” ao esperado. Carlos Paulino, Diretor-Geral da Equinix Portugal, tem a palavra este mês

Carlos Paulino, Diretor-Geral da Equinix Portugal

Como é que está a correr o ano para a Equinix Portugal?

Estamos a viver um momento de grande crescimento, de muita procura quer a nível local, regional, nacional, quer a nível global, de empresas de referência.

Estamos com planos de crescimento e de expansão bastante agressivos para dar resposta a tudo o que o mercado nos vem pedindo. Portanto, sem dúvida um ano muito positivo e muito otimista no futuro.

Recentemente, revelou que estaria para breve um grande investimento. O que pode revelar sobre este investimento?

Ainda não temos de facto o montante global da operação. Toda a capacidade que nós temos neste edifício em termos da área global ultrapassa os cinco mil metros; os nossos planos a muito curto prazo são duplicar essa capacidade. Isto revela o momento de grande crescimento futuro que estamos a prever e que estamos a viver no nosso dia-a-dia, portanto seria algo numa perspetiva de um a dois anos.

Ampliando estas instalações na periferia de Lisboa?

Ampliando estas instalações e levando-as até à sua máxima capacidade de entrega de potência e expandindo também a novas instalações. Estamos a procurar nesse sentido uma expansão que seria sensivelmente duplicar toda a capacidade.

Essas novas instalações serão nesta zona, nos arredores de Lisboa?

Sim. O nosso plano é crescer construindo um campus digital que permita redundância e que simultaneamente tenha a mesma capacidade de conectividade no local em que já estamos.

Naturalmente, é o local mais bem conectado do país e é uma posição chave para servir toda a necessidade que possam ter os nossos clientes de ligações internacionais entre Parceiros, fornecedores e clientes.

Referiu que este é o local mais bem conectado do país...

Nós, a partir desta localização, temos a capacidade de aceder a todos os cabos submarinos no Atlântico. É também a localização de todos os operados com relevância a nível internacional e todos os players do mercado das comunicações portuguesas que, quase sem exceção, estão connosco. É sem dúvida uma posição estratégica para conseguirmos servir todos os interesses, todas as necessidades e todos os desafios que nos levanta a transformação digital.

Portugal começa a ser procurado pelos grandes nomes internacionais?

Acho que estamos neste momento a viver essa vaga. Há uma grande procura dos grandes players, dos OTT, das grandes empresas globais.

Acredito que o país está a necessitar das novas capacidades que a cloud, as capacidades híbridas e todas estas novas tendências da inteligência artificial e do blockchain trazem e que nos permitem ter essa capacidade.

Simultaneamente, temos a posição estratégica de servir a Europa em dois sentidos: não só a procura interna do nosso mercado, a capacidade de a Europa ser o gateway de entrada para todo o Atlântico Sul, mas também para servir de ligação aos players dessas localizações, que estão num momento de viragem e necessitam de aceder aos grandes backbones europeus de Internet.

Quão importante é a localização do data center da Equinix?

Desde o início da nossa atividade, considero que tivemos várias vagas nas quais a estratégia que delineámos para esse período teve imenso sucesso e fez com que estejamos onde estamos hoje. Uma primeira foi constituir um espaço neutral em Portugal no qual todos se interconectassem. Acredito que 2003/2004 foi o momento em que considerámos o sucesso atingido, no qual optámos por estender a capacidade de interligação a nível global.

A segunda vaga foi trazer toda a capacidade de interconexão de fibras internacionais submarinas e terrestres para o mesmo local e automaticamente temos esse ambiente de centro da estrela das comunicações.

Acredito que somos a porta de entrada na cloud. Neste momento, as empresas procuram localizações em Portugal. Nós, tendo já esta capacidade de networking, de conseguir a capilaridade de ligação ao consumo local e aos principais destinos internacionais, tornamo-nos no local privilegiado para interconexão com clouds.

Acredito que devemos ser o local geográfico de Portugal com menor latência para praticamente todos os principais fornecedores de cloud a nível mundial e isto é um ponto de referência para conseguir servir o mercado.

A internacionalização tem a desvantagem de nos tornar ultraperiféricos; só apanhamos muitas vezes estas tecnologias que vêm do centro para a periferia, e, se somos ultraperiféricos, perdemo-nos um pouco na periferia e temos dificuldade em expandir. Acredito que podemos também aí ter este papel mais altruísta de garantir que a velocidade a que o país caminha para a transformação digital caminha com o resto do mundo.

Quais são as grandes tendências em termos de data center? Já as sentimos em Portugal?

Pela nossa vivência, acreditamos que a interconexão é o óleo que move toda a máquina. Cada vez mais os data centers posicionam-se em campus digitais com interligação entre eles. A ideia de data centers deslocados dos grandes centros de consumos está cada vez mais em desuso. É fulcral ter uma capacidade de conetividade muito elevada.

Em termos de procura de potência, há muita preocupação em ir buscar todos os potenciais ganhos de eficiência; é algo que caracteriza neste momento o mercado, não só pelas preocupações ambientais, mas também para garantir um uso eficiente da energia e dos recursos.

A nível mais europeu, continua a haver uma preponderância para o que chamamos de FLAP – Frankfurt, Londres, Amesterdão e Paris – que são os mercados chave dentro da Europa. Vemos os grandes players a instalarem-se maioritariamente nessas localizações. O que estamos a assistir é a uma expansão em que cada vez mais estamos a vê-los avançar para a periferia, seja por uma questão de proteção de dados seja de melhoria de latência, é a procura de servir com melhor capacidade os clientes finais.

A Equinix revelou recentemente o seu Programa de Parceiros para Portugal. Em que consiste este Programa?

Procuramos uma rede de Parceiros que consiga levar o valor da nossa mensagem e divulgar ao mercado toda a capacidade que temos. Nós tivemos ao longo destes 20 anos de existência em Portugal uma abordagem muito low profile. Neste momento, queremos mostrar ao mercado o que temos, o local que traz toda a mais-valia para a transformação digital. Como tal, procuramos que sejam Parceiros que consigam adicionar valor dentro da nossa oferta, com soluções globais que vão ao encontro de qualquer tipo de requisitos dentro dos nossos clientes e de algum modo que potenciem a capacidade que temos de crescimento. Esse é o nosso objetivo.

Acreditamos que temos um valor diferencial muito significativo por termos uma rede de 200 data centers em todo o mundo e um dos maiores ecossistemas a nível global e que são imediatamente atingíveis a partir de qualquer local. Estas são mensagens que o mercado procura; nós temo-las. Falta ainda esta ponte na qual os Parceiros podem desempenhar um papel chave no nosso sucesso.

O programa de Parceiros já está ativo?

Sim. Neste momento temos já alguns Parceiros registados e a trabalhar diretamente connosco. Já estamos a trabalhar em algumas oportunidades junto de Parceiros e iniciámos, sensivelmente, no início deste ano.

Quais são as vantagens para os Parceiros que aderirem ao Programa?

Acredito que completam o seu portfólio de oferta, porque a maioria dos nossos Parceiros não têm serviço de colocation, não têm a capacidade de interconexão que nós temos. Acredito que entregam um valor adicional ao cliente que neste momento o cliente procura.

Dentro de capacidades de elevada conetividade, resiliência, redundância, tempos mais curtos de internacionalização, investimentos menos significativos para este mesmo tipo de empresas, nós temos soluções para expansão a nível global no qual, quer seja por presenças físicas ou virtuais em outras localizações nossas, se consegue montar a sua própria rede e a sua própria infraestrutura de IT à escala global. Acreditamos que o Parceiro vai ter essa capacidade de acrescentar todo este valor ao portfólio que já possui.

Relativamente à perspetiva de crescimento deste Programa em Portugal, está em linha com o esperado?

Ficámos algo surpreendidos. Assistimos a uma procura muito grande por parte de empresas que pretendem ser nossas Parceiras. Aliás, bastante superior ao que nós tínhamos previsto. Neste momento, queremos consolidar e criar uma mensagem de valor, em conjunto, que realmente traga valores diferenciados ao mercado. Isto não quer de todo dizer que estamos a vedar portas ou a constituir algum tipo de funil, mas queremos garantir que as Parcerias que vamos criar têm valor para as três partes e que conseguem ter uma mensagem de valor conjunto diferenciada em relação ao mercado.

Diria que está a ter uma adesão superior às nossas expectativas e muitas das vezes até à nossa capacidade atual de resposta. Estamos neste momento a redimensionar quer a organização quer os recursos que temos em Portugal e a nível regional para conseguir dar resposta a este fenómeno.

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