2026-4-23
Porto acolheu, pelo segundo ano consecutivo, o The Value Summit, organizado pela V-Valley, num encontro que evidenciou que o desafio já não está na inovação, mas na sua transformação em valor real no mercado português, ainda condicionada por falta de recursos, tempo e especialização. Entre IA, dados e cibersegurança, o debate reforçou que o impacto depende cada vez mais da execução e da proximidade no ecossistema do Canal
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Na segunda edição do The Value Summit, realizado na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, Paulo Rodrigues, Sales Manager da V-Valley em Portugal, em conversa com o IT Channel, coloca o foco na dificuldade de transformar inovação em valor concreto, sublinhando que “há muita inovação tecnológica, mas o que precisamos de perceber é como é que nós, no nosso dia-a-dia e no negócio em Portugal, tiramos vantagens de toda esta inovação”, refletindo uma pressão crescente sobre fabricantes para contextualizarem a oferta no mercado nacional. Em contraciclo com a ideia de atraso, sustenta que “o mercado português e o Canal estão prontos”, mas identifica um bloqueio estrutural ao reconhecer que “falta recursos”, num contexto em que “somos empresas tipo multitask” num tecido empresarial dominado por PME, onde existe “dificuldade com tempo para se formar”, o que pode limitar a absorção de conhecimento. A pressão de novas exigências, como soberania de dados e certificação, reforça esse cenário, que volta a concentrar-se em “recursos, tempo, pessoas”. No plano mais amplo, o responsável aponta para um problema de base, já que “em Portugal, somos muito capazes”, mas condicionado pela “capacidade financeira e de investimento do país” e por ciclos de inovação cada vez mais curtos, onde “daqui a três meses há montes de novidades”, tornando a formação contínua um desafio difícil de sustentar. No evento, que reuniu alguns dos principais players do mercado, o foco esteve na forma como fabricantes e Parceiros estão a reposicionar- se num contexto de maior pressão sobre resultados e execução, num momento em que a inovação tecnológica deixa de ser diferenciador por si só e passa a exigir aplicação concreta no negócio. Ao longo da manhã, o debate centrou-se na forma como o ecossistema pode responder a essa exigência, seja através de maior integração tecnológica, seja através de um reforço da especialização e da capacidade de entrega por parte do Canal. IA, dados, segurança e produtividade como eixo Na sessão dedicada à Inteligência Artificial (IA), dados e infraestruturas destacou-se uma visão convergente sobre o papel destas tecnologias na continuidade de negócio, com Nassri Abokhalaf, Senior Solution Architect da Red Hat, Javier Eduardo Jaimes, Sales Representative da Object First, Henrique Amaro, Business Lead Manager da Alcatel Lucent e Ricardo Oliveira, Territory Manager – West Iberia da Veeam, ficou claro que a IA surge enquadrada como uma ferramenta de suporte e não como solução imediata ou substituta, enquanto o foco estratégico se desloca para a integração, simplificação e, sobretudo, para a resiliência dos dados como questão central de continuidade de negócio. Já na segunda mesa-redonda, dedicada aos desafios da NIS2, gestão e segurança de redes, que contou com Tiago Teixeira, Business Developer da Microsoft, Javier Flores, Key Account Manager da HPE Juniper, Gonzalo Echeverría, Country Manager Spain and Portugal da Zyxel e Luis Gonzalez, Diretor da Allied Telesis para a Ibéria, ficou evidente que o mercado se encontra a duas velocidades, entre organizações que já avançaram na adoção da diretiva e outras ainda numa fase inicial, num desfasamento que, mais do que um bloqueio, foi apontado como uma oportunidade para acelerar a maturidade e a transformação. Santiago Ruiz Aguire, Adobe Business Developer, Miguel Cruz, Account Manager da Foxit, Rui Leitão, Mitel Channel Sales Manager, e André Feijóo, Account Executive Portugal na Cohesity, subiram ao palco na última sessão, dedicada à produtividade digital e oportunidades de negócio em Portugal, num painel que fecha este encontro com foco na aplicação prática das tecnologias no contexto empresarial, nomeadamente na forma como ferramentas de colaboração, automação e gestão documental podem traduzir-se em ganhos concretos de eficiência e competitividade para as organizações. Canal sob pressão entre proximidade e papel consultivo Num contexto marcado pelo desfasamento entre inovação e execução, as entrevistas aos patrocinadores convergem nos desafios concretos do Canal, com a proximidade a assumir- se não apenas como valor relacional, mas como condição para responder a um contexto mais exigente. Em conversa com o IT Channel, Nassri Abokhalaf aponta para um mercado “muito reativo” e “adverso ao risco”, onde é necessário “transformar muitas vezes oportunidade em algo tangível”, enquanto Henrique Amaro, defende uma mudança clara na abordagem, em que o Parceiro deve “conhecer o cliente, ver o estado do cliente, os pain points” e “passar a ser um consultor e não só um boxmover de soluções isoladas”. Rui Leitão admite que “falta fazer muita coisa” e que ainda são escassos os projetos que comprovem o impacto real das novas tecnologias. Também André Feijóo identifica “uma falsa sensação de segurança” nas organizações, sobretudo na forma como encaram a resiliência, e Javier Flores sublinha um contexto pressionado por “desafios globais” e por “muita concorrência”, num mercado com dimensão limitada. Proximidade como fator crítico no ecossistema do Canal A proximidade entre fabricantes, distribuidores e Parceiros foi, aliás, um dos eixos mais evidentes ao longo da manhã, com os próprios patrocinadores a reforçarem a importância destes momentos para estreitar relações e criar oportunidades concretas de negócio. Nassri Abokhalaf enquadra essa lógica num modelo indireto em que “é muitíssimo importante nutrir este ecossistema” e garantir que o valor chega ao cliente através dos Parceiros. Na mesma linha, Henrique Amaro destaca o papel destes encontros para “conhecer as caras de quem faz o quê” e criar ligações que viabilizam futuras Parcerias. A mesma ideia é reforçada por Javier Flores, ao apontar estes eventos como a forma mais direta de “criar uma confiança com os Parceiros”, e, por Rui Leitão, que sublinha serem “fundamentais para nós podermos contactar diretamente com os Parceiros” e gerar novas ligações no mercado. Do lado da Cohesity, André Feijóo, destaca a capacidade de “reforçar as relações que temos com Parceiros já existentes” e simultaneamente abrir espaço a novos negócios, enquanto Luis Gonzalez enquadra a presença como parte de uma estratégia de crescimento, vendo neste tipo de iniciativas uma oportunidade para “mostrar ao Parceiro que é o que podemos fazer” e afirmar posicionamento no mercado. Em comum, fica a ideia de que o valor no ecossistema do Canal não se constrói apenas na tecnologia, mas na capacidade de proximidade, confiança e colaboração contínua entre todos os intervenientes.
Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela V-Valley |
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