Marcel Timmer, Country Manager da Red Hat Holanda em 2025-7-18
A soberania digital é hoje um dos temas tecnológicos mais relevantes
Marcel Timmer, Country Manager da Red Hat Holanda
|
Diz respeito ao poder sobre os dados, mas também à autonomia de nações, organizações e indivíduos no espaço digital. Significa controlo total sobre a pegada digital, evitar dependências tecnológicas (lockin), e compreender todas as interações entre sistemas internos e externos. Em suma, trata-se de controlar e proteger os dados para garantir agilidade e resiliência. Mas por que razão isto continua a ser um desafio – e que soluções existem? A importância da soberania digital“Conhecimento é poder” aplica-se plenamente ao mundo digital. Se antes os dados eram armazenados em papel, hoje circulam na nuvem, muitas vezes invisíveis. Na prática, os dados estão em servidores físicos, mas a sua acessibilidade global tornou-os simultaneamente mais úteis e mais vulneráveis. Essa acessibilidade traz vantagens, mas também riscos acrescidos: cibercriminosos, espionagem, manipulação de informação. Proteger dados exige soberania: sem ela, indivíduos e organizações ficam expostos a roubos de identidade, fraude financeira e outros danos graves. A soberania digital tem diferentes dimensões. Para os cidadãos, está em causa a forma como são recolhidos e utilizados os seus dados pessoais – como no caso de cookies de rastreamento ou reconhecimento facial sem consentimento. Para empresas, é vital proteger informação sensível e manter liberdade face a fornecedores. Para governos, trata-se de prevenir espionagem, ataques cibernéticos ou interferência externa na política interna. O caminho para a autodeterminação é abertoA autodeterminação depende de tecnologia aberta. O open source empresarial oferece transparência e f lexibilidade ausentes em muitos softwares comerciais. É mantido por fornecedores que asseguram qualidade, compatibilidade e segurança. Isso permite maior visibilidade das cadeias de fornecimento e resposta mais ágil a exigências legais e de mercado. A infraestrutura deve também ser flexível e aberta. Por isso, cresce a adopção de ambientes híbridos. Uma nuvem híbrida multicloud – combinando clouds públicas e privadas – reduz a dependência de um único fornecedor. Inteligência artificial soberana?A IA é um novo desafio para a soberania digital. A maioria das soluções de IA populares é desenvolvida fora da UE, treinada com dados pouco transparentes e baseadas em valores nem sempre alinhados com os de quem as utiliza. Isso levou países europeus a investir em soluções próprias. Na Holanda, por exemplo, o governo lançou o GPT-NL, com um financiamento inicial de 13,5 milhões de euros. No entanto, o desenvolvimento de IA é extremamente dispendioso. Criar e treinar um modelo generativo pode custar mil milhões de dólares, além de exigir chips especializados – controlados por poucas empresas, localizadas maioritariamente em Silicon Valley. Além disso, o conhecimento necessário é extremamente escasso. Embora algum conhecimento técnico esteja amplamente disponível, competências específicas – sobretudo as que envolvem o treino de sistemas de IA em grande escala – são dominadas por apenas alguns milhares de especialistas em todo o mundo. Talvez o futuro passe por colaborações internacionais. Uma federação de iniciativas soberanas poderia combinar recursos para treinar modelos robustos. Outra alternativa é a “Swarm AI”: modelos pequenos, especializados, mais acessíveis, transparentes, rastreáveis e com menor dependência de grandes fornecedores. Estas abordagens alinham-se com regulamentos como o GDPR e o AI Act, que reforçam a fiabilidade e a transparência. ConclusãoA soberania digital não é um luxo – é uma necessidade. Para garantir segurança, controlo e autonomia, é essencial apostar em tecnologias abertas, infraestruturas híbridas e abordagens soberanas à IA. Só assim poderemos construir um futuro digital europeu mais seguro, transparente e resiliente.
Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Red Hat |
TrendAI muda o paradigma da Cibersegurança: Vision One - uma plataforma, 11 módulos, compatível com 900+ fabricantes