Bruno Castro, Fundador & CEO da VisionWare. Especialista em Cibersegurança e Análise Forense em 2026-2-17

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O futuro é SOC, [só que] resiliente

O mercado global de serviços de Managed Detection & Response (MDR) atingiu 9,6 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer para 46,9 mil milhões até 2035, com uma taxa média anual de crescimento de 17,2%.

O futuro é SOC, [só que] resiliente

Bruno Castro, Fundador & CEO da VisionWare. Especialista em Cibersegurança e Análise Forense

Este crescimento é impulsionado quer pelo aumento das ameaças digitais, quer pela sofisticação e rapidez com que são executados, mas também pela escassez de profissionais especializados em cibersegurança que possam responder às necessidades emergentes do contexto cibernético da atualidade.

Segundo o Inquérito SANS SOC 2025, 69% dos centros de operações de segurança (SOC) ainda recorrem a processos manuais para reportar métricas e apenas 42% utilizam ferramentas inteligentes baseadas em IA com algum grau de sofisticação que permita escalar a capacidade de deteção e resposta. Esta realidade tem impacto direto na eficácia da resposta a incidentes onde cerca de 61% das organizações, com serviço de SOC ativo, admitem já ter “ignorado” alertas críticos por falta de capacidade de processamento ou assertividade, que acabaram por resultar em falhas de segurança graves.

Este tipo de situações é grave, não só porque tem sido recorrente no mercado, mas sobretudo, pela falsa sensação de segurança que se estabelece no mindset das organizações quando se adquire um serviço de SOC sem garantir que este realmente contempla a capacidade de resposta e as necessidades específicas de cada organização. Adicionalmente, e no decorrer de uma escolha acertada assente na relação custo- -benefício, atualmente, qualquer serviço de SOC terá de, no mínimo, apresentar a funcionalidade de deteção e resposta modernas, e principalmente, assentar em mecanismos de escalabilidade e inteligência. Essa terá de ser a responsabilidade de cada organização ao selecionar no mercado um serviço de SOC adequado a si própria.

No entanto, num contexto marcado por tantas falsas promessas em torno da IA, uma das áreas onde o valor é efetivamente real e mensurável, é na forma como a IA está a transformar a deteção e a resposta a incidentes. Não para substituir o “emprego” dos analistas de segurança, mas antes para simplificar processos, eliminar tarefas repetitivas e libertar tempo para decisões de maior valor, sobretudo para as equipas que trabalham com inúmeras plataformas de segurança num ambiente cada vez mais complexo, e que obriga a decisões rápidas e assertivas sem grande margem de dúvida ou latência. Assim, a grande vantagem da integração de IA em plataformas de cibersegurança é principalmente em infraestruturas de SOC, onde a IA vem acrescentar valor na capacidade de tornar estas soluções e serviços mais automatizados e orientados, ao combinar automatização avançada com supervisão humana, permitindo maior eficiência operacional e capacidade de resposta.

Em Portugal, o apagão nacional verificado em abril de 2025 funcionou como um stress test real à resiliência digital a nível nacional. Nesse contexto de desastre energético generalizado, e pelo facto de temos redundância na infraestrutura, mas também nas equipas operacionais por duas geografias distintas, permitiu que o SOC da VisionWare tenha sido, provavelmente, dos poucos a manter-se operacional a nível nacional e internacional, sem registo de qualquer quebra ou latência de serviço aos seus clientes, assegurando uma monitorização contínua e uma capacidade de resposta eficaz num momento tão crítico para o país. Obviamente que, para além de redundância de infraestrutura e equipas, também importa referir que, o SOC da VisionWare integra componentes de IA nos seus processos de deteção, análise e resposta e detém já uma plataforma desenvolvida 100% in-house que centraliza e processa de forma rápida, assertiva e inteligente toda a informação angariada dos nossos clientes, para que assim, as nossas equipas de analistas possam responder em tempo útil.

Esta situação de desastre e surpresa do apagão veio reforçar ainda mais a importância de se investir em arquiteturas resilientes, tecnologia inteligente e equipas especializadas capazes de garantir a continuidade operacional, a rapidez de decisão e a capacidade de adaptação em cenários de elevada pressão.

O verdadeiro valor estratégico da IA reside na sua capacidade de potenciar a capacidade, decisão e atenção humana, reduzir trabalho repetitivo e melhorar a consistência operacional, e não, “substituir as pessoas”; a IA deve funcionar de forma transparente e com mecanismos claros de escalabilidade, garantindo que as organizações mantêm controlo e acumulam conhecimento e eficácia operacional ao longo do tempo.

Os líderes que compreenderem esta diferenciação e alinham a adoção da IA com o grau de maturidade compatível à sua organização, análise de risco e capacidade de governação conseguem posicionar as suas operações de segurança para escalar de forma sustentável, responder com maior taxa de precisão e manter a resiliência num cenário de ameaças cada vez mais complexo e exigente.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela VisionWare

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