Francisco Nascimento, Solution Manager, Digital Power, Huawei Portugal em 2026-3-11

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Eficiência Energética 4.0: O novo paradigma para os data centers portugueses

O setor dos centros de dados em Portugal encontra-se num ponto de inflexão estrutural

Eficiência Energética 4.0: O novo paradigma para os data centers portugueses

Francisco Nascimento, Solution Manager, Digital Power, Huawei Portugal

A convergência entre a rápida adoção de cargas de trabalho intensivas em Inteligência Artificial (IA), o endurecimento do quadro regulatório europeu e as limitações físicas da rede elétrica nacional está a redefinir os fatores críticos de competitividade. Neste contexto, a eficiência energética deixa de ser apenas uma variável de controlo de custos e passa a afirmar- se como um fator direto de capacidade computacional instalada.

A maioria dos centros de dados atualmente em operação em Portugal enquadra-se na categoria brownfield, correspondendo a infraestruturas construídas há 10-15 anos. Estes ativos foram concebidos para um paradigma de computação de baixa densidade, tipicamente entre 3 a 8 kW por bastidor, com pressupostos de espaço e potência que hoje deixam de ser válidos. As cargas modernas de IA operam num regime radicalmente distinto, com densidades que começam nos 30kW por bastidor e que continuam a crescer rapidamente, expondo as limitações das infraestruturas, com especial ênfase na componente elétrica.

Grande parte destas limitações manifestam-se diretamente no OPEX decorrente das ineficiências. UPS monolíticas de gerações anteriores apresentam rendimentos que penalizam os regimes de carga parcial, comuns em arquiteturas redundantes, onde a eficiência pode cair para valores entre 88% e 92%. Estas perdas convertem-se diretamente em calor residual, aumentando o consumo dos sistemas de climatização e degradando o PUE estrutural. Paralelamente, tecnologias tradicionais de armazenamento, como baterias de VRLA, ocupam uma fração significativa da área útil, reduzindo o espaço disponível para a computação.

Neste contexto, a eficiência do sistema de energia torna-se a única alavanca imediata para o crescimento. Se uma infraestrutura conseguir reduzir as perdas de energia em apenas 2% ou 3% através da modernização tecnológica, essa potência “recuperada” pode ser imediatamente redirecionada para alimentar novos bastidores de alta densidade na mesma potência contratada.

O enquadramento regulatório europeu veio acelerar este processo. A reformulação da diretiva de Eficiência Energética e os novos requisitos de reporte tornaram obrigatória a divulgação de métricas como PUE (utilização efetiva da energia) para centros de dados com potência IT de igual ou superior a 500 kW. Em Portugal sob supervisão da DGEG, estas métricas terão impacto direto na classificação, atratividade e viabilidade comercial das instalações, sobretudo para clientes institucionais e hyperscalers com metas rigorosas de neutralidade carbónica.

Neste cenário, a modernização dos ativos existentes (retrofitting) surge como alavanca mais rápida e eficaz para desbloquear capacidade adicional. Soluções de nova geração atuam em quatro frentes principais: em primeiro lugar, ao aumentar de forma significativa a eficiência energética, reduzem perdas e libertam potência efetiva dentro da capacidade contratada.

Em segundo lugar, permitem eliminar custos operacionais ocultos associados a ineficiências, uma vez que equipamentos de nova geração atingem eficiências superiores a 99%. Esta melhoria converte o desperdício histórico num retorno rápido do investimento da modernização dos ativos existentes.

Em terceiro lugar a substituição de equipamentos volumosos e pouco flexíveis por soluções compactas e modulares reduz significativamente a pegada técnica, libertando área útil e simplifica a organização do espaço crítico, criando condições para suportar maiores densidades por bastidor dentro da infraestrutura existente. No limite, esta abordagem poderá ajudar a prolongar a vida útil dos ativos existentes e adia investimentos estruturais elevados associados à ampliação ou construção de novas instalações.

Por último, a introdução de mecanismos inteligentes de gestão dinâmica de potência, como o Peak Shaving, recorrendo a sistemas de armazenamento em baterias de iões de lítio, que permite amortecer picos de consumo, estabilizar a interação com a rede elétrica e evitar investimentos desnecessários em infraestruturas dimensionadas para cenários de pico absoluto raramente atingidos.

A eficiência energética deixa, assim, de ser um objetivo operacional isolado. Torna-se uma estratégia de capacidade e de crescimento. A modernização das infraestruturas brownfield não representa apenas conformidade regulatória ou sustentabilidade ambiental: é um investimento economicamente racional, rapidamente amortizado pela eliminação de ineficiências acumuladas, que permite aos centros de dados portugueses prolongar a vida útil dos seus ativos e competir de forma sustentável na era da Inteligência Artificial.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela Huawei

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