Jorge Bento em 2026-11-06
Estive recentemente na apresentação do livro “Se Darwin fosse CEO”, de Rui Coutinho, e o tema voltou a fazer-me pensar numa pergunta antiga: porque é tão difícil a uma organização adaptar-se às mudanças do habitat onde vive e transformar-se de acordo com elas? Ou seja, porque é tão difícil inovar?
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A resposta mais óbvia aponta para a falta de recursos, de talento ou de tecnologia. A realidade mostra outra coisa. Empresas com dinheiro, dimensão e um passado de sucesso perdem o lugar no mercado, enquanto outras, mais pequenas, se reinventam uma e outra vez. O sucesso cria hábitos, processos e certezas. Tudo isso traz eficiência, mas também rigidez, e quando o ambiente muda, a organização continua a responder a um mundo que já não existe. Há, no entanto, uma ideia que o autor desenvolve e que me parece essencial: a inovação é muitas vezes exógena à organização. Chega de fora, imposta pela administração, por um consultor, por um fornecedor ou por uma tendência de mercado. Não nasce dentro da empresa, não é orgânica, e por isso as equipas não a integram com facilidade. Encaram-na como mais uma obrigação, um projeto paralelo ao trabalho do dia a dia, e não como parte da forma como a empresa pensa e decide. É por isso que tantas iniciativas de inovação ficam pelo caminho. Cria-se uma equipa, um laboratório, um programa de transformação, mas a forma como se lidera, como se decide e como se lida com o erro fica intacta. Como diz Rui Coutinho, “é muito mais fácil criar um departamento do que mudar uma organização”. Uma organização que inova de forma consistente não depende de estímulos externos. Tem a capacidade de perceber o que muda à sua volta e de reagir a partir de dentro, com as suas próprias pessoas. Isso exige liderança, tolerância ao risco e espaço para errar, e sobretudo exige que as equipas sintam a mudança como sua. No Canal de IT, onde cada ciclo tecnológico altera os modelos de negócio de revenda, integração e serviços, esta reflexão faz todo o sentido. A pergunta que cada parceiro deve fazer não é se tem projetos de inovação, mas se consegue mudar ao ritmo do mercado onde vive. Tal como na biologia, sobrevivem não os mais fortes, mas os que conseguem evoluir.
Diretor do IT Channel |