Henrique Carreiro em 2026-10-13
No passado dia 21 de setembro, a AMD fechou pela primeira vez, na bolsa americana, com um valor acima de um bilião (um milhão de milhões, em inglês, “one trillion”) de dólares de capitalização, depois de uma subida de 9,9 por cento; paralelamente, a Intel, cuja área de data center e IA cresceu 59% no segundo trimestre, valorizou cerca de 12%
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Publicações como a revista Barron’s ligaram este movimento aos processadores centrais (CPU), e não aos aceleradores (GPU) que, nos servidores de IA, costumam ser os principais motores de compra. O processador, que a primeira vaga de IA tratou como acessório, volta assim a ser cotado — por enquanto, na bolsa. O pretexto imediato para estas subidas foi, paradoxalmente, o Muse, o agente de IA da Meta, que chegou imediatamente ao topo das aplicações gratuitas nas lojas dos EUA. No Muse, cada utilizador tem acesso a uma máquina virtual dedicada na cloud, com Linux e “browser”, onde o agente executa código, chama ferramentas, coordena subagentes e prossegue tarefas em segundo plano; a inferência do modelo corre em GPU, sendo o resto trabalho de processadores. Nem todos os intervenientes do mercado receberam o Muse de braços abertos: a Amazon, por exemplo, bloqueou-lhe o acesso ao seu “marketplace”, alegadamente por questões relacionadas com os termos de utilização. A AMD tem vindo a defender, pelo menos desde maio, que a proporção de um processador para quatro a oito aceleradores, descrita na sua arquitetura de referência para a primeira vaga de IA, tende antes a aproximar-se agora de um para um nos “workloads” que suportam agentes. É, evidentemente, uma estimativa de quem vende ambas as gamas de componentes. Os aceleradores, entretanto, não parecem estar a descer de preço por deixarem de estar isolados no centro das discussões de plataformas para IA e agentes: segundo relatos ainda não confirmados, provenientes da cadeia de fornecimento, a AMD terá avisado os Parceiros sobre aumentos de cerca de 10% a partir do quarto trimestre, em componentes como GPU e “chipsets”, atribuindo esta mudança ao aumento dos custos de fabrico na TSMC, contudo sem certezas de que estes aumentos cheguem aos CPU. Caso a proporção da AMD se confirme, integradores e revendedores ficam, digamos assim, entre a espada e a parede: ter de colocar mais processadores em paralelo com cada acelerador, enquanto pagam mais por cada acelerador; qualquer cotação que, em setembro, ainda tenha sido feita pela anterior configuração de referência arrisca-se, portanto, a ser um completo erro de contas. |