Jorge Bento em 2026-9-11

OPINIÃO

Editorial

Bolha .com, parte II?

A pergunta repete-se em cada conversa com Parceiros e fabricantes: isto da IA é uma bolha? O mercado, esse, já começou a responder à sua maneira

Bolha .com, parte II?
F AI th Photography / Adobe Stock

No dia em que a Amazon anunciou 200 mil milhões de dólares de investimento em IA, a ação caiu 7%. A Nvidia, que lhe vende os GPU, subiu 7%. Quem gasta é castigado, quem prova retorno é premiado.

Há sinais que merecem atenção. Fornecedores que financiam clientes que depois lhes compram, um modelo circular que torna difícil medir a procura real. Juros a dez anos acima de 4,7% na terra do Tio Sam (mais do que paga a dívida portuguesa), pressionados pela dívida pública e pela própria procura de capital para IA, que encarecem projetos cujo retorno só chega dentro de anos. E o próprio Sundar Pichai, CEO da Google, admite “elementos de irracionalidade”.

Ainda assim, não é 2000. A bolha .com assentou em milhares de startups sem receitas. Hoje o jogo concentra-se em poucas empresas maduras, com negócios diversificados e lucros reais; a Microsoft negoceia a 25 vezes os resultados esperados, a Meta a 18. O excesso, quando existe, está sobretudo fora da bolsa, nas empresas de IA que ainda não estão cotadas e nos veículos que financiam data centers. O cenário mais provável é correção, não colapso.

Para o Canal, a questão é outra: a bolha da IA já há muito se sente na lista de preços. Os data centers absorvem a produção de memória, a Micron e a Sandisk multiplicam a cotação, e o PC encarece.

A HP vendeu 16% menos unidades no último trimestre com a receita a subir 18%, e o padrão repete-se noutros fabricantes: menos unidades, mais receita. As ações de memória já corrigiram 30% desde junho, com a capacidade de 2027 vendida; a correção é de expectativas, não de procura, mas o Canal paga stock e financiamento cada vez mais caros.

A correção que se desenha pode ser boa notícia. A HP antecipa que a subida dos custos de memória abrande em 2027. Margens de hardware que respiram, unidades que voltam a mexer e um ciclo de AI PC por fazer.

Até tudo estabilizar, os Parceiros vivem tempos turbulentos com o hardware, e isso vai durar pelo menos um ano. Mas não esperem que os preços baixem porque a bolha rebentou. Não é muito provável nem economicamente desejável.

 


Jorge Bento

Diretor do IT Channel

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