António Correia, Sales Manager da WatchGuard Portugal em 2026-8-13
Durante anos, os fornecedores de serviços geridos (MSP) desempenharam um papel essencial na manutenção e suporte dos ambientes de TI das organizações
António Correia, Sales Manager da WatchGuard Portugal
|
Hoje, o mercado exige algo diferente: a cibersegurança deixou de ser um projeto pontual para se tornar um desafio operacional contínuo, que muitas pequenas e médias empresas já não conseguem gerir sozinhas. À medida que as ameaças se sofisticam, os clientes redefinem o que esperam dos seus fornecedores de segurança. Um estudo internacional recente confirma esta tendência: as empresas já não procuram apenas suporte de TI reativo, mas parceiros de cibersegurança proativos, capazes de entregar resultados mensuráveis, resiliência operacional e orientação estratégica. É um momento decisivo para a indústria dos MSP. Parceiros estratégicos, não apenas prestadores de serviçosA relação tradicional entre MSP e cliente assentava na gestão de infraestruturas e no suporte técnico do dia a dia. Esse modelo está em rápida transformação: quase metade das organizações já encara o seu fornecedor de cibersegurança como conselheiro estratégico, e não apenas como prestador de serviços técnicos. Entre as prioridades mais valorizadas destacam-se a rapidez na resposta a incidentes, a prevenção proativa de ameaças, a continuidade de negócio, a transparência na comunicação e o reporte ao nível executivo. Para os MSP, é a oportunidade de evoluir de relações transacionais para parcerias de longo prazo. Um mercado sensível ao valor, não apenas ao preçoAs organizações estão dispostas a investir mais em cibersegurança quando reconhecem resultados concretos: cerca de três em cada quatro empresas esperam aumentar o investimento nesta área nos próximos dois anos, uma parte significativa está disposta a pagar mais por monitorização contínua e resposta rápida, e uma percentagem semelhante valoriza deteção e resposta apoiadas em inteligência artificial. Os clientes deixaram de avaliar os fornecedores apenas pelo custo, passando a considerar o valor entregue e os resultados obtidos, abrindo caminho a que os MSP expandam serviços de maior valor, como deteção e resposta geridas, caça a ameaças, apoio à conformidade regulatória e operações de segurança apoiadas em IA. A experiência do cliente como diferenciadorA tecnologia, por si só, já não basta. As organizações esperam dos seus fornecedores capacidades técnicas robustas, mas também uma experiência global de qualidade superior: resposta rápida, comunicação proativa e transparência tornaram-se critérios centrais de avaliação. Ainda assim, a intenção de mudança de fornecedor mantém-se elevada: mais de metade das organizações admite poder trocar de parceiro nos próximos três anos. A fidelização não pode ser dada como garantida; os MSP que aliarem bons resultados de segurança a transparência e envolvimento estratégico estarão em melhor posição para reter clientes. Simplificação e integração tornam-se essenciaisÀ medida que os ambientes de segurança se fragmentam, as organizações procuram reduzir a complexidade através de plataformas que consolidem ferramentas e simplifiquem a operação. É outra oportunidade para os MSP: ajudar os clientes a abandonar soluções pontuais em favor de ecossistemas integrados, que combinem proteção de rede, endpoint, identidade e cloud. A simplificação deixou de ser uma vantagem operacional para se tornar um requisito de negócio. Uma oportunidade decisiva para o canalA indústria da cibersegurança entra numa fase de transformação profunda. Os clientes repensam o que esperam dos fornecedores e em quem confiam para navegar um risco cibernético crescente. Para os MSP, não se trata apenas de uma mudança tecnológica, mas de uma evolução de modelo de negócio. Os fornecedores que assumirem papéis de conselheiro estratégico, investirem em capacidades avançadas e se focarem em resultados mensuráveis estarão mais bem posicionados para liderar a próxima era da cibersegurança gerida. O canal de distribuição de TI tem agora uma oportunidade única para se reinventar, deixando de ser visto como simples prestador de suporte para se afirmar como verdadeiro parceiro estratégico de confiança. |
Inteligência artificial no setor de IT: o impacto já não está apenas nas funções, mas nas competências que passam a criar valor