2021-2-24

NEGÓCIOS

Quase metade das PME portuguesas do retalho ainda não tem presença digital

Um estudo da Sage conclui que a grande maioria das empresas portuguesas do retalho não explora o seu máximo potencial nem tira partido dos recursos que tem à sua disposição

Devido aos vários confinamentos e às restrições contínuas, o setor do comércio a retalho tem sido dos mais afetados pela pandemia que assolou o país e o mundo em 2020. Esses efeitos são particularmente sentidos nas PME que compõem, precisamente, a quase totalidade das empresas deste setor em Portugal.

Assim, a Sage realizou um inquérito junto de várias centenas de empresas nacionais para compreender o impacto da pandemia nos seus negócios, e sobretudo o seu nível de digitalização e preparação para o novo paradigma que agora se impõe.

O estudo da Sage permitiu concluir que quase metade (45%) das empresas portuguesas do setor do comércio a retalho não tem qualquer tipo de presença online – ou seja, não conta com um website ou redes sociais próprias, cingindo-se ao comércio mais tradicional. Esta realidade impede-as de explorar o seu máximo potencial e coloca-as numa posição muito desfavorecida, sobretudo num momento de confinamento como o que vivemos.

Entre estas empresas que não têm presença online, mais de metade (53%) justifica essa ausência com a falta de recursos para dar o “salto” – sejam eles recursos financeiros para realizar o investimento, recursos internos para fazer a gestão das novas plataformas, ou mesmo o conhecimento necessário para tal.

Para além disto, os dados recolhidos pela Sage indicam também que 65% das empresas deste setor ainda não realiza vendas online.

O estudo da Sage concluiu ainda que 71% das empresas deste segmento perdeu receitas desde o início da pandemia e, em média, essas perdas equivaleram a 23% do seu volume de negócios.

Olhando para 2021, não são muitas as empresas do setor que compreenderam já a sua necessidade urgente de digitalização. De facto, apenas 35% dos inquiridos reporta que este ano pretende fazer investimentos para acelerar a sua transformação digital e capacidade produtiva – por exemplo através de software, equipamentos e infraestruturas que permitam automatizar processos, ter presença online e poder trabalhar de forma remota.

Os números deste estudo são preocupantes, porque nos demonstram que o setor do comércio a retalho em Portugal não está verdadeiramente preparado para a situação desafiante que vivemos. Confirmámos uma vez mais que a transformação que há que implementar é profunda e toca o lado cultural e social: é necessária uma verdadeira mudança de mentalidades para que as empresas portuguesas compreendam a vitalidade de se digitalizarem”, salientou Josep María Raventós, Country Manager da Sage Portugal. “Na Sage acreditamos que a digitalização é a alavanca da recuperação económica do país, e, por isso, procuramos realizar estudos regulares do mercado e compreender as suas reais necessidades. Em particular, os resultados deste estudo levam-nos a concluir que é preciso apostar neste setor e oferecer-lhe, agora mais do que nunca, as ferramentas, conhecimentos e demais condições para que possa implementar um plano de recuperação eficaz, tão rapidamente quanto possível”.

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