2026-6-24
O preço médio global dos smartphones deverá atingir os 565 dólares em 2026, segundo a Omdia. O aumento dos custos dos componentes está a levar os fabricantes a privilegiar valor em detrimento do volume
Unsplash / Jonas Leupe
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O mercado global de smartphones deverá enfrentar uma nova contração em 2026, mas o valor gerado pelo setor continuará a crescer. De acordo com as previsões da Omdia, as vendas mundiais de smartphones deverão cair 12,2% em volume durante o próximo ano, totalizando 1.093 milhões de unidades. Apesar disso, o valor do mercado deverá aumentar 6,1%. A principal explicação para esta evolução está na subida significativa do preço médio de venda (ASP). A Omdia estima que o valor médio de um smartphone aumente de 467 dólares em 2025 para 565 dólares em 2026, um crescimento de 21% que representa um novo máximo histórico para a indústria. Segundo a consultora, esta tendência reflete o aumento dos custos de produção, particularmente nos componentes de memória. Os preços médios de DRAM e NAND Flash registaram aumentos superiores a 80% no primeiro trimestre de 2026, pressionando as margens dos fabricantes e obrigando-os a repercutir parte desses custos nos consumidores. Perante este cenário, os fabricantes estão a reformular as suas estratégias de produto. Em vez de apostarem em equipamentos de baixo custo e elevados volumes de vendas, muitas marcas estão a reforçar o peso dos modelos de gama média e alta nos seus portefólios. A Omdia destaca que praticamente todos os grandes fabricantes de smartphones, com exceção da Apple, aumentaram os preços dos seus produtos de nova geração para compensar o agravamento dos custos de fabrico. O impacto desta estratégia não será uniforme entre regiões. Os mercados emergentes, particularmente em África, Médio Oriente e América Latina, deverão sentir uma quebra mais acentuada da procura devido à forte dependência de dispositivos de entrada de gama e à maior sensibilidade dos consumidores aos aumentos de preços. Já os mercados mais desenvolvidos deverão demonstrar maior resiliência, uma vez que o peso dos equipamentos premium é superior e os consumidores tendem a absorver mais facilmente os aumentos de preço. Na perspetiva da Omdia, os fabricantes estão também a procurar aumentar o valor gerado por cada utilizador através da venda de equipamentos complementares, serviços digitais e modelos de subscrição. O objetivo passa por diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência exclusiva da venda de hardware. A consultora antecipa que a contração do mercado se prolongue até 2027, embora a um ritmo significativamente inferior, com uma descida prevista de apenas 0,9% nas vendas. Apesar da expectativa de estabilização dos preços das memórias ao longo dos próximos anos, os custos de produção deverão permanecer suficientemente elevados para dificultar o regresso dos smartphones de muito baixo custo. Neste contexto, a recuperação efetiva do volume de vendas só deverá ocorrer em 2028. Até lá, a Omdia prevê que os grandes fabricantes mantenham uma postura cautelosa relativamente à expansão das suas gamas de entrada, deixando progressivamente o segmento ultraeconómico para fabricantes locais e regionais. Para a consultora, a indústria está a atravessar uma mudança estrutural que privilegia rentabilidade, valor acrescentado e diversificação de receitas, em detrimento das estratégias tradicionalmente centradas no crescimento do volume de equipamentos vendidos. |