2025-11-25
Michael Dell aponta a IA como a mudança mais profunda que o setor já enfrentou e diz que o ecossistema de Parceiros é determinante para transformar a tecnologia em retorno real para as empresas. A Dell reforça que metade das suas receitas já passa por Parceiros e que a procura por soluções de IA está a reconfigurar o negócio
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A Dell Technologies está a posicionar os Parceiros no centro da estratégia para responder ao que Michael Dell descreve como “a maior oportunidade de mercado das nossas vidas”. O fundador e CEO afirma, numa entrevista recente à CRN, que as empresas estão a tentar perceber como aplicar a Inteligência Artificial (IA) nos seus dados e processos, e que o Canal tem aqui um papel crítico. O responsável defende que a IA está a provocar uma transformação profunda no setor e sublinha que este é um território novo que exige tempo, aprendizagem e capacidade real de acrescentar valor. “Acho que estamos a assistir a uma oportunidade realmente profunda e a uma mudança a acontecer na indústria com a IA, e a Dell obviamente colocou o nosso motor de engenharia e inovação ao serviço disso para permitir e liderar esse avanço”, disse à CRN. Michael Dell reforça ainda que o ecossistema de Parceiros move “cerca de metade das receitas” da empresa e viabiliza soluções transformadoras para clientes em todo o mundo. A estratégia ganhou forma com o lançamento, no início de 2024, da Dell AI Factory, uma arquitetura validada do data center ao edge pensada para ajudar organizações a converter dados em insights de IA. “Hoje, a IA é o tema central. Quando nos reunimos com clientes. Não é o tema número um. É o número um, dois e três”, afirma. O responsável diz que continua a existir muito trabalho por fazer, desde compreender as particularidades de cada setor, o enquadramento regulatório, a segurança, a organização dos dados, os modelos adequados e os problemas concretos a resolver – temas onde, insiste, “os Parceiros podem acrescentar imenso valor”. A Dell reporta que o negócio de IA já atingiu 20 mil milhões de dólares, com mais de três mil clientes e outros 6.700 em pipeline, e Michael Dell destaca o histórico da empresa que lidera em computação“há 33 trimestres consecutivos” e em storage“há 94 trimestres consecutivos, dividido por quatro”, o que, segundo o responsável, “é muito tempo”. Apesar da posição dominante em PC comerciais, a Dell admite desafios no segmento de consumo e nas contas comerciais mais pequenas. Jeff Clarke, vice-chairman, está a reposicionar a unidade com foco no setor da educação e nas contas de entrada, que representam 75% do mercado. A reorganização do portfólio – agora dividido entre Dell, Dell Pro e Dell Pro Max – e o lançamento de modelos Dell Pro Essential a partir de 300 dólares reforçam a estratégia da empresa para ganhar terreno na IA generativa. É aqui que está, segundo Michael Dell, a próxima vaga de produtividade. O responsável, contudo, prefere avaliar o negócio por métricas financeiras, até porque, aponta, “há realmente três coisas que se pode fazer num negócio. Pode-se ter receitas, pode-se ter lucros e pode-se ter unidades”, neste cenário Michael Dell refere que “a Dell é número um em receitas e número um em lucros. Não somos número um em unidades. E eu prefiro ser número um em receitas e lucros do que número um em unidades”. Questionado sobre potenciais aquisições, o CEO descarta movimentos semelhantes ao da compra da EMC em 2016 por 67 mil milhões de dólares, já que não vê “necessidade de grandes aquisições neste momento”. |