Rui Damião em 2024-2-14

NEGÓCIOS

“O que vai sair dos novos servidores será computação de elevada performance”

O mercado de data centers está a mudar; existe uma procura cada vez maior por aplicações de inteligência artificial, mas essa procura obriga a repensar a maneira como o arrefecimento dos data centers é feita

“O que vai sair dos novos servidores será computação de elevada performance”

Andrew Bradner, General Manager do Cooling Business da Schneider Electric

O mercado de data centers está a mudar. Já há vários anos que a cloud está a mudar o paradigma da aquisição de data centers por parte das organizações, mas, ainda assim, armazenar dados e correr workloads na cloud não significa colocar no ar; alguém tem de investir no data center – habitualmente, os grandes hyperscalers.

A crise energética – assim como a crise climática – levou uma mudança da energia fóssil para energias alternativas no mercado de data centers, ainda que esta alteração esteja apenas no início. Ao mesmo tempo, a Europa está a tornar-se menos atrativa para investimento estrangeiro – que diminuiu 15% –, enquanto o investimento estrangeiro aumentou 18% nos Estados Unidos.

Esta combinação de fatores faz com que as empresas tenham de olhar de outra forma na altura de fazer os seus próprios investimentos. Cloud pública, cloud privada, cloud híbrida, multicloud ou edge são apenas alguns dos termos que se ouvem quase diariamente. Uma coisa é certa: todos estes termos são, de alguma forma, um data center.

Em entrevista ao IT Channel, Andrew Bradner, General Manager do Cooling Business da Schneider Electric, refere que uma das tendências a que se assiste hoje são as aplicações edge, “trazer a computação para mais perto, para onde é utilizada, com baixas latências”. Por outro lado, diz, são os data centers maiores, de hyperscalers e focados em cloud computing “com aplicações de grande densidade”, como Inteligência Artificial (IA).

A forma como cada um destes data centers – seja edge ou hyperscalers – são desenhados diverge, mas, ainda assim, tem semelhanças fundamentais. “Seja no edge ou num grande data center, a maioria do cooling ainda é baseado no ar”, explica Bradner, acrescentando que “o cooling líquido está a tornar-se mais prevalente em algumas aplicações edge onde a computação necessária é maior, ou talvez num pacote mais pequeno, mas mais denso”.

Impacto da IA nos data centers

O crescimento da inteligência artificial está a mudar o mercado. Apesar de a IA já ser a “the next best thing” há 15 anos – onde a Schneider Electric tem trabalhado com vários Parceiros para preparar essa mudança – desde 2023 que o “buzz chegou ao ponto onde os principais players olham e querem fazer investimentos significativos”. Apesar desta vontade, ainda não há acesso a energia suficiente, mas as empresas estão “a alterar as suas estratégias e estão agora focados nas infraestruturas que vão permitir cooling líquido para implementar em escala”.

Para a Schneider Electric, este é “o ponto de inflexão”, onde as empresas estão verdadeiramente a olhar para os seus data centers e a tentar perceber como é que os podem adaptar para estarem prontos para a inteligência artificial.

Do ar para a água

A alteração de cooling baseado em ar para líquido depende dos casos. Bradner refere que numa solução edge, com grande poder de computação num espaço relativamente pequeno, o cooling líquido será a melhor solução. “Agora, numa rack de 10 kW, devo mudar todas as racks para cooling líquido? Provavelmente não porque o investimento e a infraestrutura para alterar e permitir [o arrefecimento líquido] não faz muito sentido”.

Em grandes laboratórios, por exemplo, onde é necessária computação de elevada performance, o cooling líquido tem um impacto substancial e é onde este tipo de arrefecimento é mais utilizada atualmente. No entanto, “o que vai sair dos novos servidores será computação de elevada performance” onde será necessário “adotar os servidores que estão a ser criados a pensar na IA, mas que também podem ser utilizadas noutras aplicações”.

Deve-se ir imediatamente para arrefecimento líquido? Provavelmente, não. Depende do resto da infraestrutura que suporta. No futuro deverá ser uma escolha mais óbvia de que parte da computação – mesmo enterprise – deverá ser cooling líquido”, afirma Andrew Bradner.

O cooling líquido é uma maneira mais eficaz de arrefecer o data center, especialmente quando existe elevada densidade, sendo, também, mais sustentável. “A energia necessária para o arrefecimento é muito menor”, diz.

As oportunidades para os Parceiros

O General Manager de Cooling Business da Schneider Electric refere que a primeira coisa que os Parceiros e os integradores devem fazer é perceber a missão e a aplicação dos seus clientes. No entanto, “provavelmente mais de 90% das vezes será cooling baseado em ar, especialmente nas aplicações tipo edge atuais”.

No entanto, tudo se baseia na criticidade. “É preciso perceber a redundância, a energia no local, se é preciso conduzir até lá, qual é a capacidade de expansão”. Muitas vezes, alerta Bradner, “um dos grandes desafios com o cooling tradicional é sobredimensionamento para a computação real que está lá, o que não é muito bom para o arrefecimento. É preciso perceber o perfil de implementação”.

Assim, reforça Andrew Bradner, é preciso ter a certeza da dimensão real dos planos de implementação e a sua utilização, a sua resiliência e a sua criticidade, assim como o plano de expansão.

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