Rui Damião em 2025-10-09
Três meses após o fecho da aquisição da Juniper Networks, a HPE está em processo de integração operacional. Em entrevista ao IT Channel, Sónia Casaca, Country Manager em Portugal da HPE Networking, garante estabilidade para os Parceiros e destaca a complementaridade entre a Aruba e a Juniper
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A aquisição da Juniper Networks pela HPE, no valor de 14 mil milhões de dólares, foi fechada a 2 de julho de 2025. O processo, no entanto, não foi simples: anunciada em janeiro de 2024, enfrentou um processo judicial movido pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro de 2025, tendo sido resolvido antes da conclusão do negócio. “A integração da Aruba e da Juniper numa única divisão global de networking está a ser conduzida de forma faseada e transparente”, afirma Sónia Casaca, Country Manager para Portugal da HPE Networking. A nova divisão, segundo a responsável, “vai ser a área de negócio mais lucrativa da companhia, valendo cerca de 11 mil milhões de dólares”. Em Portugal, garante, a “liderança local mantém-se focada em garantir continuidade no acompanhamento dos clientes e Parceiros”, sem “alterações bruscas na estrutura ou nas funções do dia a dia” das equipas comerciais e técnicas. Complementaridade, não substituiçãoA questão que preocupa muitos Parceiros é o que é que acontece aos produtos Aruba com a chegada da Juniper. A resposta de Sónia Casaca é clara: “não se trata de substituir produtos Aruba, mas sim de criar uma oferta conjunta diferenciadora”. A estratégia assenta, assim, na complementaridade. “As soluções Juniper vêm reforçar áreas como redes definidas por software, automação e segurança, onde já tínhamos presença com Aruba e continuaremos a ter”, explica a Country Manager. O objetivo é “oferecer ao mercado arquiteturas abertas, preparadas para cloud e inteligência artificial, evitando qualquer sobreposição que possa gerar confusão”. Para os Parceiros, isso traduz-se em acesso a um portfólio mais alargado onde a Juniper traz capacidades de data center networking, SD-WAN e segurança que expandem as oportunidades comerciais, sem canibalizar o negócio existente da Aruba. A promessa é de “maior valor acrescentado, com um portfólio mais robusto”. Impacto nos Parceiros portuguesesA unificação das equipas de Canal da Aruba com a organização global de vendas da HPE foi concluída em novembro de 2024 e, portanto, precedeu a integração da Juniper. Para os Parceiros portugueses, o resultado foi “maior alinhamento estratégico e consistência nos processos de apoio”. “Os Parceiros têm mais ferramentas e oportunidades para responder às necessidades dos clientes finais”, afirma Sónia Casaca, que destaca os Programas unificados e uma “maior clareza nas regras de engagement”. A prioridade da HPE é “garantir estabilidade e confiança”, com investimento em “comunicação transparente, sessões de esclarecimento e capacitação contínua”. Os Programas de Canal “mantêm-se sólidos e estão a ser expandidos para refletir as oportunidades do portfólio conjunto”, explica Sónia Casaca. Os Parceiros vão ter “acesso a suporte técnico e comercial reforçado, além de ferramentas de capacitação que lhes permitem diferenciar- se no mercado”, com o compromisso de que “esta integração resulta em mais oportunidades de crescimento conjunto”. Mercado português e próximos passosO interesse por soluções de rede otimizadas para inteligência artificial está a crescer em Portugal. As organizações percebem que “a rede é crítica para suportar workloads de inteligência artificial com desempenho, segurança e escalabilidade”. Para 2025 e 2026, a HPE Networking traçou marcos concretos, como a consolidação de um portfólio integrado Aruba-Juniper com roadmaps claros, a expansão de Programas de Capacitação e Certificação e “a adoção progressiva de ferramentas de automação e inteligência artificial em toda a oferta de networking”. O objetivo final é “o reforço da presença da HPE Networking em Portugal, apoiando clientes na transição para arquiteturas cloud-native e seguras”, conclui. |