2025-7-16
A modernização digital e a inteligência artificial compensam a cautela das empresas, que adiam novos investimentos devido a riscos geopolíticos e económicos, revela a Gartner
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Segundo a mais recente previsão da Gartner, os gastos globais em IT deverão atingir 5,43 biliões de dólares em 2025, o que representa um crescimento de 7,9% face ao ano anterior. Apesar de um abrandamento estratégico nos novos investimentos líquidos, este crescimento é sustentado pelas contínuas iniciativas de digitalização e de adoção da Inteligência Artificial (IA), nomeadamente da IA generativa. De acordo com John-David Lovelock, Distinguished VP Analyst da Gartner, o setor está a passar por uma “pausa de incerteza”, que reflete a hesitação dos negócios em avançar com novos investimentos, devido ao aumento das incertezas económicas e geopolíticas. No entanto, este efeito tem sido atenuado pela necessidade crescente de modernização tecnológica. “Prevê-se que o crescimento dos gastos com software e serviços abrande ligeiramente em 2025, mas os investimentos em infraestruturas relacionadas com a IA, como os data centers, continuarão a acelerar”, sublinha o analista. John-David Analyst destaca ainda que os gastos com servidores otimizados para IA, praticamente inexistentes em 2021, deverão triplicar em relação aos servidores tradicionais até 2027, impulsionando a modernização dos data centers. Esta tendência está fortemente ligada à IA generativa, cujas exigências em termos de capacidade computacional têm vindo a transformar o panorama da infraestrutura tecnológica empresarial. Um inquérito da Gartner realizado entre março e maio de 2025, com a participação de 252 líderes seniores da América do Norte e Europa Ocidental, confirma esta tendência. 62% dos inquiridos identificam a IA como crítica para a competitividade nos próximos dez anos, e 64% das empresas apontam a competitividade como o principal motor para o investimento em tecnologia e transformação do negócio. Ainda assim, a Gartner alerta para um realismo crescente por parte dos CIO. “Com a IA generativa a entrar na fase do ‘fundo da desilusão’ no ciclo do hype, as empresas estão a redirecionar o investimento para funcionalidades práticas, mais facilmente integráveis, fornecidas pelos fornecedores tradicionais de software”, refere o analista. O foco desloca-se agora para soluções ‘plug and play’, com valor concreto e imediato. Desde o segundo trimestre de 2025, observou-se uma tendência de suspensão estratégica de novos investimentos líquidos, motivada pelos riscos macroeconómicos e geopolíticos. No entanto, os orçamentos de IT mantêm-se alocados, o que indica uma decisão estratégica de adiamento, e não de cortes orçamentais, como clarifica John-David Lovelock. Esta pausa afeta, sobretudo, os setores de hardware e infraestruturas, pressionados pelo aumento de preços e interrupções nas cadeias de abastecimento. Em contraste, gastos recorrentes, como serviços em cloud e serviços geridos, mantêm-se relativamente estáveis. O inquérito revela também que 61% das empresas iniciaram 2025 numa posição mais forte do que no ano anterior, embora apenas 24% esperem terminar o ano à frente dos seus planos iniciais. Os maiores riscos identificados pelos líderes empresariais são os choques económicos (41%) e geopolíticos (32%), sendo que a maioria considera conseguir lidar com pressões de clientes, concorrência e regulamentação de forma eficaz. |