2018-8-09

NEGÓCIOS

Como estão as empresas portuguesas a transformar o local de trabalho?

Até 2025, os millennials irão representar mais de 50% da força de trabalho, e irão redefinir a cultura empresarial em torno de modelos de trabalho flexíveis, uma abordagem mais aberta à colaboração e um foco nos dados como parte vital do negócio. Como estão as empresas portuguesas a adaptar-se?

Para compreender melhor o modo como as organizações se estão a preparar para estas mudanças futuras, a PAC associou-se à Fujitsu para entrevistar 1.278 decisores seniores em organizações comerciais e do setor público na Europa, Oceânia e nos Estados Unidos. Este relatório revela de que modo os gestores das empresas portuguesas estão a planear fazer a passagem do seu ambiente de trabalho atual para uma estratégia que suporte as novas exigências do negócio em 2025.

As organizações em Portugal afirmam que as suas estratégias de local de trabalho atuais não estão a corresponder às expetativas em várias áreas. A maioria dos participantes no estudo admite que as suas práticas de trabalho atuais não são suficientemente flexíveis para tirar o melhor partido dos seus colaboradores, e também consideram que tecnologia desatualizada está a travar a progressão do seu negócio. Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que a cibersegurança está a atuar como travão da produtividade. Quase metade dos líderes empresariais e tecnológicos portugueses afirmam que a cibersegurança tem um impacto negativo, o que é um nível preocupantemente elevado. Quando os colaboradores são colocados perante procedimentos de autenticação de segurança que complexos ou consumidores de tempo, caso tentem desempenhar uma tarefa urgente ou com um prazo particularmente apertado eles podem sentir-se encorajados a adoptar caminhos não conformes às regras e seguir por atalhos.

As empresas portuguesas estão a efetuar alterações significativas às políticas corporativas e às suas estratégias tecnológicas no local de trabalho de modo a prepararem-se para o futuro. À medida que as novas gerações se tornam presença dominante na força de trabalho, mais de 70% das organizações planeiam adaptar as políticas atuais para fornecer um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, uma experiência de local de trabalho mais ágil e atrativa, e acesso instantâneo a informação. A necessidade de impulsionar a inovação rapidamente está a forçar as empresas a olhar para lá das paredes da sua organização e quase dois terços das empresas portuguesas (63%) têm implementado ou planeiam implementar o crowdsourcing e a inovação aberta como forma de criar novos produtos e serviços.

A maioria das empresas em Portugal planeiam melhorar a sua abordagem à segurança através da implementação de tecnologia biométrica e análise comportamental e contextual para proporcionar uma abordagem menos intrusiva e mais eficaz à autenticação. Para criar uma experiência de local de trabalho mais atrativa que apoie uma melhor colaboração e produtividade, uma parte substancial das empresas portuguesas planeia investir em áreas como as plataformas sociais empresariais (69%), a automatização de processos robóticos (40%) e assistentes virtuais digitais (38%) nos próximos dois anos. Porém, tendo as organizações de se preparar para uma diversidade geracional crescente, elas vão precisar de agir rapidamente para ter uma abordagem mais eficaz à gestão de conhecimento, sendo que, hoje, apenas 4% delas possuem uma abordagem eficaz e estruturada.

As estratégias das empresas passam por aproveitar a inovação em IA e a conectividade inteligente, mas não podem ignorar questões essenciais como a redução da dependência de uma tecnologia envelhecida que continua a atrasar a sua capacidade de inovação e de adaptação. A sobrevivência a longo prazo do negócio está em risco, e o futuro precisa de respostas agora, antes que o ritmo da mudança se torne impossível de gerir.

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