2026-2-02

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Comércio global entra em estagnação em 2026 após crescimento do último ano

Depois de crescer 3,5% em 2025, o comércio global entra em estagnação este ano, pressionado pela guerra comercial, novas tarifas e a incerteza política nos Estados Unidos

Comércio global entra em estagnação em 2026 após crescimento do último ano

Depois de um crescimento de 3,5% em 2025, o comércio global deverá registar um momento de estagnação em 2026, travado pela intensificação da guerra comercial, pela antecipação de compras no ano anterior e pela incerteza política nos Estados Unidos. A recuperação só deverá chegar em 2027, com um avanço estimado de cerca de 2%, segundo um novo relatório da Crédito y Caución.

A seguradora explica que o desempenho de 2025 foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento do investimento em inteligência artificial, em particular nos EUA. No entanto, a imposição de novas tarifas alfandegárias está agora a alterar o cenário, levando empresas a repercutirem custos adicionais nos preços finais, o que reduz a procura e condiciona o investimento. A instabilidade política norte-americana deverá ainda reforçar uma postura mais cautelosa por parte de empresas e consumidores, adiando decisões de despesa e favorecendo a poupança.

Efeito de antecipação penaliza 2026

O relatório, que utiliza projeções macroeconómicas para comércio global, PIB e crescimento dinâmico por região, destaca também o chamado “efeito de arrastamento” das compras antecipadas realizadas em 2025. Muitas empresas adiantaram importações para evitar o impacto de novas tarifas, o que gerou forte pressão sobre infraestruturas logísticas, como armazéns aduaneiros e zonas de comércio exterior. Em 2026, esse adiantamento traduz-se numa quebra natural dos pedidos. “As empresas e as famílias não podem importar aquilo que já foi comprado anteriormente”, pode ler-se no estudo.

Segundo a Crédito y Caución, o comércio internacional só deverá regressar a terreno positivo em 2027, com um crescimento próximo de 2%, ainda abaixo do ritmo esperado para o PIB mundial. A zona euro deverá evoluir em linha com a média global, enquanto África se destaca como a região mais dinâmica, ao beneficiar da integração comercial e de investimentos em infraestruturas, surgindo como o “cisne branco” num contexto internacional marcado pela incerteza.

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