Rui Damião em 2025-9-18

BIZ

Análise

“A impressão passou a ser vista como uma extensão estratégica”

O mercado português de impressão empresarial atravessa uma fase de redefinição, com as organizações a abandonarem a abordagem tradicional de compra de equipamento para adotarem modelos de serviço que integram tecnologia, segurança e sustentabilidade. Ao IT Channel, Pedro Brito, da HP, analisa as principais tendências que estão a moldar o setor e os desafios que se colocam aos Parceiros de Canal numa indústria em transformação

“A impressão passou a ser vista como uma extensão estratégica”

Pedro Brito, Iberia Print Category Director da HP

As empresas portuguesas estão a alterar a forma como encaram os custos de impressão, procurando modelos contratuais que ofereçam previsibilidade financeira e gestão centralizada. Esta mudança reflete uma abordagem mais estratégica ao equipamento de escritório, onde a impressão deixou de ser vista apenas como uma despesa operacional.

“Mais do que um simples serviço de suporte, a impressão passou a ser vista como uma extensão estratégica da infraestrutura digital das organizações”, explica Pedro Brito, Iberia Print Category Director da HP.

Esta evolução demonstra novas prioridades empresariais em ambientes de trabalho híbridos. “Os clientes procuram, agora, soluções que lhes permitam ganhar visibilidade sobre os seus custos, otimizar processos e garantir a segurança da informação em ambientes híbridos”, refere o responsável. A adoção de trabalho remoto e híbrido acelera esta procura por soluções mais flexíveis e integradas.

Jato de tinta ganha terreno

A dinâmica do mercado português mostra tendências claras em diferentes tecnologias. O jato de tinta empresarial regista crescimento, aproveitando o menor custo por página comparativamente ao laser. Os sistemas de impressão contínua – como o SmartTank – respondem à procura por menor necessidade de manutenção e maior autonomia operacional.

“O modelo contratual no segmento laser A4 tem vindo a ganhar relevância, ao proporcionar previsibilidade de custos e gestão centralizada”, refere Pedro Brito. Esta preferência por modelos de serviço indica que as empresas valorizam a transferência de responsabilidade de gestão para fornecedores especializados.

Segurança como critério de decisão

Com a segurança a ter uma preponderância cada vez maior no mercado, a HP tem vindo a apostar em tecnologias de segurança específicas para ambientes de impressão. O HP Wolf Security inclui verificação automática do BIOS e sistemas de recuperação autónoma, respondendo a preocupações crescentes sobre cibersegurança em equipamentos conectados.

“A segurança é uma prioridade absoluta”, indica o responsável, que acrescenta que, através do HP Wolf Security, é possível fornecer “uma proteção multicamada que vai desde a verificação automática do BIOS até à recuperação autónoma da impressora”.

Já a integração de inteligência artificial centra-se em automatização de tarefas repetitivas e reconhecimento de documentos, com o objetivo de reduzir intervenção manual nos fluxos de trabalho.

Obstáculos culturais e o maduro Canal português

Para Pedro Brito, o principal desafio não é de natureza tecnológica; “o maior desafio ao crescimento não é tecnológico, mas sim cultural e estratégico”. Muitas organizações mantêm a perspetiva da impressão como custo inevitável, limitando o investimento em soluções que poderiam gerar eficiências operacionais.

A pressão sobre margens é endereçada através de modelos de serviços geridos e soluções de subscrição, como o HP Instant Ink, que transfere a gestão de consumíveis para a HP.

Sobre o mercado nacional, a HP caracteriza-o como desenvolvido. “Portugal é um mercado maduro e bem informado no que toca à impressão, com um dos Canais de Parceiros e clientes mais desenvolvidos da Europa”, afirma Pedro Brito.

O Programa HP Amplify funciona como ferramenta de capacitação do Canal, oferecendo formação em áreas como gestão de fluxos digitais e integração de inteligência artificial. “Trabalhar como ‘One HP’, de forma coesa e colaborativa, é a nossa maior força – e queremos que os Parceiros façam parte ativa desta estratégia”, diz o responsável, sublinhando a aposta na colaboração com o Canal como elemento central da estratégia de crescimento.

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