Marta Quaresma Ferreira em 2024-6-24

A FUNDO

IT Channel Survey 2024: Índice de confiança dos Parceiros sobre o mercado é o mais alto dos últimos quatro anos

O IT Channel volta a medir o pulso ao mercado nacional de IT, com o estudo que avalia a perceção dos Parceiros sobre o clima de negócios. Resultados refletem, no geral, um Q1 positivo, com crescimento e otimismo para os restantes meses do ano

IT Channel Survey 2024: Índice de confiança dos Parceiros sobre o mercado é o mais alto dos últimos quatro anos

2024 tem sido marcado, até ao momento, por um panorama de instabilidade mundial a vários níveis: o aumento das taxas de juro, ainda que menos preocupante do que em 2023, continua a provocar dores, assim como o intensificar de tensões geopolíticas. A nível nacional, a recolha de campo do Survey este ano coincidiu com o arranque de uma nova legislatura com uma base parlamentar minoritária.

 

Pela primeira vez em cinco edições, os resultados do Channel Survey refletem apenas respostas de Parceiros que endereçam o mercado empresarial e o setor público

É neste contexto que o IT Channel volta a realizar o Channel Survey 2024, o estudo que mede o pulso ao mercado de IT junto dos Parceiros de Canal e que analisa e compara a evolução do ambiente de negócios nacional ao longo dos anos.

Na edição deste ano foram obtidas, no total, 133 respostas de empresas que cumpriram com todos os critérios de validação.

À semelhança do ano passado, mais de metade dos inquiridos (60%) distribuem-se entre Integradores (36%) e Managed Services (24%). Os restantes inquiridos distribuem-se entre Reseller (25%) e VAR (15%).

Quando falamos de dimensão da empresa, 43% dos inquiridos integram empresas com mais de 50 colaboradores. Os restantes 57% estão distribuídos por organizações até 50 colaboradores.


Os Parceiros olham com otimismo para os próximos meses, com mais de 70% a apontarem para o crescimento das vendas até ao final de 2024


Estado do negócio no arranque do ano

Partindo do contexto inicial, os Parceiros indicam dados positivos do 1º trimestre deste ano, com 65% dos inquiridos a reportarem crescimentos. Na variação do volume de vendas no Q1 2024, comparando com o Q1 de 2023, 30% dos inquiridos reportam um crescimento entre 5 e 10%; 22% chegam a reportar um crescimento superior a 10% e 13% indicam um crescimento até 5%. 22% revelam que a variação no volume de vendas no período em questão não teve nenhuma variação expressiva. 14% dos inquiridos apontam para decréscimos, com 3% a apontar mesmo para mais de 10% de decréscimo.

A perspetiva do caminho a percorrer

O Channel Survey 2024 demonstra que o otimismo e os resultados obtidos no primeiro trimestre prolongam-se para os restantes meses, com 71% dos inquiridos a apresentarem perspetivas positivas relativamente aos restantes meses do ano. À semelhança dos valores obtidos no Q1, 28% dos inquiridos perspetivam um crescimento entre 5 e 10%; 23% esperam um crescimento superior a 10% e 20% apontam para um crescimento até 5%. 17% dos inquiridos afirmam que as vendas até ao final do ano não irão sofrer variações expressivas. 12% têm uma visão mais pessimista sobre o tema, com perspetiva de decréscimos a nível de vendas.

Nas perspetivas para 2024, em comparação com 2023, a Estratégia de Negócio é o parâmetro mais positivo: 44,4% dos inquiridos consideram que este parâmetro está ‘Melhor’ e 10,5% ‘Muito Melhor’ relativamente ao ano passado. O Volume de Vendas surge de seguida, com 48,9% dos inquiridos a considerarem que o parâmetro está ‘Melhor’ e 3,8% ‘Muito melhor’ relativamente a 2023.

Por outro lado, a liquidez continua a ser um dos maiores desafios para os Parceiros. Mais de 50% dos inquiridos (56,4%) consideram esta variável satisfatória e 29,4% dão mesmo nota negativa de ‘Pouco Satisfatório’ (28,6%) e ‘Insatisfatório’ (0,8%). Ainda que 47,4% dos inquiridos classifique a variável de Novos Potenciais clientes como ‘Melhor’ e ‘Muito Melhor’, 32,3% consideram apenas ‘Satisfatório’. Mais de 20% atribuem uma classificação mais negativa.

Índice de confiança volta a aumentar

Se em 2023 o Indicador Geral de Confiança no ambiente de negócios era de 7,3, agora, em 2024, o valor aumentou para 15,7, o que demonstra a recuperação do índice de confiança neste último ano. A Estratégia de Negócio (28,3), o Volume de Vendas (22,3) e a Rentabilidade (18,6) são os indicadores que apresentam os valores de índice de confiança mais elevados, à semelhança do que se verificou no ano passado. Sem surpresas, o indicador de Liquidez dos Clientes é, uma vez mais, negativo, com um valor de -6,7 pontos. No entanto, e apesar de se manter negativo, o valor sofreu uma subida relativamente a 2023, onde o índice de confiança era de -13,9 pontos.

De forma global, e analisando a variação do índice de confiança, o indicador do Volume de Vendas é aquele que mais se destaca, com 10,1 pontos, seguindo-se os Novos Potenciais Clientes (9,1) e a Rentabilidade (8,7). A variação entre 2023 e 2024 do indicador geral do Índice de Confiança estabilizou-se nos 8,4 pontos.

O gráfico sobre a evolução do Índice de Confiança permite-nos concluir que, depois de um valor negativo (-3,1) em 2020, fruto do surgimento da pandemia de COVID-19, os anos que se seguiram foram mais positivos, com o crescimento para 7 pontos, em 2021, e novo crescimento em 2022 (11,8 pontos). Apesar da diminuição para 7,3 em 2023, o valor manteve-se positivo, aumentando mais do dobro já este ano.


Indicador geral do Índice de Confiança mais do que duplicou de 2023 para 2024: valor passou de 7,3 para 15,7 pontos


Serviços e indústria lideram verticais com maior crescimento

Os Serviços são, uma vez mais, o vertical com maior potencial de crescimento. Se em 2023 a percentagem era de 47%, este ano o valor é de 70%, o que representa uma subida de 23%. O setor da Indústria, que no ano passado ocupava a terceira posição, surge este ano na segunda posição, com 52%, o que reflete um aumento de 8%. Em terceiro lugar está o setor do Comércio e Distribuição, com 47%. De seguida surgem os setores da Administração Pública Central e Local, Tech, Saúde/Farmacêutico/ BioTech, Banca, Seguros e Serviços Financeiros com 41%, 40%, 35% e 33%, respetivamente. O setor da Educação, que no ano passado ocupava a antepenúltima posição do gráfico, com 11%, surge este ano mais acima no gráfico como o oitavo vertical com maior crescimento, com 24%.

À semelhança do ano passado, os dois últimos verticais são os transportes e o setor primário, com 8 e 6%, respetivamente.

Relação com os fabricantes: as características mais valorizadas

Os Parceiros foram desafiados a avaliarem os aspetos que mais valorizam na relação com os fabricantes. Tendo por base uma classificação entre ‘Pouco Importante’, ‘Algo Importante’, ‘Importante’, ‘Muito Importante’ e ‘Fulcral’, em 2024, a característica mais importante para os Parceiros, e que surge em primeiro lugar no gráfico, prende-se com a Facilidade de relacionamento com os fabricantes. 54,9% dos inquiridos classificaram esta característica como ‘Muito Importante’ e 27,1% como ‘Fulcral’. Em 2023 este era o terceiro aspeto mais valorizado pelos Parceiros; um ano depois, este é agora o aspeto mais importante na relação com os fabricantes.

A segunda característica mais valorizada em 2024 (ocupava a primeira posição em 2023) é a Qualidade do Apoio Técnico, com 43,6% dos inquiridos a classificar este ponto como ‘Muito Importante’ e 34,6% a classificarem como ‘Fulcral’.

Segue-se o fator das Margens e Rentabilidade Global como o terceiro ponto mais valorizado, com 36,8% a considerarem esta característica ‘Muito Importante’ e 39,8% a classificarem como ‘Fulcral’. Esta característica ganhou mais importância entre os Parceiros em 2024, depois de ter sido a quarta característica mais valorizada no Channel Survey de 2023. Após o shortage provocado com a invasão russa da Ucrânia, a Disponibilidade e Oferta do Produto passou de ser a segunda caraterística mais valorizada pelos inquiridos em 2023 para ser a quarta mais importante em 2024. Este ponto continua a ser ‘Muito Importante’ para mais de metade dos inquiridos (54,9%) e ‘Fulcral’ para 21,8%.

À semelhança do ano passado, o Co-marketing volta a surgir no fundo do gráfico como o aspeto menos valorizado entre os inquiridos, com 12% a classificarem-no como ‘Algo Importante’ e 2,3% a considerarem-no ‘Pouco Importante’. A gestão de conflitos com outros Parceiros também é uma das caraterísticas menos importantes na relação entre Parceiros e fabricantes, com 3% a considerarem este ponto ‘Pouco Importante’ ou apenas ‘Algo Importante’ (9%).

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