Rui Damião em 2021-9-15

A FUNDO

Fórum

A nova mobilidade

Mesmo que não tenha existido mobilidade, a pandemia acabou por acelerar este tipo de políticas dentro das organizações, que tiveram de se adaptar rapidamente a uma nova realidade. Alcatel-Lucent Enterprise, Claranet, Fortinet, HP, Ingecom, Lenovo, Logicalis, SOTI, VMware / Arrow, WatchGuard e Xerox partilham a sua opinião, oportunidades e desafios do mercado de mobilidade em Portugal

Gerir, trabalhar, estudar e socializar têm, pela primeira vez desde a revolução industrial, fronteiras mais ténues e dissociadas de rígidos espaços temporais e físicos. A criação de um novo quotidiano – pessoal e profissional – só é possível de materializar porque a tecnologia da mobilidade estava em grande medida disponível, mas os desafios que se continuam a apresentar são colossais.

A pandemia tornou grande parte dos colaboradores em trabalhadores remotos. Na mais disruptiva transformação das nossas vidas, estamos a criar um novo normal, cujos efeitos sociais são tão profundos que tornam largamente irreversíveis as alterações para lá da questão sanitária.

Desafios e oportunidades

2020 e 2021 ficaram marcados pela pandemia. No entanto, com os sucessivos confinamentos, não existiu mobilidade, mas sim trabalho fora do escritório. Esta realidade promove desafios e oportunidades para uma sociedade que, agora, experimenta a liberdade de movimentos e, ao mesmo tempo, está muito mais equipada para a mobilidade.

Paulo Porto, Technical Sales Engineer da Arrow, que neste fórum representou a VMware, afirma que “o maior desafio para as organizações passa por delinear uma estratégia eficaz de retorno ao escritório, respeitando toda a autonomia que os colaboradores foram ganhando durante esta temporada de teletrabalho. Quando as organizações tiveram de enviar os colaboradores para casa, fizeram-no de forma rápida e garantindo a continuidade de produção do seu negócio, muitas vezes negligenciado a segurança. Com a estabilização, foi-se procurando a implementação de soluções de mobilidade para dar autonomia aos colaboradores”.

João Justo Gonçalves, Business Developer Digital Connectivity da Claranet, indica que “os temas da segurança são um grande desafio e existe também uma oportunidade. Do lado do negócio, a oportunidade vem de muita gente ter ido trabalhar para casa e passar de postos físicos para móveis, o que também causou um enorme stress no mercado para fornecer os dispositivos. Diria que a oportunidade vem muito a partir da modernização das redes, do facto de as redes serem, agora, capazes de dar serviço aos colaboradores que se tornarem móveis e a pessoa poder estar conectado em qualquer lugar. É uma oportunidade que vai melhorar a capacidade dos colaboradores, existindo depois a questão da segurança”.

Pedro Coelho, Lead de Computação Pessoal da HP, partilha que, “depois do teletrabalho, há claramente oportunidades, que são óbvias pela preferência demonstrada pelos colaboradores de terem a oportunidade de escolher o local onde vão trabalhar e o seu horário de trabalho, em busca de maior produtividade. Do lado das organizações, há oportunidades do lado da exigência de dar esta flexibilidade aos seus colaboradores e serem, assim, empresas mais atrativas no momento de recrutamento ou de retenção dos colaboradores. Suportando este trabalho híbrido, as empresas acabam por ter uma base de recrutamento mais ampla porque deixam de estar limitadas a zonas geográficas”.

Rui Pereira, Business Development Manager de Digital Ready Infrastructure / Enterprise Networks & IoT da Logicalis, declara que, “desta vez, o denominador comum é que a mudança foi para todos, provocada por uma entidade externa, não dentro dos verticais de cada um dos negócios, mas de uma forma global. O híbrido está aí. As empresas tecnológicas já viviam esta realidade de forma natural; outros sofreram um impacto muito maior e as soluções que utilizavam não estavam preparadas para a velocidade da mudança e da adaptação que foi exigida. O que sentimos é que, apesar de já existir algum investimento no IT, esse investimento era acessório e apenas necessário para suportar a produção. Hoje, percebem que é necessário ter um cuidado e investimento maior”.

Rui Gouveia, Enterprise Business Manager da Lenovo, concorda que “o teletrabalho e a transição digital foram seguramente acelerados com a pandemia”, assim como o posto de trabalho. “Algumas tecnologias muito contribuíram para, de uma forma muito marcada, potenciar a mobilidade. É muito difícil falarmos deste conceito de posto de trabalho sem falarmos da mobilidade. Na maioria das empresas é uma tendência que só tem como acelerar, não há espaço para regressar ao paradigma antigo, de um posto de trabalho fixo, pouco adequado às necessidades corporativas dos dias de hoje. Essa mobilidade implica que tenhamos dispositivos que sejam leves, resistentes e com autonomia e que permitam que estejamos sempre ligados”, partilha.

António Pereira, Area Sales Manager da WatchGuard, afiança que “há uma oportunidade muitíssimo grande de conseguirmos ter, por parte dos colaboradores, um maior engagement e ter mais produtividade por parte dos mesmos. Haja equilíbrio naquilo que aterrarmos no pós-pandemia. O grande desafio é conseguirmos fazer este trajeto sem comprometermos a parte da segurança. Existem dois tipos de empresas: as que já investiram e prepararam, e outras que ainda têm muito investimento por fazer. Isso vai ser o maior desafio, conseguir entregar as ferramentas certas aos colaboradores e sem comprometer a segurança num ambiente mais diverso”.

Carolina Pereira de Sousa, Channel Specialist Iberia da SOTI, refere que, a nível de desafios, “se não houver uma boa ferramenta de gestão e segurança para todo o tipo de dispositivos, há mais tendência de surgirem problemas, como ciberataques que podem comprometer a empresa. No início da pandemia, por exemplo, houve um aumento de cerca de 35% nesse tipo de ataques. Também precisamos de soluções eficazes na eventualidade de haver problemas para estes serem resolvidos o mais depressa possível, utilizando, por exemplo, controlo remoto. Esta situação é tanto para o administrador de IT – que resolve o problema –, como para o colaborador que tem uma quebra de produtividade”.

Políticas de mobilidade

Mesmo as organizações que não as tinham antes da pandemia, contam agora com algum tipo de política de mobilidade ou trabalho flexível em prática. Importa perceber quais é que foram as principais aprendizagens deste período e como é que as empresas estão a melhorar as políticas para garantir que a produtividade dos seus colaboradores se mantém.

Pedro Dias, Country Manager da Alcatel-Lucent Enterprise, acredita que “a pandemia veio-nos trazer uma noção clara de que existem dois grandes bolos: os negócios que não podem ter este modelo, como uma fábrica, e os que podem. Vão continuar a haver requisitos para postos de trabalho fixos porque continuam a existir e porque o negócio assim o exige. Na segunda parte de utilizadores que podem – ou já tinham e gostaram da experiência – trabalhar fora do escritório vamos ter um equilíbrio com base no que é o tipo de negócio da empresa, a cultura do país, do que são as regras sociais e do que é a legislação”.

Paulo Pinto, Business Development Manager da Fortinet, explica que “há duas realidades que foram puxadas de forma violenta. Com a pandemia, colocámos na ordem do dia o tema do equilíbrio entre vida e trabalho; houve muita gente que foi colocada em teletrabalho pela primeira vez. Depois, vemos que podemos estar em casa ou no escritório – ou qualquer outro lado – e sem a tecnologia e a segurança adequada não teríamos esta mobilidade e os serviços que foram prestados. Nesta vertente, vemos as empresas a consolidar estratégias que rapidamente adotaram na altura, agilizaram processos de negócio; as empresas avançaram e agora estão a consolidar os seus processos”.

Carolina Pereira de Sousa, da SOTI, refere que “uma das grandes aprendizagens dos últimos tempos é que as empresas chegaram à conclusão de que não estavam preparadas para o teletrabalho; não havia portáteis para todos, a nível de segurança usavam-se – muitas vezes – os dispositivos pessoais e muitas vezes não tinham controlo de informação. Isso foi um risco muito alto para as empresas. Apesar de tudo, na maioria das empresas onde se aplicou teletrabalho, chegaram à conclusão de que os resultados foram melhores do que esperavam” ainda que, em termos de segurança, os resultados possam não ter sido totalmente positivos.

Rui Gouveia, da Lenovo, indica que “já havia uma tendência muito grande na área de mobilidade e essa adoção já era crescente. A pandemia veio acelerar algumas tecnologias e alguns formatos de PC, mas teve mais impacto na adoção das empresas do que nos fabricantes de PC – que alinharam o seu roadmap e as suas tecnologias. Na parte das clientes, há uma consciencialização muito maior para a necessidade de se ter infraestruturas flexíveis e muito adaptáveis e dinâmicas. Houve, também, a adoção de modelos como Device-as-a-Service, por exemplo, que se adaptam a este ambiente mais volátil”.

Vítor Dias, North Branch Manager da Xerox, relembra que “as empresas tiveram de mudar da noite para o dia. Tanto as que já estavam com programas de transformação como as que não tinham nada e tiveram de implementar algo. A mobilidade vai beneficiar deste salto tecnológico que foi dado com o teletrabalho. Como as empresas fizeram essa transformação num período mais caótico, agora há a hipótese de corrigir os erros e, com isto, aumentar a mobilidade que se vai proporcionar aos colaboradores. Houve a necessidade de criar novos mecanismos e fluxos para que as pessoas, em casa, tivessem o máximo de produtividade como se estivessem no escritório”.

Miriam Brito, Cybersecurity Technical Consultant da Ingecom, afirma que “as organizações foram obrigadas a expandir a sua superfície de proteção e a olhar não só para a segurança do perímetro interno, como também para toda a infraestrutura externa de cloud, para as plataformas colaborativas online e dos dispositivos. A principal aprendizagem passou pela gestão dos processos de segurança da infraestrutura, arquiteturas, processos, colaboradores e clientes finais das organizações. Para isso, foi necessário implementar novas medidas que vieram reforçar a segurança a nível externo” e que são capazes de mitigar as ameaças e fazer análises comportamentais dos utilizadores e dispositivos utilizados.

Rui Pereira, da Logicalis, diz que “as organizações aprenderam que têm de ser mais flexíveis em relação às condições de atuação dos seus colaboradores. Na grande maioria das situações, não houve uma mobilidade dinâmica, mas sim uma deslocalização do posto local de trabalho e a disseminação dos mesmos. Daí que essa flexibilidade foi conseguida, há notas positivas nessa condição de teletrabalho, mas as empresas também tiveram que aprender sobre essa condição para ter novas medidas de medição da produtividade e avaliação do colaborador em si. O que estamos a ver é uma continuação dessa aprendizagem e de uma utilização diferente dos recursos existentes”.

Gestão dos dispositivos

Num mundo híbrido – entre o ainda escritório clássico e os milhões de novos escritórios – é importante garantir a integridade aplicacional, dos dados e a usabilidade do espaço virtual de trabalho. Assim, uma das questões que as organizações colocam é como gerir eficazmente os dispositivos fisicamente presentes e aqueles que estão remotamente ligados à rede da organização.

Carolina Pereira de Sousa (SOTI) afirma que “para uma gestão eficaz dos dispositivos presentes ou ligados remotamente à organização, precisamos que sejam geridos a nível de conteúdos e segurança, de forma a evitar problemas e falhas nos dispositivos para que os colaboradores tenham acesso ao que lhes é necessário. A gestão eficaz também ajuda a gerir com o mesmo software vários tipos de dispositivos e vários sistemas operativos. Em caso de perda do dispositivo – que acaba por ser uma dor de cabeça pela perda de informação – a possibilidade de se puder bloquear toda a informação é um alívio” para a organização.

Paulo Porto, da Arrow, refere que “cada vez mais, as organizações se deparam com uma realidade muito mais exigente no que diz respeito ao end user computing. Muitas organizações também optam por formas de trabalhar flexíveis, preparando os colaboradores para serem autónomos e contarem com dispositivos capazes de entender onde se encontram e como se devem comportar consoante a localização. Através de tecnologias como SD-WAN e zero trust, conseguimos atingir um nível de segurança e, também, entregar a capacidade de efetuar o trabalho em qualquer lugar, em qualquer hora”.

Paulo Pinto, da Fortinet, indica que “se conseguíssemos imaginar uma infraestrutura onde os dispositivos fisicamente presentes ou remotamente ligados estão interligados, interagem e partilham informação entre si, de modo que a informação de uma possa ser utilizada para ativar funções noutra de forma integrada, temos uma resposta natural para a gestão eficaz porque criamos um ambiente propício à gestão de segurança dos dispositivos. A chave está na homogeneidade com que conseguimos ver a infraestrutura, como é que conseguimos interagir com os elementos e como é que eles interagem entre si”.

Vítor Dias salienta um estudo da Xerox que analisou os desafios das PME e explica que “85% das empresas afirmaram que nunca, como agora, foram tão indispensáveis as tecnologias de comunicação, as ferramentas colaborativas, o suporte remoto de IT e hardware e software de segurança. No terreno, das conversas que temos com clientes e colaboradores, um dos desafios foi o suporte remoto do IT” e de colocar a funcionar um dispositivo que deixava de o fazer. “Outro desafio é o espaço disponível e a distância física”, acrescenta o representante da Xerox, explicando que “tenho de ter uma forma de desmaterializar os documentos, tratá-los e classificá-los”.

Pedro Dias, da Alcatel-Lucent Enterprise, afirma que “a cloud – seja ela híbrida ou full cloud” é a resposta para garantir a integridade aplicacional em mobilidade. “Olhando para a componente de infraestrutura, imaginamos que uma empresa quer garantir que os seus funcionários tenham em casa as mesmas condições, nível de segurança e regras no acesso Wi-Fi que têm no escritório. Imaginando que uma empresa tem mil colaboradores, através de um ambiente tipicamente híbrido, todos estes dispositivos são geridos centralmente e para garantir essas condições, segurança e regras”, acrescenta.

Miriam Brito, da Ingecom, explica que, “com esta nova realidade, foi necessário um shift do mindset e aceleração dos processos de transformação digital das organizações, proporcional à adoção de mais dispositivos. Como tal, as organizações precisam de ser capazes de efetuar uma gestão eficaz e em tempo real destes dispositivos, independentemente da plataforma que utilizam. Também temos o conceito de soluções que permitem uma camada acrescida na gestão dos dispositivos, sendo que aliarmos a um MTD conseguimos ter uma segurança holística destes dispositivos mobile e a personalização de políticas com base nos comportamentos dos utilizadores”.

António Correia, da WatchGuard, aponta que “aquilo que é essencial compreender é que o perímetro se mantém, tem é que se gerir um sem número de conexões de todos esses milhares de escritórios que se criaram. É preciso garantir a identidade de quem se autentica. Cada vez mais, o que se aconselha é que se optem por soluções cloud, mas é preciso que no momento da autenticação – por exemplo, através de multifactor authentication – se consiga garantir que quem se está a ligar é de facto o colaborador e não é alguém que, através de estratégias de phishing ou malware, tenha conseguido ganhar privilégios e fazer-se passar pelo colaborador”.

Cibersegurança

A cibersegurança é um tema importante para as organizações e, durante a pandemia, foram várias as que foram atacadas. Neste sentido, as organizações devem não só melhorar a cibersegurança das suas infraestruturas, mas também sensibilizar os seus colaboradores e clientes finais para os perigos que daí resultam.

Paulo Pinto (Fortinet) refere que, “do ponto de vista mais pragmático, há um conjunto de controlos técnicos que devem ser implementados. Hoje, os endpoints são dos principais alvos, dos mais vulneráveis e com menos atenção porque são utilizados por pessoas menos técnicas, em locais em que usualmente não estavam. É crucial dar formação a todos os colaboradores das organizações; as pessoas necessitam de estar no centro da estratégia de cibersegurança. A maior parte dos ciberataques bem-sucedidos envolve interação com os colaboradores”.

Miriam Brito (Ingecom) explica que “é importante encararmos a cibersegurança de uma forma holística, não basta que as organizações reforcem a segurança da infraestrutura interna. Com a transformação digital, que foi quase imposta nestes últimos dois anos, estamos a assistir a uma modernização total de todos os pilares de cibersegurança, passando pelas infraestruturas internas, externas, dados existentes, aplicações, arquiteturas, processos e, ainda mais importante, as pessoas. É necessário estarmos sempre um passo à frente dos atacantes ao realizarmos testes de intrusão para perceber o risco real da organização”.

António Correia (WatchGuard) diz que “é muito importante que as empresas encontrem um Parceiro tecnológico que os consiga ajudar, que conheça muito bem qual é a sua infraestrutura, a sua realidade, atividade e vetor de atuação e que, de facto, consiga implementar uma solução que se adeque. Em termos tecnológicos, é muitíssimo importante optar sempre por uma política de zero trust. Devemos concentrar- nos em libertar aquilo que queremos que os colaboradores possam ter acesso e não fazer a abordagem contrária de ‘aqui não podes aceder, ou não podes executar’”.

João Justo Gonçalves, da Claranet, diz que “o verdadeiro endpoint é cada um de nós, o utilizador da tecnologia, os colaboradores. Temos que ver o que está a acontecer e perceber se a atividade que está a ter lugar é normal ou não. Outra tendência está ligada aos processos, à inteligência artificial, ao reporting e dar capacidade a quem está a fazer a gestão da rede – que é cada vez mais desmaterializada – ter aqui algumas capacidades de análise daquilo que está realmente a acontecer. As ideias tornam-se mais inteligentes e os processos de autenticação permitem assegurar que quem se está a autenticar é de facto legítimo e que está autorizado a fazê-lo”.

Pedro Coelho, da HP, acredita que “o PC tem de ser a primeira linha de defesa nestes cenários híbridos e de mobilidade. Partilhava um dado de um estudo recente que indica que 71% dos colaboradores admitiam que estavam remotamente a aceder mais a dados corporativos e com mais frequência do que acontecia no período pré-pandémico. Nesse mesmo estudo, 76% dos colaboradores reforçavam que a fronteira entre a vida pessoal e profissional se tinha tornado tão ténue, que frequentemente utilizavam o seu portátil corporativo para tarefas pessoais”, o que mostra a importância de uma boa segurança no dispositivo para proteger a organização.

Paulo Porto (Arrow) indica que “o primeiro passo devia ser analisar concretamente todos os dispositivos antes de retornarem à rede corporativa e garantir que não existem vulnerabilidades ou infeções; vários ataques já ocorreram e os atacantes estão apenas a aguardar que os dispositivos se liguem às redes corporativas para poderem atingir de forma mais eficaz as organizações. Também é preciso garantir o nível de patching recomendado, trocar as senhas de acesso, aplicar um conjunto de regras mais restritivas nos postos e fomentar o treino dos empregados em normas de segurança”.

Pedro Dias (Alcatel-Lucent Enterprise) refere que “é necessário complementar todas as medidas com a segurança na infraestrutura. A infraestrutura deve ser inteligente, adaptativa, conseguir reagir consoante os vários episódios que vão acontecendo e, hoje, as ofertas vão aprendendo e reconhecendo. Estamos a falar muito da componente do utilizador, mas não nos podemos esquecer que uma das grandes tendências atuais é a evolução dos projetos IoT onde o número de devices que são ligados à rede é exponencial” e a gestão desses dispositivos tem de ser automatizada.

Escassez de componentes

É impossível não falar da escassez de componentes que existe no mercado, até porque, durante o ano passado, o PC – que tão impactado foi por esta escassez – voltou a ganhar força no mercado, tornando-se numa peça essencial para continuar a trabalhar durante a pandemia.

Pedro Coelho (HP) indica que “temos um desafio que não se esgota na escassez de componentes; há também a questão dos complexos desafios logísticos que o aumento da procura criou nos últimos meses, com a dificuldade de capacidade de rotas logísticas. A verdade é que isto obrigou a encetar ações para resolver esta situação, esperemos nós, a curto prazo. Estabelecemos relações diretas e procurámos, com os nossos fornecedores, garantir o seu compromisso para um fornecimento atempado e em maior volume a curto e longo prazo”.

Rui Gouveia (Lenovo) explica que “o PC, obviamente, que está vivo e não se confirmam as notícias dadas há tantos anos; prova disso é o investimento que os fabricantes continuam a fazer em inovação e tecnologia. O PC também se tem transformado; algumas características do empresarial estão a ser adotadas nas linhas de consumo e vice-versa. Estas gerações mais novas privilegiam mais algumas características de entretenimento, de qualidade de construção e design e o PC empresarial teve que se adaptar a estas novas expectativas”.

Abordando mais o mercado de impressão, Vítor Dias afirma que a cadeia de valor atravessa “talvez o momento mais desafiante das últimas décadas. Tem sido um número de equilibrismo muito grande e só uma grande coordenação entre as fábricas, os transportes e os distribuidores e também uma entreajuda entre empresas. Quando um forecast permitia uma companhia de maior dimensão ter um excesso de produtos que não escoou com a velocidade desejada, ajudavam a suprir e a cumprir com fornecimentos críticos de outras companhias”.

João Justo Gonçalves (Claranet) diz que, “estando entre os clientes e os fabricantes, trabalhamos os dois lados. Junto dos fabricantes temos de alinhar as expectativas junto de todo o supply chain que está montado. Junto dos clientes, gerir expectativas para terem um maior planeamento, porque não pode ser tudo ‘para ontem’, não vai ser possível. Temos de gerir expectativas com aquilo que o mercado consegue entregar”.

Rui Pereira (Logicalis) refere que “este desafio da entrega de equipamento e a colocação do mesmo em funcionamento tem sido, porventura, a parte mais difícil dos projetos. Julgo que há um esforço muito grande dos integradores de cumprirem aquilo que o cliente espera numa fase de implementação dos projetos. Temos feito essa gestão de uma forma muito próxima, mas acarreta custos significativos do ponto de vista de logística com soluções provisórias”.

Para os Parceiros

Como é habitual, o Canal de Parceiros tem várias oportunidades de negócio neste mercado. Com os colaboradores a não terem de confinar em casa, é de esperar que as verdadeiras políticas de mobilidade comecem agora a dar frutos. Para isso, os vários fabricantes presentes nesta mesa-redonda partilharam o que é que têm para oferecer aos seus Parceiros.

António Correia partilha que “a principal oportunidade é de os nossos Parceiros serem capazes de ser um pilar na segurança dos seus clientes e atuarem como real managed service provider. Estou convencido que a WatchGuard pode ajudar através de toda a formação técnica e comercial que entregamos. É exatamente isso que o nosso Programa de Canal valoriza em detrimento, até, do volume de negócios; a capacidade de o Parceiro dominar a tecnologia e ser capaz de nos representar no terreno, e isso é win-win para todos porque, de facto, tudo funciona de uma forma mais eficaz quando há um compromisso por parte do fabricante e do Parceiro. Estou convencido que conseguimos endereçar todas as principais preocupações dos nossos clientes com soluções fáceis de implementar e gerir, assentes em políticas de zero trust”.

Carolina Pereira de Sousa indica que as oportunidades neste mercado “são várias. A SOTI está no centro da revolução tecnológica que surgiu com esta pandemia. O crescimento exponencial da procura por parte de empresas que querem gerir todos os seus dispositivos e garantir a segurança simples e prática fez com que os Parceiros nos procurassem mais, daí termos aumentado a nossa equipa em Portugal. A nossa plataforma é um conjunto integrado de sete soluções únicas de mobilidade e gestão, projetadas para reduzir o custo, a complexidade e o tempo de inatividade relacionados com a mobilidade crítica empresarial, aliada a um suporte conhecido no mercado como eficiente e de rápida resolução e que acabou por ser um fator chave para os negócios. Oportunidades há muitas, daí a SOTI estar a investir bastante no mercado ibérico, nomeadamente em Portugal”.

João Justo Gonçalves (Claranet) afirma que as oportunidades para os Parceiros vão “de encontro aquilo que temos estado aqui a dizer. O desenvolvimento tecnológico não parou e, hoje, temos a capacidade de trabalhar com os clientes na perspetiva de implementarem projetos que tinham ficado relativamente parados ao longo da pandemia e que vão agora tirar partido desta mobilidade que se instalou. Vamos ver redes mais capazes, mais presentes, mais multisserviços que falem vários protocolos – o Wi-Fi torna-se standard em todas as organizações, mas vai ser capaz de falar outros protocolos – para se interligar com outros tipos de aparelhos – como IoT, sensores – que vão tirar partido dessa mobilidade adicional e com esta camada de segurança que tem de estar presente para que tudo isto seja feito de forma racional. Esta é, claramente, uma oportunidade que alavanca, também, uma oportunidade ao nível dos serviços; esta desmaterialização das redes e o facto de tudo se poder ligar a partir de qualquer lugar, também pode ser gerida com vantagem através de tecnologia que já temos disponível através da cloud”.

Miriam Brito, da Ingecom, diz que as oportunidades para os Parceiros e para o Canal se “diversificaram significativamente. Hoje, os Parceiros podem não só tomar partido do extenso portfólio de ciberdefesa e cibersegurança que estamos a oferecer no mercado, como também das recentes certificações nesta área que permitem desenvolver os conhecimentos dos nossos técnicos em prol de um ambiente híbrido mais seguro, como por exemplo através da adoção de metodologias e auditorias zero trust. Existe, ainda, uma oportunidade neste mercado de partilha de conhecimentos intergerações que permite obter uma sinergia com as mais recentes perspetivas e inovações de cibersegurança que a camada mais jovem, recentemente formada, pode trazer para a ciberdefesa das organizações. Tudo isto proporciona oportunidades aos Parceiros e ao Canal não só de expandirem os seus conhecimentos e se manterem na vanguarda da inovação, mas também de tornarem o seu portfólio de soluções cada vez mais rentável para os seus negócios”.

Paulo Pinto (Fortinet) transmite que, na área da consolidação da tecnologia já com provas dadas, “houve este avanço para a digitalização, para a transformação do negócio em certas áreas, mas há vetores de ataques que continuam a ser explorados e há uma clara aposta da tecnologia, como a proteção do email, o desenvolvimento de API, de web application firewall e o tão referido endpoint, com as soluções de EDR. São áreas que podem não ser muito sexy quando abordamos o tema da segurança, mas são soluções já com provas dadas, que continuam a ser exploradas e que merecem atenção. Outra área tem a ver com a atualização dos modelos de segurança; estão a existir atualizações ao nível da infraestrutura – com o SD-WAN –, ao nível do modelo de segurança – passando da ideia de perímetro para uma segurança em zonas dispersas através de zero trust network access que é um modelo de segurança mais adaptado aos dias de hoje. Também há um conjunto de tecnologias novas, ou que estão a ser repescadas e atualizadas, na área de monitorização”.

Canal como apoio ao cliente

Paulo Porto, da Arrow, refere que “as oportunidades para os Parceiros estão diretamente relacionadas com a necessidade dos seus clientes. Independentemente de existirem soluções de A a Z no mercado, os clientes é que ditam os timings de adoção das tecnologias. No imediato, as oportunidades estão completamente alinhadas com o portfólio da VMware; temos soluções relacionadas com virtualização, com a proteção de endpoints, workloads virtuais e containers, soluções de SD-WAN e, por exemplo, a parte de end user computing, onde a VMware conta com o Workspace ONE. Esta última solução permite entregar, de forma segura, a capacidade de controlar todo o parque informático, ao mesmo tempo que entrega autonomia ao utilizador final e facilita, também, a colaboração entre colegas”.

Pedro Coelho (HP) afirma que “o momento atual, com a transição para um modelo híbrido, exige a revisão do parque informático e, até, a revisão dos perfis de utilizador em cada organização. As empresas precisam de Parceiros que sejam capazes de os apoiar neste esforço de revisão, que sejam capazes de propor e fornecer as soluções de mobilidade adequadas – ou seja, os portáteis e os dispositivos móveis para os colaboradores que são efetivamente móveis –, não esquecendo que existem colaboradores que estão num posto fixo e não precisam de um portátil. Também há a necessidade de complementar a oferta de dispositivos com soluções de segurança. Compete aos Parceiros sensibilizar os clientes para os riscos emergentes e para os que ainda são desconhecidos a nível de cibersegurança e também compete aos Parceiros dar uma resposta quanto à necessidade de ter no PC a primeira linha de defesa. Há muito tempo que a HP integra a segurança de forma intrínseca nos seus PC e impressoras e, diria, é o fabricante ideal para Parceiros e clientes estruturarem as suas soluções a nível do endpoint”.

Pedro Dias partilha que existem muitas oportunidades para os Parceiros, “tanto em quantidade, como diversas. Na Alcatel-Lucent Enterprise, 100% do nosso negócio é feito através do Canal; não existem vendas diretas e todo o negócio que alavancamos é feito em conjunto com os nossos Parceiros. Dentro do portfólio que oferecemos existem possibilidades consoante a estratégia de cada uma das empresas e a sua necessidade de ir investindo nestas várias transições e abordagens, seja para permitir que os seus colaboradores tenham mais capacidade em ambientes de teletrabalho – assegurando que são geridos centralmente e com toda a segurança e facilidade –, mas também vemos que num futuro muito próximo voltará a haver por parte das empresas um maior investimento em renovar – que esteve relativamente parado nos últimos dois anos – a sua infraestrutura do escritório”.

Rui Gouveia indica que, “nesta fase, é mais importante do que nunca as empresas adotarem as ferramentas e as tecnologias certas, investindo em infraestruturas que lhes permitam o trabalho no escritório, remotamente ou em mobilidade. Os Parceiros podem ser uma ajuda fundamental na definição de caminho de transformação digital das empresas adotando um papel de consultor que, depois, vai alavancar e de onde vão chegar algumas oportunidades de negócios, por exemplo, nas áreas de colaboração, de mobilidade e de segurança. A Lenovo, como sempre, conta com o apoio dos Parceiros para endereçar essas necessidades de mercado, até porque são os Parceiros que conhecem as tecnologias que existem, interpretam as diferentes ofertas dos fornecedores e vão perceber quais as que se adequam melhor aos seus clientes”.

Com uma perspetiva necessariamente diferente, Rui Pereira, da Logicalis, afirma que “a oportunidade é criar e implementar soluções que ajudem a transformação digital das empresas de forma resiliente e agnóstica. Isto são soluções que têm de ser pensadas em disponibilidade, combinar mobilidade, robustez e segurança e geradas em tecnologia standardizada e agnóstica. Tem de existir uma transversalidade desta capacidade de puder ligar coisas de diferentes origens e fabricantes. Para a Logicalis, a conectividade segura, resiliente e agnóstica é a fórmula capaz de combinar o presente e o futuro, é um dos veículos que permite a evolução digital das empresas, no que diz respeito às otimizações desejadas”.

Vítor Dias diz que “os vários anos que tenho de Xerox permitiram-me assistir a uma transformação muito interessante que foi a passagem de uma empresa muito direta para uma empresa que – já há alguns anos que o podemos dizer – é claramente de Canal. Em Portugal, a faturação através dos Parceiros chega a atingir os 90% de toda a faturação. A primeira responsabilidade que temos para com o Canal é que tudo o que desenvolvemos tem como preocupação primordial que seja ‘marketizável’ e comercializada através do Canal de Parceiros. Isto proporciona um portfólio diversificado com lançamentos e atualizações de apps, software e tecnologia que colam com as tendências e desafios. Outra responsabilidade é conhecer esse portfólio. Existe uma responsabilidade de o fabricante passar o conhecimento para o Canal de Parceiros; amanhã serão eles a nossa extensão no face a face com os clientes”.

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