2026-7-23
Num evento que reuniu contributos de Dell Technologies, Microsoft e AMD, a TD SYNNEX colocou a Inteligência Artificial no centro da discussão, com argumentos centrados na maturidade desigual das organizações, na pressão sobre a infraestrutura e na necessidade de transformar a experimentação em casos de uso reais
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A envolvência da Serra de Sintra, Longa Resort Hotel, serviu de pano de fundo para o evento da TD SYNNEX, em conjunto com a Dell Technologies, Microsoft e AMD. Com o tema “AI Everywhere: From Device to Data Center”, Raul Castro, Senior Sales Director da TD SYNNEX, lançou o mote para mais um encontro de Parceiros, responsáveis por ajudar a levar ao mercado tecnologia e soluções de valor. O responsável recordou que o mercado da distribuição tem passado por mudanças significativas e que “o box-mover, per si, vai continuar a existir”, mas terá de acrescentar valor à cadeia. A distribuidora procura, por isso, posicionar-se como um “facilitador e um consultor de confiança”. Num momento marcado por constrangimentos no mercado, Jonas Carneiro, Channel Sales Manager da Dell Technologies em Portugal, apontou a evolução da Inteligência Artificial (IA) como a revolução “mais rápida, mais poderosa e mais eficiente”. “A democratização da IA está a acontecer”, garantiu, defendendo a importância do caminho conjunto entre Parceiros, fabricantes e distribuidores. A IA já chegou, mas a maturidade ainda não é igual para todos No arranque da mesa-redonda que juntou Dell, Microsoft e AMD, Sofia Luís, EMEA Senior Partner Development Manager Microsoft, com responsabilidade pela conta Dell Technologies, reforçou que a “AI Everywhere” já é uma realidade e não apenas “uma visão futurística”, ainda que com “níveis de maturidade muito distintos” entre organizações. O tecido empresarial inclui empresas em fase de experimentação, outras em escala parcial e um grupo mais avançado, que já opera como verdadeiras “Frontier Firms”. Na perspetiva de Sofia Luís, a maturidade está mais visível na produtividade dos colaboradores, através do Copilot integrado no M365; no apoio e atendimento ao cliente; e na análise inteligente de dados aplicada a processos operacionais. Jonas Carneiro desmistificou também a ideia de que os grandes projetos de IA existem apenas nas grandes empresas. “Temos visto que são as próprias PME que têm mais maturidade que as grandes empresas”, defendeu o responsável de Canal, que considera que o principal obstáculo à implementação de IA “não é tecnológico, é cultural”. O primeiro passo implica definir o caso de uso, os objetivos e o retorno esperado. Pelo caminho, é necessária uma comunidade de Parceiros e entidades que garantam aporte real ao projeto. José Domingos, Europe BPM – AMD Datacenter da TD Synnex, acrescentou outro ponto à conversa. “Temos de ser logo honestos e perceber que ninguém vai treinar aqui nenhum Large Language Model (LLM). O que nós vamos fazer é inferência”. Na perspetiva do responsável, a maior maturidade está no endpoint, onde o ROI “é a coisa mais rápida de conseguir demonstrar”, seja ao nível da produtividade, da segurança ou da eficiência. No posto de trabalho, a utilização de IA é já uma realidade, ainda que seja necessário controlar os modelos e torná-los mais corporate do ponto de vista do IT. Cláudia Fernandes, Client Solutions Product and Marketing Manager Iberia da Dell, afirmou que, com a chegada dos AI PC, as organizações têm de repensar a forma como encaram o posto de trabalho. “O AI Everywhere não é futuro, já está aqui. A diferença agora é tentar adaptar os processos das empresas, dos nossos clientes para que seja o mais seguro possível”. Do lado do Canal, esta realidade reforça o papel consultivo do fabricante. “Temos de ser mais consultivos para o Canal e temos de olhar para a experiência de utilização e perceber o que é que o utilizador vai fazer”. Questionada sobre o papel dos Copilot+ PC no redesenho da relação entre utilizador, dispositivo e cloud, Sofia Luís apontou para uma “mudança estrutural e profunda”. O modelo tradicional está a dar lugar a uma “lógica híbrida com a IA distribuída entre edge (device) e a cloud”, assente em latência e experiência do utilizador, privacidade dos dados e custo. Para a responsável, o Copilot+ PC não é “apenas um novo device”, mas “a base de um modelo onde o Windows se torna a plataforma que liga utilizador, IA e negócio, do chip até à cloud”. Da experimentação ao valor: onde entram os Parceiros Os bloqueios à passagem da IA para produção existem em várias frentes, mas o ponto de partida, na visão de Jonas Carneiro, continua a ser perceber exatamente “o que é que se pretende fazer”. “O primeiro fio do novelo” está no business case; só depois é possível desenhar o plano e escolher os elementos certos. “Sozinho vou mais rápido, mas juntos vamos mais longe”, reiterou. Com a IA presente em várias camadas, do endpoint aos servidores e data centers, José Domingos voltou à ideia de que o foco deve estar menos no treino de grandes modelos e mais na sua utilização concreta. A oportunidade para o Canal está na ajuda que o ecossistema pode dar aos clientes para passarem da curiosidade para casos de uso controlados, seguros e com impacto operacional mensurável. Para o Canal, o caminho pode começar no endpoint, onde é mais simples provar valor, e evoluir depois para o data center, “uma oportunidade de ouro”, segundo José Domingos, devido à capacidade de escalar soluções e valor económico. A ideia assenta em compreender o que o cliente pretende fazer, escolher “modelos específicos para coisas específicas” e usar a infraestrutura na sua totalidade. Houve ainda espaço para abordar o papel da distribuição na desconstrução da complexidade que a IA. Para o responsável, nem todos os Parceiros têm dimensão, tempo ou recursos para dominar todas as soluções, pelo que o distribuidor deve funcionar como “agregador”, transformando conhecimento disperso em valor acionável, disponibilizando ferramentas, equipamentos para testes e apoio em provas de conceito. Neoclouds pressionam preços e aceleram a corrida à infraestrutura Questionado sobre o fenómeno das neoclouds, Jonas Carneiro considera-o como um dos principais responsáveis pela escalada de preços no setor. “É por causa das neoclouds que os preços estão a subir”, sublinhou, acrescentando que este investimento está a desviar a produção dos grandes fabricantes de GPU e memórias para projetos em escala, onde existe mais margem e um maior retorno. “Os preços “vão continuar a aumentar até ao final de 2028”, anunciou o manager, numa fase em que o edge assume importância estratégica, por ser “onde se vai dar o processamento real-time da IA” como motor de crescimento futuro do setor. O last mile da IA passa pelo ambiente híbrido No seguimento da reflexão sobre “AI Everywhere”, Sofia Luís abordou o papel do Windows Server nesta arquitetura de IA distribuída entre dispositivo, edge, data center e cloud. Para a responsável da Microsoft, o ponto de partida é claro: “a IA não vive só na cloud”, até porque “grande parte dos dados empresariais não está na cloud”, mas em data centers on-premises e ambientes híbridos. Antecipando a necessidade de uma “infraestrutura híbrida preparada para IA”, Sofia Luís destaca o Windows Server como uma “plataforma de execução para IA”, capaz de correr workloads onde os dados residem. “Se o Copilot representa a experiência e o Azure representa a escala, o Windows Server representa o last mile de execução empresarial”, sintetizou. Os argumentos que tornam a IA mais vendável Na reta final da conversa, Cláudia Fernandes apontou para quatro fatores diferenciadores na hora de vender a proposta de valor da IA: segurança, que continua a ser um trunfo de fácil demonstração; a produtividade e a experiência de utilização, os argumentos mais simples de fazer entender ao cliente; e sustentabilidade, um fator relevante, mas mais difícil de comunicar. “As empresas que conseguirem combinar inteligência e confiança vão acelerar crescimento, eficiência, experiência de cliente e inovação, e os Parceiros que souberem orquestrar essa transformação tornam-se essenciais nessa jornada”, concluiu Sofia Luís.
Conteúdo co-produzido pela MediaNext, pela TD SYNNEX e pela Dell Technologies
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