2018-9-24

OPINIÃO

Operacionalizando o Digital Workplace

Ao revisitarmos o ecrã do iPhone original de 2007, o mais surpreendente é quão diminuto nos parece agora, com as suas 3,5 polegadas de diagonal. Este ano, a Apple prepara- -se para introduzir um iPhone com um ecrã com quase o dobro da diagonal deste, 6,5 polegadas, fazendo frente ao Galaxy Note 9, de 6,4. A tendência é clara: 11 anos após o primeiro iPhone, a noção do tamanho aceitável para um smartphone mudou radicalmente

Steve Jobs considerava, então, que um smartphone deveria ser operável com uma só mão – mas essa barreira há muito foi ultrapassada.

Note-se que 7 polegadas de diagonal, até há não muito tempo, era território reservado a tablets. Talvez seja este o limite para um telefone, talvez não os vejamos surgir com dimensões acima, a não ser que os ecrãs dobráveis se tornem norma.

A Samsung percebeu, há muito, que a dimensão acrescida torna o telefone uma ferramenta de trabalho a tempo inteiro, e posicionou-o para o mercado empresarial.

Cada vez mais, existirão profissionais que passam mais tempo em frente a um ecrã de telefone do que a um de computador portátil. Poderemos perguntar-nos se faz sentido que aplicações de RH ou de contabilidade sejam usadas em ecrãs comparativamente tão pequenos. É verdade que não é previsível que os smartphones venham a substituir os computadores pessoais como ferramenta de produtividade para aplicações mais complexas. Mas é expectável que exista continuidade de trabalho, de forma transparente, quando o utilizador muda de dispositivo e de dimensão de ecrã. O moderno conceito de digital workplace é mais do que uma “intranet 2.0”.

Num documento de estratégia, a Comissão Europeia elenca as seguintes seis características que dele se deverão esperar:

  1. Uma combinação equilibrada de dispositivos móveis, disponibilizados pela empresa ou BYOD, permitindo a conexão em qualquer lugar e a qualquer momento. Existem restrições quanto ao uso de ferramentas empresariais em dispositivos privados e vice-versa, mas podem ser resolvidas com um bom compromisso entre usabilidade e segurança;
     
  2. Automação de escritório compreendendo sistemas operativos suportados, processadores de texto, folhas de cálculo, ferramentas de criação de apresentações, acesso a ficheiros, etc. Uma arquitetura que permita serviços híbridos torna-se progressivamente mais importante especialmente quando a dimensão da mobilidade é incorporada;
     
  3. Mail & Calendaring, incluindo o papel central do e-mail e sua integração com as ferramentas de calendário, como forma de enviar mensagens, partilhar informações, gerir o tempo e as reuniões;
     
  4. Comunicação Unificada abrangendo diferentes fontes de comunicação real e quase em tempo real, que incluem videoconferência e o futuro da telefonia (baseado em Apps);
     
  5. Colaboração e redes sociais, cobrindo os principais aspetos da colaboração (do documento às tarefas), comunidades, redes sociais;
     
  6. Integração e Gestão de Identidade e Acesso. O futuro digital workplace será baseado numa plataforma híbrida com uma combinação de soluções locais e baseadas na cloud.

A operacionalização do digital workplace é uma das principais missões dos departamentos de sistemas de informação nas organizações, para os próximos anos. Mas ao contrário do que acontecia no passado, esta será uma tarefa agregadora de toda a organização, em que cada um tem uma palavra a dizer, da escolha do dispositivo à ergonomia das aplicações. Para os utilizadores finais nas organizações, o digital workplace é a face visível da transformação digital. E, neste caso, quem vê a cara vê, provavelmente, também o coração.

 

Henrique Carreiro | Docente de Cloud Computing e Mobilidade Empresarial na
Nova Information Management School

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