2018-3-06

OPINIÃO

Falta-nos gente: a qualificação dos recursos em IT

É urgente que as empresas e os colaboradores trabalhem em conjunto nos planos de formação e atualização.

Se tivesse que assinalar a pergunta que mais frequentemente me é feita por CIOs e responsáveis de sistemas de informação, seria a seguinte: “Falta-nos gente. Não conhece ninguém que…?” E leia-se, no espaço das reticências, “saiba de Segurança”, “saiba de Hadoop”, "saiba de Salesforece.com”, saiba, enfim, das plataformas mais usadas até às mais incomuns. E esta pergunta é, com frequência, acompanhada de uma preleção sobre a inadequação de uma parte significativa das equipas atuais às mudanças em curso, ou que se adivinham.

Talvez nestes últimos meses, as alterações tenham sido muito rápidas, talvez tenha, na verdade, muita gente da área de IT emigrado para países com melhores condições contratuais, talvez a expansão económica leve, na realidade, a uma maior procura de quadros nas áreas de sistemas e tecnologias da informação. Talvez exista uma influência de todos estes fatores, mas estou em crer que não houve até agora, não digo em todas, mas numa maioria de empresas, a consciência da velocidade da evolução em parte potenciada pela cloud e pela forma como agora o software é atualizado, na maioria das plataformas que dependem do online. Longe vai o tempo das atualizações relativamente controladas, de três em três anos, quando não mais.

Agora, desde as aplicações de produtividade base, até às plataformas de suporte ao negócio, todas integram as mudanças possibilitadas pela adoção de metodologias ágeis, por DevOps e, em última análise, pela concorrência global. O resultado são equipas residentes em rápida desatualização, e escassez de recursos no mercado com cohecimento das aplicações mais recentes.

A questão não vai melhorar. Na verdade, todos os fabricantes de software estão a apostar no desenvolvimento para nuvem em primeiro lugar e é fácil perceber porquê: o controlo do ciclo de desenvolvimento e implementação é muito maior, infinitamente maior. E a flexibilidade em termos de modelo de negócio também. Mas como o ciclo de novas versões na nuvem é de três semanas a um mês, a obsolescência de conhecimento está a atingir níveis nunca dantes vistos nesta indústria.

É urgente que as empresas e os colaboradores trabalhem em conjunto nos planos de formação e atualização. Não numa vez, num modelo “ligar-desligar” mas de uma forma contínua. Na área de sistemas de informação atuais, dois ou três anos sem atualizações de competências configuram situações dramáticas para o colaborador e para a organização. A desadequação entre a necessidade e a oferta não precisa sequer de tanto tempo.

Agora que o ano de 2018 ainda está no início, é uma boa altura para ser feita a pergunta: qual é o plano de formação das pessoas de IT na empresa? Se a resposta for um encolher de ombros, como é em muitos casos, há um problema grave e que exige atenção urgente. Não é apenas um problema pessoal em crescendo para alguns colaboradores que correm o risco de se tornarem redundantes, não é apenas o problema da dificuldade que a empresa terá em encontrar os tais ambicionados quadros com conhecimentos das novas plataformas, é antes – e sobretudo – um problema de competitividade. E esse não é um problema apena de IT, é estratégico. E isto é algo para ser rapidamente interiorizado pela gestão de topo. Como acontece, aliás, com qualquer outro problema estratégico.

Henrique Carreiro | Docente de Cloud Computing e Mobilidade Empresarial na Nova
Information Management School

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RH TI

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