Henrique Carreiro em 2026-5-14

OPINIÃO

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Como as restrições à Nvidia estão a abrir espaço à Huawei

Quando Jensen Huang afirmou recentemente que a Nvidia passou de cerca de 95% de quota no mercado chinês de chips avançados para zero, estava, de facto, a descrever uma alteração estrutural no mercado de computação para inteligência artificial

Como as restrições à Nvidia estão a abrir espaço à Huawei
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As restrições norte-americanas deixaram de atingir apenas os chips mais poderosos da empresa. Passaram também a condicionar produtos desenhados para cumprir regras anteriores, como o H20, criado precisamente para manter clientes chineses dentro dos limites impostos por Washington.

O ponto de viragem chegou em Abril de 2025. A Nvidia comunicou à SEC (o regulador da bolsa americana) que o Governo dos Estados Unidos passara a exigir licença para exportar o H20 para a China, Hong Kong e Macau. A empresa registou 4,5 mil milhões de dólares em ajustamentos relacionados com inventário excedentário do H20 e compromissos de compra já assumidos. Antes da nova exigência, o H20 ainda tinha gerado 4,6 mil milhões de dólares em vendas trimestrais.

Esse espaço é agora disputado por fornecedores chineses, com a Huawei à cabeça. A empresa fez do Ascend o centro da sua oferta para IA e planeia produzir cerca de 600 mil unidades do Ascend 910C em 2026, aproximadamente o dobro do volume estimado para 2025. A Huawei tenta reduzir a distância por integração com os restantes produtos do seu vasta gama: placas Ascend, servidores Atlas, interligação própria, software CANN e adopção por clientes domésticos. A Nvidia mantém vantagem no ecossistema CUDA e no treino de modelos de fronteira, mas parte do trabalho real está a migrar para um stack alternativo.

O efeito industrial das sanções mede-se pelo efeito inverso. Uma política concebida para limitar o avanço chinês em IA está também a criar volume para fornecedores chineses. Apesar de um alguma diferença de capacidade tecnológica ser ainda visível, o fosso desaparece depressa: a aprendizagem acelera quando há encomendas, falhas a corrigir e produção a escalar. Em breve, se o passado serve de sinal, a paridade chegará.

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