Filipa Barros, Senior Consultant na Michael Page, Information Technology em 2021-9-27

OPINIÃO

Liderança

A empresa do amanhã: o elemento-chave para o sucesso

O ano de 2020 foi marcado por grandes mudanças, exigindo de todos nós capacidade de adaptação e resiliência, de modo a sermos capazes de enfrentar os desafios impostos pela situação pandémica

Filipa Barros, Senior Consultant na Michael Page, Information Technology

Naturalmente, este impacto foi também sentido no tecido empresarial, o que gerou um grande desequilíbrio e teve um peso bastante diferente para os diversos setores. De acordo com a Informa D&B, cerca de 200 mil entidades empresariais, em Portugal, foram afetadas pela COVID-19, destacando-se, no topo da lista, setores como o Alojamento e Restauração, Transportes e Retalho. Este fenómeno pode ser facilmente explicado pelas medidas de restrição impostas pelo Governo, bem como pelas características do próprio negócio. Por outro lado, os dados indicam que as empresas mais orientadas para o mercado externo conseguiram ser mais resilientes. Esse efeito foi particularmente visível em empresas de IT, pois, muitas delas estão focadas no mercado internacional (cerca de 58%) e conseguem funcionar em plenitude, mesmo com os seus colaboradores em teletrabalho.

Parece que nem tudo são más notícias! Com o surgimento da pandemia, criaram-se novas janelas de oportunidade para a inovação. De acordo com a OCDE, em abril de 2020, foram criadas mundialmente cerca de 148 soluções diferenciadoras de combate à COVID-19, das quais, 11% foram desenvolvidas em Portugal.

De modo geral, o cenário das startups em Portugal tem vindo a crescer, especialmente em Lisboa e Porto, uma tendência nos últimos 2 anos. De acordo com a Scaleup Portugal, quando comparadas as “TOP25 Startups 2019” com as “TOP25 Startups 2020”, observamos que houve um decréscimo de 39,3% do dinheiro investido, mas por sua vez, houve um aumento de 60,1% do Revenue. Estes resultados devem-se, em parte, a um crescimento das empresas de e-commerce e fintechs, durante o ano de 2020. Podemos ainda verificar que na lista das “TOP25 Startups 2020”, destaca- se o vertical de “Consumer & Web”, com 44% de representatividade, seguindo-se “Information and communication technolog y” (28%), “CleanTech & Industry 4.0” (16%), e por último “MedTech & Health IT” (12%). Com base nos resultados, podemos verificar que, de facto, alguns setores para além de não terem sido negativamente afetados, ainda conseguiram tirar partido das mudanças provocadas pela pandemia.

Sugiro uma breve reflexão. Será que os dados apresentados serão representativos da nossa realidade daqui a 5 ou 10 anos? Provavelmente, não. Existem múltiplos fatores externos que podem influenciar o sucesso de uma determinada empresa, independentemente da sua dimensão ou setor no qual atua. Por isso, vamo-nos focar naquilo que podemos controlar.

O que poderá ser determinante para o sucesso de qualquer empresa? A resposta é: Uma liderança de sucesso!

Existem várias teorias sobre liderança, diferentes modelos e metodologias. No entanto, parece ser consensual que o fator-chave para o sucesso de qualquer líder, mais do que o seu QI (inteligência intelectual), é a inteligência emocional. Como sabemos, o mercado está em constante mudança e, por isso, as competências que serão necessárias para os líderes do próximo século poderão ser radicalmente diferentes das que são valorizadas nos dias de hoje. Posto isto, só os líderes emocionalmente inteligentes serão capazes de apresentar bons níveis de resiliência quando confrontados com a mudança e a adversidade.

De acordo com Daniel Goleman, a inteligência emocional assenta em 5 competências principais. Em primeiro lugar, é fundamental termos “autoconsciência” dos nossos sentimentos, logo de seguida, vem o “autocontrolo”, que é uma competência que nos permite criar estratégias para regularmos as nossas emoções e comportamentos. Outra componente-chave é a “motivação”, que consiste na capacidade de usarmos as nossas preferências mais profundas e intrínsecas para alcançarmos os objetivos. A “empatia” é também fundamental e permite-nos criar relações de confiança e ambientes de trabalho mais positivos. Por último, mas não menos importante, as “aptidões sociais” – comunicação assertiva e transparente, capacidade de negociação e persuasão.

Embora não haja uma fórmula mágica, a Inteligência Emocional pode ser aprendida e potencializada. Deixo aqui algumas dicas: - Experimente praticar mindfullness. Deste modo, irá aprender a gerir os seus pensamentos e emoções. Esta prática irá promover a sua autoconsciência, autocontrolo e, até mesmo, a sua capacidade de empatizar com os outros.

Torne-se um melhor comunicador, aprenda a negociar e a persuadir através de role-plays e sessões de feedback.

É importante termos líderes emocionalmente inteligentes, mas as empresas também se devem preocupar em potencializar esta competência a nível organizacional. Há diversos estudos que indicam que todas as organizações eficientes têm uma dose saudável de inteligência emocional e as empresas que não tenham esta competência desenvolvida ficam numa posição de maior vulnerabilidade perante variáveis externas que não podem controlar.

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