2026-10-20

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Mercado mundial de smartphones cai 20% no terceiro trimestre

O aumento dos custos das memórias e do armazenamento está a pressionar os fabricantes e a reduzir os envios de equipamentos. Samsung e Apple reforçam a liderança, concentrando 45% do mercado mundial

Mercado mundial de smartphones cai 20% no terceiro trimestre
Andrey Popov / AdobeStock

O mercado mundial de smartphones registou uma queda de 20% no terceiro trimestre de 2026, face ao período homólogo, segundo estimativas preliminares da Omdia. A contração representa um agravamento significativo em relação ao segundo trimestre, quando os envios tinham diminuído 6%, e coloca o mercado no nível mais baixo para um terceiro trimestre desde 2013.

O aumento persistente dos custos das memórias e do armazenamento está a condicionar as estratégias dos fabricantes, que enfrentam maiores dificuldades para manter preços competitivos e proteger as margens de rentabilidade. A pressão é particularmente elevada nos equipamentos de entrada de gama, levando algumas marcas a reduzir os volumes de distribuição de modelos menos rentáveis.

Os envios diminuíram também em comparação com o trimestre anterior, apesar do lançamento de novos equipamentos de topo e da preparação do Canal de distribuição para a época de maior consumo no final do ano.

Samsung e Apple reforçam domínio do mercado

A contração do mercado está a acentuar a concentração das vendas entre os principais fabricantes. Samsung e Apple representaram, em conjunto, 45% dos smartphones enviados a nível mundial no terceiro trimestre, um aumento de aproximadamente oito pontos percentuais face ao período homólogo de 2025.

A Samsung manteve a liderança, com uma quota de mercado de 23%, apesar de também ter registado uma diminuição dos envios em termos homólogos. Segundo a Omdia, a diversidade do seu portfólio e a presença consolidada no canal de distribuição internacional contribuíram para atenuar o impacto da quebra do mercado. O lançamento dos Galaxy Z Fold8 e Flip8, em agosto, reforçou ainda o posicionamento da fabricante no segmento premium.

A Apple ocupou a segunda posição, com uma quota de 22%. A procura pela família iPhone 17 e a chegada dos iPhone 18 Pro e Pro Max, em setembro, ajudaram a sustentar o desempenho da marca. A Omdia destaca também a entrada da Apple no segmento dos smartphones dobráveis, com o iPhone Duo, como uma oportunidade para diversificar a oferta e captar novos consumidores.

Embora a Inteligência Artificial (IA) ainda não seja um dos principais fatores de decisão de compra, a consultora considera que funcionalidades como o Apple Intelligence podem ganhar importância na diferenciação da experiência de utilização e na fidelização dos clientes.

A Xiaomi manteve a terceira posição, com 12% do mercado, seguida da Oppo, incluindo Realme e OnePlus, com 9%. A Vivo completou os cinco maiores fabricantes, com uma quota de 8%.

Aumento dos custos penaliza equipamentos mais acessíveis

A subida dos preços dos componentes está a afetar os diferentes segmentos do mercado, mas as consequências são mais pronunciadas entre os fabricantes com maior dependência de equipamentos económicos.

Nestes segmentos, as margens de rentabilidade já são reduzidas, dificultando a absorção dos aumentos de custos sem repercutir parte da subida no preço final. Como resposta, os fabricantes estão a rever os seus portfólios, privilegiando equipamentos com preços médios de venda mais elevados e reduzindo a exposição a modelos de menor rentabilidade.

“O aumento dos custos dos componentes e as diferentes respostas dos fabricantes estão a transformar o panorama competitivo, mas a quota de mercado, por si só, não conta toda a história”, afirma, em comunicado, Hayden Hou, Principal Analyst da Omdia, em comunicado.

O analista considera que o desempenho das marcas deve ser avaliado não apenas pelo número de unidades distribuídas, mas também pela evolução das receitas e da rentabilidade. As decisões tomadas durante este período, nomeadamente no desenvolvimento de Parcerias de Canal, soluções de financiamento e portfólios premium, podem influenciar a posição competitiva dos fabricantes quando a pressão sobre os custos diminuir.

Para os fabricantes com maior presença nos mercados emergentes, o desafio é particularmente complexo. A redução dos envios pode proteger as margens no curto prazo, mas também enfraquecer a visibilidade das marcas e a sua presença junto dos distribuidores e retalhistas.

Lucas Zhong, Senior Analyst da Omdia, alerta, também em comunicado, que recuperar essa presença pode demorar vários anos, defendendo uma seleção mais criteriosa dos mercados e produtos em que os fabricantes investem.

Canal de distribuição enfrenta maior pressão sobre preços e inventários

As perspetivas para o último trimestre de 2026 continuam condicionadas pelos custos dos componentes. A Omdia considera pouco provável que os lançamentos de equipamentos de topo, as campanhas promocionais e a procura associada à época festiva sejam suficientes para compensar integralmente as dificuldades do lado da oferta.

Neste contexto, a gestão de inventários assume maior importância para fabricantes e Parceiros de distribuição. A consultora destaca também o papel dos programas de financiamento, das campanhas de retoma de equipamentos usados e das Parcerias com operadores de telecomunicações para facilitar a renovação dos smartphones sem depender de descontos generalizados.

A subida dos preços está igualmente a alterar as expectativas dos consumidores, podendo favorecer equipamentos de maior valor nos próximos ciclos de substituição. No entanto, a Omdia considera que os fabricantes têm de demonstrar melhorias relevantes na experiência de utilização para justificar esse investimento adicional.

Para o Canal, a evolução do mercado aponta para uma maior importância da rentabilidade por equipamento, da disponibilidade de soluções de financiamento e da capacidade de adaptar a oferta às diferentes categorias de consumidores.

As estimativas da Omdia referem-se a envios de smartphones para o mercado, não correspondendo necessariamente às vendas efetivas aos consumidores finais. Os dados são globais e não permitem determinar a evolução específica do mercado português no terceiro trimestre de 2026.

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