2026-1-05
Após um crescimento de 3% em 2025, as vendas globais do setor deverão registar uma variação homóloga ligeiramente negativa, refletindo maior cautela por parte dos consumidores
|
O mercado global de tecnologia e bens consumo deverá entrar numa fase de estabilização em 2026, após um desempenho positivo em 2025. De acordo com a mais recente previsão da NielsenIQ (NIQ), desenvolvida em colaboração com a Consumer Technology Association (CTA), as vendas globais do setor deverão registar uma variação homóloga de -0,4% em 2026. Segundo a NIQ, o setor deverá encerrar 2025 com um volume de vendas aproximado de 1,3 biliões de dólares, o que representa um crescimento de 3% face a 2024. Em 2026, o mercado global deverá manter-se praticamente estável, refletindo mudanças nos padrões de procura e uma maior cautela dos consumidores. A análise destaca diferenças relevantes entre regiões. A Europa de Leste deverá liderar o crescimento em 2026, com uma subida estimada de 5%, seguida da Europa Ocidental e da região do Médio Oriente e África (MEA), ambas com crescimentos previstos de 3%. A América Latina deverá crescer cerca de 2%, enquanto a América do Norte deverá manter-se estável. A região Ásia-Pacífico deverá registar uma quebra de 3%, fortemente influenciada pela China, onde a descida poderá atingir 5%. Ao nível das categorias, os pequenos eletrodomésticos surgem como um dos principais motores de crescimento, enquanto os segmentos de IT e escritório deverão apresentar ganhos modestos. Os grandes eletrodomésticos deverão manter-se estáveis, ao passo que telecomunicações e eletrónica de consumo deverão registar ligeiros declínios. A NIQ sublinha que os consumidores continuam focados no valor pelo dinheiro investido, privilegiando produtos que ofereçam melhor desempenho, conveniência, eficiência energética e durabilidade. Os ciclos de substituição de computadores e smartphones, aliados a tendências de premiumização — como PC com Inteligência Artificial (IA) integrada, televisores mini LED e OLED, e equipamentos inteligentes para a casa — deverão apoiar a procura em determinados segmentos. Eventos específicos também poderão influenciar o mercado. As vendas de televisores deverão beneficiar do impacto da Campeonato do Mundo de 2026, enquanto categorias como auscultadores de ouvido abertos e dispositivos com funcionalidades de IA bem definidas poderão ganhar tração junto dos consumidores. “Para o futuro, a próxima fase de crescimento contará menos com a ampla recuperação do mercado e mais com como, efetivamente, as marcas personalizam inovação, preço e recursos para atender às expectativas do consumidor local”, refere Julian Baldwin, presidente de tecnologia e bens de consumo da NielsenIQ. Do ponto de vista estratégico, o relatório recomenda que fabricantes e retalhistas concentrem esforços em mercados com maior potencial de volume e valor, monitorizando fatores como políticas comerciais, taxas alfandegárias nos Estados Unidos, programas de substituição na China e a crescente expansão de marcas chinesas para novos mercados. “Apesar da inflação mais alta e da demanda resiliente em muitas regiões, os riscos relacionados a taxas alfandegárias e disrupções na cadeia de suprimentos persistem”, afirmou Steve Koenig, vice-presidente de pesquisas da Consumer Technology Association. “Os consumidores seguem impulsionados pelo valor, mas estão preparados a gastar onde eles veem recursos que são atraentes nos produtos. A IA continua a apresentar uma sólida oportunidade como diferenciador de produto, mas a adoção dependerá de casos de uso claros que ilustram os benefícios diretos e o retorno de investimento”. |