2026-10-11
A pressão sobre os custos está a levar empresas europeias a escolher portáteis com menos memória, enquanto os modelos de maior desempenho continuam a concentrar uma parte significativa das receitas
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A pressão sobre os preços dos componentes está a alterar as decisões de compra de computadores portáteis empresariais na Europa, com uma parte dos compradores a optar por configurações de menor capacidade de memória para reduzir custos, segundo dados da Context relativos a agosto de 2026. A análise dos cinco maiores mercados europeus revela que os portáteis com 8 GB de RAM representaram 25% das unidades vendidas nas cadeias de retalho e 20% das comercializadas através de pequenos e médios revendedores (SMR). Esta tendência contraria a evolução esperada para equipamentos com maior capacidade de memória, numa altura em que as aplicações empresariais e as funcionalidades de Inteligência Artificial (IA) executadas localmente exigem recursos de hardware mais elevados. Os modelos com 16 GB de RAM continuam a dominar o mercado, representando 60% das unidades vendidas no retalho e 53% através dos revendedores. No entanto, os equipamentos com 32 GB, apesar de representarem apenas 14% das unidades comercializadas, foram responsáveis por 25% das receitas da categoria. A diferença é particularmente visível nos preços médios de venda. Os portáteis com 32 GB atingiram 1.514 euros através dos revendedores, contra 1.294 euros nas cadeias de retalho, uma diferença de 220 euros por equipamento. Estes modelos representaram 26% das receitas dos revendedores e 21% das receitas do retalho. “Os compradores estão a tomar decisões muito diferentes consoante os seus orçamentos e as necessidades de utilização dos equipamentos”, afirma James Bates, Senior Retail Analyst da Context. Segundo o responsável, as configurações com menos memória tornaram-se uma alternativa para quem procura reduzir o investimento inicial, enquanto outros compradores continuam disponíveis para pagar mais por equipamentos capazes de suportar aplicações exigentes durante mais tempo. A Alemanha destacou-se na procura por equipamentos de maior capacidade, com os modelos de 32 GB a representarem 35% das unidades vendidas pelos revendedores e 45% das respetivas receitas. No retalho, estes equipamentos corresponderam a 23% das vendas, embora os modelos de 8 GB também tenham alcançado uma quota de 28%. No Reino Unido, os revendedores registaram o preço médio mais elevado para portáteis com 32 GB, de 1.712 euros. Ao mesmo tempo, os equipamentos com apenas 4 GB representaram 28% das unidades vendidas neste canal. Nas cadeias de retalho, os modelos de 16 GB concentraram 69% das vendas, enquanto os de 32 GB ficaram pelos 3,8%. Em França, os portáteis com 16 GB representaram 69% das vendas dos revendedores e 66% das cadeias de retalho. Os modelos de 8 GB atingiram 26% das vendas no retalho, enquanto o preço médio dos equipamentos com 32 GB comercializados pelos revendedores chegou aos 1.668 euros. Espanha foi o único dos cinco mercados em que o retalho vendeu proporcionalmente mais portáteis com 32 GB do que os revendedores, com quotas de 11% e 9%, respetivamente. Estes equipamentos geraram 21% das receitas de portáteis nas cadeias de retalho espanholas. Já em Itália, a procura por configurações económicas foi mais evidente entre os revendedores, com os modelos de 8 GB a representarem 40% das unidades comercializadas. No retalho, os portáteis com 16 GB concentraram 78% das vendas, enquanto os equipamentos com 32 GB representaram apenas 1,7%. A Context considera que esta divisão do mercado deverá manter-se caso os custos dos componentes continuem elevados. Para as empresas, o desafio será equilibrar a redução imediata dos custos de aquisição com a necessidade de garantir que os equipamentos conseguem responder às exigências futuras das aplicações empresariais e da IA. |