Margarida Bento em 2019-10-18

EVENTOS

O IT Channel em Barcelona a convite da Schneider Electric

Schneider Electric Innovation Summit 2019: eficiência, competitividade e ambiente

A edição deste ano da Schneider Electric Innovation Summit, que teve lugar nos dias 2 e 3 de outubro, reuniu em Barcelona mais de 3.500 clientes e Parceiros internacionais para analisar a forma como a digitalização está a ajudar as empresas a tornarem-se mais competitivas, eficientes e sustentáveis

Jean-Pascal Tricoire, CEO da Schneider Electric

A Schneider Electric Innovation Summit reuniu milhares de clientes e Parceiros em dois dias dedicados à exploração das oportunidades da digitalização na transformação dos modelos de negócio para conciliar a competitividade e sustentabilidade através da eficiência, ajudando as empresas no caminho para a sustentibilidade, sem sacrificar a performance.

O encontro destacou-se pela verticalidade, sob o mote de que cada negócio é um caso. Isto materializou-se na Innovation Hub, área dedicada à demonstração das soluções Schneider para cada setor e vertente de negócio, na qual foi possível ver em ação desde sistemas de automação para indústria 4.0 até plataformas de gestão para Parceiros.

Serviu, também, como meio de desenvolvimento do ecossistema Schneider, pondo em contato clientes e Parceiros e oferecendo, a estes últimos, programas de formação cuja conclusão os dotou de certificações especializadas. Por exemplo, Parceiros APC Elite, especializados em data centers, tiveram à sua disposição um programa de formação após o qual ficaram certificados para implementarem soluções edge, passando a tirar partido de um mercado em rápida expansão.

Humanidade está "na trajetória errada"

A sustentabilidade já está no mainstream, com cada vez mais empresas a adotá-la como valor core, seja por questões de responsabilidade social, pressões legislativas ou simplesmente para otimizar despesas.

No entanto, alerta Jean-Pascal Tricoire, CEO da Schneider Electric, no que toca ao combate às alterações climáticas estamos na trajetória errada. Apesar do impacto das outras formas de poluição no meio ambiente, a frente de batalha são as emissões de gases de estufa e, destas, 80% provêm da produção de energia. Medidas de sustentabilidade como a eletrificação da mobilidade apenas resultarão numa redução das emissões se também for abordada a produção e consumo de energia.

Tricoire estima que terá possível reduzir as emissões de carbono em 50% até 2040, desde que haja um forte investimento na redução do consumo energético. “Vai haver mais investimento na energia durante os próximos 20 anos do que ao longo de toda a história da eletricidade”, realçou o CEO.

Os edifícios, os data centers, as infraestruturas e a indústria são responsáveis por perto de 70% do consumo elétrico em todo o mundo – e são, também, das estruturas mais indispensáveis para a sociedade e economia, cuja performance não pode ser comprometida, seja por razões de performance financeira, disponibilidade de serviços essenciais ou a simples segurança e qualidade de vida das pessoas.

É, assim, imperativo que se consiga reduzir o consumo energético destes processos sem comprometer (ou, preferencialmente, otimizando) o seu desempenho. O que vai permitir isto é, naturalmente, a digitalização, que, garante Tricoire, nos vai capacitar para “construir um novo mundo elétrico e digital, significativamente diferente do que conhecemos” – não é uma evolução, mas sim uma total disrupção do paradigma anterior.

Assim o primeiro passo para a eficiência energética é a automação da energia. Neste contexto, a Schneider Electric anunciou o lançamento da Ecostruxure Power 3.0, que apresenta melhorias significativas à sua plataforma e arquitetura de automação da distribuição de média e baixa voltagem com base em IoT. A terceira geração traz aos clientes benefícios acrescidos em termos de segurança, eficiência e cibersegurança e o seu lançamento vem acompanhado pela plataforma Ecostruxure Power Advisor, uma de cinco novas aplicações da gama Advisor apresentadas este ano.

Para potenciar a IoT, a integração da cloud e edge é também vital. De modo a maximizar a eficiência dos processos, o processo de tomada de decisão com base nos dados tem de ser feita, pelo menos em parte, o mais perto possível da sua fonte. Por outro lado, a contextualização e armazenamento dos dados, o processamento de informação dispersa, entre outros, têm de ser feitos de forma centralizada, e tudo isto ocorre de forma cíclica. Assim uma arquitetura cloud-to-edge adequada é vital.

Do mesmo modo, a gestão site-by-site deve ser substituída pela gestão centralizada de todo o negócio. Não podem existir silos de informação – toda a cadeia operacional tem de ser gerida de forma holística.

É também necessário, alerta o CEO, trazer o assunto para a mesa com os fornecedores: “não é possível divorciar a sustentabilidade da empresa da sustentabilidade dos fornecedores. A sustentabilidade tem de ser abordada ao longo de toda a cadeia de valor”.

Dito tudo isto, qual é, então, a trajetória correta a nível global? Tricoire destaca três etapas:

  • Otimização: como já referido, aumentar a eficiência energética de metade dos edifícios e indústria existentes em 30-50%;
  • Eletrificação: Aumentar o peso da eletricidade nas energias utilizadas de 20% para 40%, passando pelo combate à pobreza energética;
  • Descabornização: As fontes de energia renovável devem passar de 6% para 40% da produção total.

“As mudanças climáticas são a maior ameaça à saúde e bem estar da nossa sociedade. Temos de trabalhar em conjunto para reduzir as nossas emissões de carbono e parar o aquecimento global”, conclui Tricoire. “Para além de reforçar os nossos esforços, incentivamos também os restantes a adotarem medidas mais ousadas para reduzir as emissões. Estamos prontos para trabalhar com clientes e Parceiros na criação de práticas de negócio para um futuro mais sustentável”.

O mercado português tem um "enorme potencial"

Este tem sido um ano muito positivo para a Schneider Electric, que verificou durante o primeiro semestre do ano um crescimento orgânico das receitas de 5,4%, totalizando 13,2 milhões de euros. A Europa Ocidental, por seu lado, reporta um crescimento de 3,2%, com previsão de crescimento moderado até ao final do ano. Apesar de não revelar valores para o país, João Rodrigues, Country Manager da Schneider Electric (na foto ao lado), garante que Portugal cresceu “em linha com o resto da Europa”, e prevê que vá acabar o ano de igual forma. “É um crescimento modesto, mas é crescimento. Consideramos o facto de crescermos numa economia madura como é a europeia – e como é a portuguesa – bastante positivo”.

Quanto ao papel das características do mercado nacional – nomeadamente a sua dimensão – neste crescimento, João Rodrigues considera que o país tem “um enorme potencial”, não apesar de ser pequeno, mas graças a esse facto. “A dimensão do país é muitas vezes mencionada como algo que nos prejudica. Penso que é a nossa dimensão que nos dá agilidade. Estas características são parte do que fez com que o digital se expandisse tão rapidamente”.

Mesmo internamente na empresa, Portugal é um país piloto de implementação de projetos. O ano passado, por exemplo, foi o primeiro no qual a Schneider fez a migração do domínio na web, que numa empresa das suas dimensões é um processo complexo.

Por outro lado, ainda há um grande caminho a percorrer e, alerta, na era digital, as empresas não se podem dar ao luxo de esperar até terem a certeza para fazerem um investimento. “A tecnologia está sempre a mudar. Neste mundo tão inconstante, se formos por aí vamos perder oportunidades”.

Agilidade e escalabilidade no edge

O edge computing desempenha um papel fundamental na forma como a digitalização pode ajudar as empresas a aumentar a sua eficiência e sustentabilidade. Contudo, representa também um investimento significativo, requerendo a construção de data centers dedicados, bem como escalabilidade, de forma a que estes possam ser facilmente expandidos consoante o necessário.

As soluções pré-fabricadas tornam-se, assim, ideais para o edge. Ao contrário dos data centers de “pedra e cal”, os data centers pré-fabricados modulares Schneider dispensam grande parte das licenças normalmente associadas à construção e são, naturalmente, mais rápidos de construir, agilizando em muito o processo de implementação e scale-up. No total, o processo não deverá levar mais do que três meses, contando com a projeção, construção, transporte e instalação. Apesar da estrutura base dos módulos ser a mesma, e de a Schneider dispor de um desenho standard, 99% dos projetos implicam um processo de desenho prévio para que se possam adequar exatamente às necessidades do cliente e ao ambiente no qual vai ser instalado. Um único módulo sem redundância e com arrefecimento passivo terá uma potência de aproximadamente 1.6 KW, enquanto uma instalação de vários módulos com redundância e controlo ambiental extra chega a um máximo de 1 MW, adaptando-se assim a uma variedade de aplicações. Adequam-se, também, a uma variedade de ambientes, incluindo temperaturas extremas, chuva, vento, pó, areia, e mesmo vibrações ou terramotos frequentes, pelo que suportam, por exemplo, uma aplicação empresarial de edge regional ou a automação de uma exploração de minério.

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